Mãe sem dinheiro para acompanhar Renato Seabra

A mãe de Renato Seabra não vai estar terça-feira em Nova Iorque quando o filho for presente ao Supremo Tribunal do Estado para ouvir a acusação.

29 de janeiro de 2011 às 22:00
importa Foto: Direitos reservados
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A mãe de Renato Seabra, o manequim que confessou o homicídio do cronista Carlos Castro, não vai estar terça-feira em Nova Iorque quando o filho for presente ao Supremo Tribunal do Estado para ouvir a acusação. O homicídio está qualificado como de 2º grau, mas poderá passar para o 1º grau, correspondendo em qualquer dos casos a uma pena superior a 25 anos de cadeia

"A mãe do Renato não seguirá para Nova Iorque porque ainda não tem condições para isso", explicou ontem ao CM José Malta, cunhado do jovem de Cantanhede, de 21 anos, e porta-voz da família, escusando-se a explicar os motivos concretos do adiamento da viagem para os EUA.

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As dificuldades económicas que a família está a enfrentar, a necessidade de continuar a angariar fundos (a defesa do manequim custará mais de cem mil euros), a venda de património em curso (como a casa e o carro) poderão ajudar a explicar a ausência de Odília Pereirinha, de 53 anos. Do ponto de vista prático, a sua presença pouco poderia contar no âmbito do processo para ajudar o filho na terça-feira.

No sentido de coordenar os meios de defesa, a enfermeira do Centro de Saúde de Cantanhede reuniu, nesta vila, na segunda-feira, com o ex-marido, Joaquim Seabra, de quem se separou há 17 anos. "O encontro teve como fim falarem com mais calma sobre a situação inesperada em que o filho está envolvido e envidarem todos os esforços no sentido de conseguirem granjear apoios para custear a defesa do Renato", confirmou José Malta. Joaquim Seabra, de 50 anos, também enfermeiro, a viver no Algarve, viu o filho pela última vez, antes da tragédia, quando ele tinha apenas nove anos.

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O porta-voz da família referiu que "centenas de pessoas que têm mostrado vontade em apoiar com donativos" vão poder fazê-lo através de uma conta oficial da Associação Estrela de Afectos, que canalizará a ajuda para a mãe de Renato Seabra, "no sentido de pagar os enormes encargos que lhe são exigidos para garantir uma defesa justa para o filho, de forma a salvaguardar os seus direitos essenciais, humanos e legais". 

"QUE VENHA PARA PORTUGAL"

Várias pessoas participaram ontem em Canas de Senhorim numa missa de acção de graças por Renato Seabra. "Pelo menos que venha para Portugal", gritou uma mulher à porta da Igreja Matriz, durante um cordão humano. Antes, na eucaristia, o padre Nuno Santos lembrou a "situação dramática" da família. O tio e a avó do manequim agradeceram o apoio.  

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FALTA ANGARIAR MUITO DINHEIRO

A mãe de Renato tem recebido algum apoio financeiro, mas ainda não é suficiente para pagar ao advogado David Touger, experiente na defesa de processos de direito criminal, que cobrará cerca de 100 mil euros para assumir a defesa do caso, de acordo com uma fonte do CM. O causídico terá pedido 50 mil euros à cabeça, mas nem metade desse valor foi ainda angariado por Odília Pereirinha.

APRESENTADA NOVA ASSOCIAÇÃO

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A apresentação pública da associação Estrela de Afectos, que esteve prevista para ontem, em Cantanhede, só acontecerá na próxima terça-feira, por questões burocráticas. A instituição sem fins lucrativos tem como objectivo apoiar pessoas cujos familiares se encontrem a responder em processos judiciais no estrangeiro, como acontece no caso de Renato Seabra.

SEGUNDA VEZ FRENTE A JUIZ

Renato Seabra comparece pela segunda vez perante um juiz norte-americano na terça-feira, numa audiência marcada no Supremo Tribunal do Estado de Nova Iorque. Volta a ouvir as acusações de que é alvo, podendo depois considerar--se culpado ou inocente. "A sessão em pouco difere da primeira vez que foi apresentado a um juiz", explicou Joan Vollero, uma das advogadas do District Attorney, equivalente do Ministério Público, encarregue do caso.

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No banco dos réus, o manequim estará acompanhado pelo seu advogado de defesa, David Touger. A representar a acusação encontrar-se-á a procuradora Maxime Rosenthal

Os jornalistas podem estar presentes na sessão, aberta ao público, como é habitual nos julgamentos nos EUA. Renato Seabra foi presente pela primeira vez a um juiz uma semana após o crime, na chamada ‘primeira imputação' no Tribunal Criminal. Por videoconferência e na presença do advogado de defesa e da procuradora, o magistrado leu as acusações.

Na sessão de dia 1 de Fevereiro, a ‘primeira imputação' no Supremo Tribunal, o arguido não vai ainda estar perante um grande júri, apesar de o caso já ter sido submetido à consideração de um júri, composto por cidadãos comuns. "As acusações já foram apresentadas a jurados que as avaliaram. As deliberações são secretas, mas o mais provável é que não tenham sido alteradas", comentou Joan Vollero.

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Ainda não foi estipulado um horário para a comparência do jovem manequim em frente ao juiz. "A hora da audiência só deverá ser sabida um dia antes, ou até no próprio dia. Tudo depende de quando os guardas do Departamento de Correcção têm o arguido pronto", acrescentou a advogada do Ministério Público.

PORMENORES

VIAGEM ADIADA

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A partida chegou a estar programada para hoje. "As despesas têm de ser muito bem controladas", explicou uma amiga de Odília Pereirinha, que poderia ter a companhia de um advogado português na deslocação aos EUA.

NIB PARA AJUDAR

"A autorização do Ministério da Administração Interna para podermos abrir a conta solidária e divulgar publicamente o NIB já foi concedida", explicou ontem CM Diogo Silva, presidente da associação Estrela de Afectos.

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SITE EM CONCLUSÃO

Segundo Diogo Silva, também um grande amigo de Renato Seabra, "a associação já está constituída, o site de divulgação deverá ficar terminado este fim-de-semana e a conta solidária está constituída".

NOTAS 

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EUA: EMIGRAR É HIPÓTESE 

Odília Pereirinha poderá emigrar para estar mais próximo do filho. Tanto mais que está a desfazer-se do património que possui. Desconhece-se a intenção do pai, Joaquim Seabra.

CRIME: HOTEL INTERCONTINENTAL

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Renato Seabra é acusado de ter assassinado o cronista Carlos Castro à pancada e de lhe ter mutilado os órgãos genitais com o recurso a um saca-rolhas, no Hotel InterContinental.

ANOS: SEM RAZÃO PARA FESTA

José Malta faz hoje 31 anos, sem motivos para festejar dada a situação da família. É casado com Joana Seabra, de 25 anos, irmã de Renato, que está grávida de quase três meses.

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Vida de emoções fortes

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