Numa altura em que a família real já enfrenta diversos escândalos, novo livro promete revelar indícios que colocam em causa a legitimidade da linhagem real.
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A monarquia da Noruega enfrenta uma das fases mais delicadas da sua história. Já fragilizada por polémicas envolvendo a princesa herdeira, um julgamento mediático e a sombra do caso Jeffrey Epstein, a Casa Real vê agora ressurgir uma teoria que pode colocar em causa a própria legitimidade da linhagem no trono.
A princesa Mette-Marit, mulher do príncipe herdeiro Haakon da Noruega, foi recentemente associada ao nome de Jeffrey Epstein, após ter sido revelado que trocou mais de uma centena de e-mails com o controverso milionário e que terá permanecido quatro dias numa das suas propriedades na Florida.
Em paralelo, o seu filho de uma relação anterior, Marius Borg Høiby, enfrenta 38 acusações criminais, incluindo quatro de violação. O impacto acumulado destes episódios já se reflete nas sondagens: o apoio popular à monarquia terá caído de 70% para 53%, com um número crescente de cidadãos a defender a transição para uma república.
É neste contexto que surge um novo livro que promete abrir a caixa de Pandora da história real norueguesa. A tese, inicialmente avançada pelo historiador Tor Bomann-Larsen, sugere que a princesa Maud de Gales — filha de Eduardo VII — terá recorrido, em 1902, a um doador de esperma para garantir um herdeiro ao trono
Casada com o futuro Haakon VII da Noruega e sem conseguir engravidar após vários anos, Maud teria procurado ajuda médica em Londres para garantir a linha de sucessão. Segundo a teoria, a princesa submeteu-se a um tratamento pioneiro de doação de esperma conduzido por Sir Francis Laking, médico real do seu pai rei, sendo o doador o seu próprio filho, Guy Francis Laking, um plebeu britânico.
Nove meses depois, em 1903, nasceu o príncipe Olav V da Noruega, que viria a ascender ao trono em 1957. O seu filho, Harald V da Noruega, é o atual monarca.
Segundo o 'Daily Mail', a teoria ganhou força quando fotografias de Guy Laking revelaram uma impressionante semelhança física com o jovem príncipe Olav. Dois meses após a alegada inseminação da rainha Maud, seu irmão, o rei George V, atribuiu a Guy Laking uma condecoração na Ordem Real Vitoriana — distinção reservada a serviços pessoais prestados ao soberano. O detalhe intrigante é que Laking não tinha qualquer função oficial junto da Coroa na altura. Posteriormente, foi-lhe criado um cargo exclusivo no Castelo de Windsor, Guardião do Arsenal do Rei, consolidando assim a sua proximidade à família real britânica.
Para alguns historiadores, estas recompensas poderão ter sido uma forma discreta de agradecer um "serviço secreto" prestado à princesa Maud e, por extensão, à monarquia norueguesa.
Guy Laking, o suposto pai plebeu de um rei, morreu aos 44 anos de idade vítima de ataque cardíaco. Se agora for confirmado que ele é o pai do rei Olav, isso significará que tanto o reinado de Haakon como o de seu filho Harald, o atual rei, são inválidos.
A resposta para todo este mistério poderá ser resolvida com a publicação, ainda este ano, de uma nova biografia da rainha Maud da autoria da historiadora Arnhild Skr. Embora a autora mantenha silêncio sobre as conclusões, a expectativa é elevada. E com a família real norueguesa já sob incrível pressão pública, alguns argumentam que isso poderia muito bem significar o fim da monarquia na Noruega.
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