Pivô do ‘Jornal da Tarde’, da RTP 1, fala sobre a família, diz que adora receber os amigos em casa e admite que faz um pudim “delicioso”
Pivô do ‘Jornal da Tarde', da RTP 1, fala sobre a família, diz que adora receber os amigos em casa e admite que faz um pudim "delicioso".
- É um individuo que tenta viver partindo sempre do princípio que a outra parte da vida, que faz no ecrã, é normal.
- Quando não estou na TV, estou com a minha família, particularmente com a minha mulher e as minhas filhas, e com os meus amigos. Gosto de ler, ver TV, ouvir música e de estar no computador. Acho que é aquilo que a maior parte das pessoas que não tem uma profissão como a minha, mas que gostam de estar informadas, fazem. Sem ser isso, gosto de cinema, literatura e, como é público, futebol.
- Estão equilibradas. Não é fácil haver uma paixão na minha vida maior que o futebol, tirando a que tenho pelas pessoas de quem gosto. Mas felizmente tem sido possível conjugá-las muitas vezes, fazendo jornalismo sobre futebol. Mas confesso que me dá mais gosto o futebol sem jornalismo, porque quando se está a trabalhar perde-se uma parte da paixão do adepto comum.
- Não, por uma razão... Pelo menos agora. Gosto que as pessoas apreciem o meu trabalho sem a tentação de quererem ler ou ouvir o que eu digo à luz do clube... Também não assumo o partido.
- Claro. Hoje acho que o melhor jogador do Mundo é claramente o Messi. Mas acho que os portugueses são muito injustos se não derem valor ao facto de terem o outro melhor jogador do Mundo, que é o Cristiano Ronaldo, um jogador espantoso.
- Não. Fomo-nos habituando a isso. Ao fim deste tempo todo há uma adaptação grande. Quando a minha mulher me conheceu, eu já era jornalista. E quando fomos morar juntos ela viveu - nos primeiros tempos, quando não tínhamos filhos - mais de perto a minha profissão. Portanto, a minha profissão nunca foi um obstáculo, por vezes até ajuda.
- Acho que não. Nenhum de nós é propriamente profissional em casa. Eu não faço notícias com a vida dela e ela não me analisa. (risos)
Não. Mas tenho noção que ela tem uma sensibilidade maior do que as outras pessoas, que resulta da técnica que domina, de em alguns momentos perceber quando se está mais triste, eventualmente até, deprimido. Quando se precisa de uma conversa mais longa... Isso sim. Mas tem mais a ver com aquilo que eu sinto, do que com a forma de ver dela.
- Sim. Normalmente é mais crítica na forma. Não sendo uma pessoa do meio jornalístico não analisa tanto o conteúdo. Não me diz: ‘Não gostei daquela pergunta', até porque ela acha que eu sou um jornalista muito competente! (risos). Mas diz-me se estive bem, se a roupa e o cabelo estavam ok... Nesses pormenores é muito comum ela ter uma opinião e ser eu pedir-lhe até.
- A mais nova ainda não percebeu bem esta coisa do pai trabalhar na TV. Não dá grande valor a isso. A mais velha, tem 7 anos, e nos últimos tempos começou a perceber que os colegas da escola conhecem o pai, ainda que sejam todos muito miúdos. Mas tenho sempre a preocupação que elas entendam que o pai apenas tem um emprego com mais visibilidade, mas que é um trabalho como as outras pessoas têm. Tento que as minhas filhas não vejam no pai nada de extraordinário ou especial.
- Sim, mas não dão muita importância. Os telejornais naquela idade ainda não são uma coisa muito sedutora. Aliás, eu lembro-me que dizia sempre à minha mãe: ‘Porque é que acabam os desenhos animados, as novelas e nunca acaba isto do Telejornal?'. Eu acho que elas ainda estão nesta fase.
- Não! Era mais os bonecos! Mas também só davam ao fim da tarde e ao domingo de manhã! (risos)
- A primeira vez que falei com ela foi num congresso em que fui convidado para moderar uma mesa redonda, e ela estava lá. Como a conhecia de vista cumprimentámo-nos...
- Já havia um fascínio anterior, pelo menos assumido da minha parte. Depois foi uma oportunidade de a conhecer melhor.
- Namoraram muito tempo?
- O primeiro tempo que vivemos juntos foi em Lisboa, eu ainda na SIC, e depois fomos juntos para o Porto. Voltámos para casa, no fundo, ao fim de um ano sensivelmente. Em 2000 começámos a viver juntos e casámos em 2003.
- Sentiram necessidade de assinalar o vosso amor?
- Não. Foi natural. Chegou o momento em que fazia sentido... em que era possível. E até juntámos o casamento com o baptizado da nossa filha mais velha. Acabou por ser um dia muito especial, do ponto de vista simbólico.
- Foi dia de festa grande?
- Sim. Foi a festa que nunca tínhamos feito. Foi em Matosinhos, que é, por acaso, onde vivemos hoje
- Festa de arromba com os amigos todos...
- Foi, foi uma grande festa. (risos).
- E como é que acabou a noite?
- Acabou com uns copos a mais. Assumidamente com uns copos a mais. Eu, ela e uns quantos amigos. Deitámo-nos tardíssimo, depois de dançar e cantar muito
- Teve muitas namoradas?
- Não-oficiais sim.(risos) Mas oficiais foram só duas ou três. Cruzei-me com algumas pessoas na vida, em termos sentimentais. Mas namoradas, de facto, não, não tive muitas.
- Sim, acho que fui sempre. Sou bem comportado sem deixar de fazer quase tudo o que gosto de fazer. Em miúdo não era aquela criança de fazer travessuras e asneiras. Aí fui sempre bem comportado. Mas sou um bem comportado que se diverte imenso com a vida. Gosto de jantar, beber uns copos, cantar, ir ao futebol, rir com os amigos.
- Lembro-me que foi a um programa da RTP cantar. Costuma fazer disso um hábito: cantar?
- Sim. É normal para mim andar a cantar. No chuveiro, no carro, em casa, no trabalho. E às vezes gosto de fazer umas sessões de karaoke em casa.
- Tem uma música da sua vida?
- Não, Tenho várias. Emociono-me com muitas músicas, mas não tenho ‘a' música da minha vida. Mas há aquelas que de repente me lembram coisas e emociono-me.
- E que tipo de música prefere?
- Boa música. Mas gosto muito de musica dos anos 80/90. Tem a ver com a minha fase da adolescência, de comprar e gravar mais música. E gosto muito de música portuguesa e brasileira.
- Faz downloads ilegais?
- Não posso assumir em público (risos)
- E que hobbies tem?
- Ouvir musica, cantar. Ultimamente vejo mais séries.
- Que séries gosta de ver?
- Vejo com regularidade ‘Flashforward', ‘Pacífico'... Tenho sempre uns ‘CSI' gravados, para quando me lembro que só tenho 45 minutos antes de adormecer! E gosto de ‘Sexo e a Cidade'...
- Revê-se nalguma das personagens do ‘Sexo e a Cidade'?
Não me revejo. Mas é o retrato daquilo que é hoje uma importante parte do Mundo.
- Se tivesse que eleger uma personagem qual seria? A Samantha?
- (Risos). Não arrisco.
- O domingo é tipicamente o dia da família. Como é o seu?
- Nos últimos tempos tenho conseguido preservar a maior parte dos fins-de-semana. Normalmente só trabalho um fim-de-semana por mês. Portanto, os outros são familiares. Habitualmente recebo a visita dos meus pais, dos sogros, cunhados, irmãos e amigos. Estou particularmente com as minhas filhas e a minha mulher. Se estiver bom tempo, o ideal é sair e ir para perto da praia. Elas brincam nos balouços e eu leio o meu jornal tranquilamente. Vejo um jogo ou dois de futebol durante a tarde e depois um bom jantar, com os amigos, que é das coisas que me dá mais prazer. Faço recorrentemente. As minhas filhas até perguntam: ‘Hoje não vem cá ninguém, nem nós vamos a casa de ninguém?' O anormal em minha casa é estarmos sozinhos.
- É capaz de cozinhar para eles?
- Sei fazer pouca coisa, mas o que faço, faço muito bem! (risos) O mais famoso é um arroz de tomate malandrinho, mas não faço todas as vezes. E faço pudim. Ah, e também sabia fazer um frango com natas, mas não me tenho actualizado muito. Se soubesse cozinhar melhor passava mais tempo na cozinha. A cozinha exerce em mim um efeito de relaxamento, mas odiaria ter de cozinhar por obrigação. Percebo o drama das mulheres, que são as maiores vítimas em quase todas as casas portuguesas.
- Tem muitos amigos na RTP?
- Tenho muitos amigos e uma parte significativa são colegas de trabalho.
- E quem são esses amigos?
- São muitos e tenho medo de dizer nomes e esquecer-me de algum. Hélder Silva, Hugo Gilberto, Luís Baile, Manuel Fernandes Silva... São alguns. Temos uma relação que vai muito para lá da redacção. Aliás, até nos damos melhor fora da redacção. Lá somos colegas, como das outras pessoas.
Não tenho. Quer dizer, pessoas que veja como inimigos, não tenho, mas se há pessoas que não gostam de mim... Isso é natural!
- Mas há pessoas na RTP de quem não gosta...
- Há e felizmente há pessoas que não gostam de mim. Detestaria ser unânime e tenho horror àquelas pessoas que são muito boazinhas e de quem toda a gente diz bem. Não acho que se possa ser tão bonzinho ao ponto de toda a gente ter uma opinião favorável sobre nós. Prefiro a autenticidade à ideia de bondade.
- E essas pessoas de quem não gosta, sabem que não gosta delas?
- Não tento demonstrar nenhuma hostilidade em relação a ninguém, mas considero que sou autêntico e franco com as pessoas. É evidente que há pessoas que devem perceber que não nutro por elas um sentimento particularmente simpático.
- Qual foi a experiência mais caricata que viveu na RTP?
- Várias. Temos todos histórias engraçadas. Lembro-me de fazer um jornal em Macau em que não tinha alinhamento, folhas, textos de pivot, não tinha cadeira nem mesa. Não havia microfone de lapela, só um na mão e estava um vento incrível, o cabelo voava permanentemente e as deixas eram dadas por uma produtora que estava ao telemóvel com Lisboa e baixava os braços quando era para eu dizer qualquer coisa. Era do género: ‘Vais falar sobre a Bósnia'. E eu falava, dizia qualquer coisa sobre o que achava que estava a acontecer na Bósnia naquele dia! (risos) E assim se fez um jornal inteiro naquele dia. Foi uma aventura completa!
- E enquanto apresentava o ‘Trio d'Ataque'?
- A coisa mais engraçada foi haver um gato no estúdio. De repente, começámos a ouvir coisas a cair atrás do cenário. A determinado momento passa o gato no meio do estúdio em grande correria. Mas em casa não se viu. Estava tudo com uma vontade enorme de se rir e alguém disse: "Aqui há gato!". Mas aquilo passou mais ou menos despercebido. Em casa ninguém notou.
- Nunca sentiu vontade de apertar o pescoço a nenhum dos comentadores do programa?
- Não, mas várias vezes saí do estúdio a dizer a alguns que não tinham razão nenhuma. Às vezes tinha vontade de os contradizer. Mas eles estão lá para dar a sua opinião. Embora, na altura, gostasse de ser um pivot interventivo e não alguém que estava ali apenas para passar a palavra... mas a opinião era deles e guardava a minha para os confrontar no fim do programa, no copo que íamos beber a seguir, habitualmente. E é dessa parte até que tenho mais saudades.
- No fim iam sempre beber um copo?
- Sim. Quase todos os programas, e aí eu era tão activo como eles na discussão, ou até mais!
- E na RTP já lhe apeteceu apertar o pescoço a alguém?
- (Risos) Tanto como a algumas pessoas terá apetecido apertar o meu! Isso é normal. Quem é que, vivendo numa redacção, não teve já momentos em que se enervou um pouco mais e se irritou verdadeiramente com alguém? É quase impossível! O trabalho jornalístico é stressante e coloca-nos, por vezes, no limite da tensão. Eu sou muito emotivo nas reacções, por isso é normal que tenha estado muitas vezes perto daquilo que é o meu limite de paciência e que não é muito elevado.
- Já sentiu pressões políticas?
- Pressões, tal e qual se definem hoje, não. Acho que existem. Até diria que já vi pessoas receberem telefonemas que acho que configuram pressões. Comigo, nunca aconteceu... telefonemas de pessoas descontentes com o trabalho sim... Mas telefonemas com tentativas de condicionamento sobre a forma como vamos cobrir determinado evento... não.
- É facilmente irritável?
- Sou. Sou a antítese daqueles indivíduos que dizem de si próprios que são muito calmos, mas que de vez em quando se passam. Eu não. Passo-me com alguma facilidade e fico surpreendentemente calmo quando os outros todos se estão a passar.
- Tem um ar muito angelical e calmo... de quem não parte um prato...
- Mas não sou.... Sou permanentemente tenso.
- E em casa também e assim?
- Não. Não sou facilmente irritável. Embora tenha essa fama e não me livre dela. Hoje sou muito menos irritável do que há uns anos. Sou capaz de ferver em pouca água. Reajo a quente, mas passados cinco minutos já não é nada comigo. Não tenho esse lado radical.
- Que situação recorda dos seus colegas, que tenha posto a redacção inteira a rir?
- É difícil... Mas lembro-me de uma engraçadíssima. Eu estava no ar a fazer o Jornal da Tarde e o nosso correspondente em Moscovo, que fala um português muito razoável para quem é russo e vive lá, habituou-se a algumas expressões que para nós não são muito normais; ele estava a entrevistar uns jovens bolseiros dos PALOP e tinha um de cada lado dele. Tinham perdido a bolsa, há muito tempo que não recebiam e estavam a passar dificuldades em Moscovo. Então o nosso correspondente diz: ‘Porque estes gajos que estão aqui ao meu lado'... (risos) Tive uma vontade de rir imensa e foi difícil controlar-me.
- Já se partiu a rir em directo?
- Em directo não. Estive algumas vezes na iminência disso. Na rádio sim, mas na TV não.
- Sente-se feliz?
- Sinto. Tanto quanto se pode ser feliz.
- Se não fosse jornalista o que seria?
- Há uns anos, jogador de futebol se tivesse tido talento suficiente... Gostava de ter uma banda, cantar. Se calhar era professor ou advogado, ou até juiz.
- Mas joga com os amigos?
- Sim, jogo todas as semanas. Sou um jogador universal, tanto jogo atrás como à frente e todas as semanas marco uns golos! Adoro jogar futebol. Aliás joguei hóquei em patins, depois futebol federado. Depois parei de jogar quando fui para a faculdade. Convenci-me nessa altura que não ia ser um grande jogador de futebol. Posso-me ter enganado, mas já não posso voltar atrás (risos).
- Se não trabalhasse na RTP onde gostaria de trabalhar?
Na SIC. Gostei muito de trabalhar na SIC. Num ano conheci pessoas fantásticas. E só sai porque tive oportunidade de voltar ao Porto e à minha família, e ganhar estabilidade. A minha mulher, na altura, ainda tinha emprego no Porto e ia deixá-lo se eu não voltasse para lá. Eu estava a fazer jornais na SIC ao fim-de-semana, o que era algo penoso. Depois surgiu a oportunidade de chefiar uma equipa no Porto, coordenar um projecto e retomar a minha vida no sítio onde achei que fazia mais sentido. É a única decisão da minha vida que não tenho a certeza. De todas as outras sei quais foram boas e más....
- Convive com pessoas de outros canais no seu dia-a-dia?
- Tenho bons amigos na concorrência.
- Fofocam muito?
- Sim, quando nos encontramos fala-se de tudo, mas não é o principal da conversa.
- Qual é que acha que é o maior defeito que a sua mulher lhe aponta?
- Acho que o facto de me focar muito nas minhas coisas e desvalorizar muitas à volta.
INTIMIDADES
- Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?
- Doces de ovos, mas não gosto de chocolate!
- No corpo já me habituei à gravura. No feitio, seria menos emotivo e intempestivo.
- Sinto-me melhor quando...
- Quando faço exercício ou bebo um bom vinho.
- Alguma ignorância arrogante.
- Dar o golpe nas filas de trânsito.
- Mudar a minha vida, o que já fiz.
- Complete: "A minha vida é..."
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