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Catarina Furtado reage à polémica que envolve a "colega" Cristina Ferreira: "Há uma postura machista..."

Apresentadora esperou para partilhar a sua opinião para "não reagir a quente", diz que não se pode "deixar que o discurso dos reality shows contamine tudo" e atira farpas à estrela da TVI.

19 de abril de 2026 às 16:11

Catarina Furtado não gosta de se envolver em polémicas, mas desta vez não conseguiu ficar em silêncio. Perante a controvérsia em torno das declarações de Cristina Ferreira, acerca do julgamento dos quatro influencers que são acusados de violar uma jovem de 16 anos, filmar o ato e partilhar as imagens nas redes sociais, a também apresentadora quis partilhar a sua opinião através de uma longa reflexão nas redes sociais. E, apesar de serem 'colegas' de profissão, não poupa críticas à estrela da TVI.

Para começar, Catarina Furtado esclarece que esperou alguns dias para reagir, para não o fazer "a quente", já que este é um tema que provoca muitas "reações acesas". “Critico fortemente todo o tipo de insultos gratuitos que se soltam em momentos destes”, afirma, acrescentando que esse tipo de comportamento “em nada contribui para a reflexão”. E assegura: "Faço-o, sem nenhuma ponta de ódio, mas por vários motivos." 

A estrela da RTP lembra que “a frase que motivou a indignação colectiva e milhares de queixas na ERC foi dita por uma colega que tem a mesma profissão" e embora tenham "estilos e posturas diferentes", ambas partilham "a responsabilidade de ter um microfone aberto para milhões de pessoas". À semelhança de Cristina Ferreira, Catarina Furtado diz que sabe o "é ter muita exposição (para o bom e para o mal)", mas também "o que representa essa responsabilidade".

Embora reconheça que “errar em direto acontece”, até porque já lhe aconteceu várias vezes, “pedir desculpa e tentar fazer melhor é sempre uma opção”. A apresentadora sublinha então que esta não é a primeira vez que Cristina Ferreira erra: "O que foi dito (e outras frases do mesmo género em situações diferentes ao longo dos anos) veio de um lugar onde não existe, de facto, a noção do impacto absolutamente nocivo que pode ter a formulação de uma pergunta".

“Não é intencional, é estrutural”, continua, apontando para “uma postura machista que é abraçada por muitas mulheres” e que, na sua perspetiva, acaba por alimentar problemas mais profundos. “É de facto grave quando esse discurso é normalizado, porque isso contribui e muito para a banalização do crime, da violência, da desigualdade de género”, escreve.

Catarina Furtado alerta ainda para a falta de preparação da colega quando abordou o tema: “Comentar assuntos seríssimos de cidadania e direitos humanos exige preparação, leitura de informação fidedigna e verificação de estudos”.

"Frases públicas ambíguas sobre sobre violência não são só frases infelizes", continua, atirando mais uma 'farpa' à rival: "Na chamada 'vida real' o que testemunho é que as meninas andam cada vez com mais medo e não 'se põem a jeito' quando estão apenas a viver os seus direitos (...). O que aconteceu foi um tremendo beliscão à civilização".

E escreve ainda: "É preciso ter consciência, empatia e curiosidade, quando se fala sobre a vida dos outros, não deixar que o discurso dos reality shows (que já contribuem também e tanto, infelizmente, para a normalização de comportamentos tóxicos e de manipulação) contamine tudo."

Para finalizar, Catarina Furtado diz que partilhou a sua opinião a pensar na filha e que esta não deve ser interpretada como "um ataque pessoal a uma colega de profissão".

Veja aqui o texto na íntegra:

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