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Cinco anos após a estreia, Carolina de Deus admite: "Tive que aprender a gostar e a confiar em mim"

Cantora admite que o novo disco, 'Felizmente Triste', ajudou a "libertar determinadas coisas que tinha para dizer".

24 de março de 2026 às 21:17

'Felizmente Triste' é o título do seu novo disco. Porquê um título tão contraditório?

A minha ideia com este título é a de passar a mensagem que podemos ser tudo ao mesmo tempo, podemos ser tristes, felizes, fortes, frágeis porque tudo é muito mais simples se aceitarmos todas as nossas facetas. E depois este 'Felizmente Triste' também é um disco que leva a abraçar os maus momentos e as fases mais difíceis porque também são estas que nos tornam mais fortes. 

Então quer dizer que este disco reflete muito a pessoa que é a Carolina de Deus?

Sim. Eu sentia que precisava de lançar este disco, até para libertar determinadas coisas que tinha para dizer.

A sua música é sempre muito introspectiva e melancólica. Essa também é uma característica da Carolina de Deus?

Eu sou uma overthinker (pensadora excessiva) profissional [risos]. Se calhar às vezes sou uma pessoa consciente demais em relação a tudo. Às vezes faço muitas leituras que se calhar seria mais fácil que não as fizesse. Mas acho que sou uma pessoa muito sensível que agarra nessa sensibilidade a usa a seu favor.

Mas para quem tem a sensibilidade tão à flor da pele, o exercício da escrita e da composição é uma coisa pacífica?

Às vezes é um processo doloroso, tenho que admitir. Às vezes dou por mim a começar uma música com uma mensagem que me é pessoalmente importante e às vezes é doloroso não conseguir pôr em palavras exatamente a dor que quero passar. 

E o que é que a faz triste e o que é que a faz feliz?

Ui! Essa pergunta implica uma resposta muito ampla. Faz-me feliz a música, a minha família, os meus amigos, a escrita e o palco... quanto ao que me faz triste, talvez a minha cabeça por às vezes não saber parar.

E esse processo de escrita é solitário e requer isolamento?

Na maioria das vezes preciso de isolar-me, sobretudo quando são músicas mais pessoais. Mas também acontece estar em locais completamente aleatórios e vir-me à cabeça uma melodia ou uma letra e eu precisar de levar aquilo até ao fim, mesmo que esteja rodeada de muita gente. 

E como estão as dores de crescimento?

Acho que já passaram. Agora, são as dores de quem já é crescido. 

E o que sente que mudou nestes últimos 4/5 anos?

Eu sinto que cresci muito. Tive que aprender a gostar de mim, a confiar em mim e ouvir-me mais a mim do que aquilo que os outros vão dizendo. 

Ainda não passaram nem cinco anos desde o seu primeiro single. Neste espaço foi nomeada para um Globo de Ouro, gravou com o António Zambujo, já tocou no Coliseu de Lisboa, tem 20 milhões de streams... Como é que tem sido gerir isto tudo?

Ao início, na transição do primeiro para o segundo disco, passei um bocado mal, porque quis acreditar profundamente que tinha que superar as expectativas do primeiro álbum e isso foi duro. Mas depois consegui pôr em primeiro lugar aquilo que é a minha verdade. 

E houve tempo para se deslumbrar com tudo o que estava a acontecer-lhe?

Eu acho que não. Na fase inicial parecia que tinha quase uma estrelinha ao meu lado. Parece que tudo corria sempre bem, mesmo quando eu não esperava o melhor. Mas como aconteceu tudo muito rápido e eu tive sempre que concentrar-me muito no meu trabalho, acho que nem houve tempo para me deslumbrar. 

E como é que a família, pais e amigos olham para a sua carreira?

Eu sinto que eles veem mais em mim do que eu própria. São essas pessoas que por vezes me puxam para cima e me lembram daquilo que eu sou capaz. É graças a elas que continuo aqui de pé. Acho que sou muito sortuda nesse aspeto. 

No meio deste mundo da música onde fica hoje a Dr.ª Carolina de Deus [estudou direito quatro anos]?

Essa já ficou lá atrás.

É um assunto arrumado?

É sim, mesmo que um dia a carreira na música deixe de correr bem, ela terá sempre de ser a minha atividade, ou a escrever para outros ou trabalhar na estrada com outros artistas. Eu hei-de arranjar maneira. 

Ainda tem bem presente na sua cabeça o que a levou a apaixonar-se pela música?

Eu diria que tive um primeiro click aos 15 anos quando fui vocalista de uma banda de rock e depois aos 19 anos quando pisei o palco pela primeira vez então no programa da RTP, o 'La Banda'. Foi aí que tive a certeza do que queria. 

Mas se recuar mais, até à infância, por exemplo, percebe que a música já lá andava?

Sim. Lembro-me de ter recebido o meu primeiro piano aos 10/11 anos, de ter ficado histérica e de ter começado a aprender músicas atrás de músicas. Depois lembro-me que, por causa da minha irmã, que é mais velha do que eu, e porque víamos muitas séries de música como o 'Glee', a minha mãe nos comprou um 'singstar' lá para casa. A minha irmã cantava lindamente e eu tentava cantar também. Ensaiava muito no quarto.

Mas já tinha alguém na família ligada à música?

Tenho um tio-avô que é pianista profissional e um avô que também é apaixonado por música, que escreve poemas e até já me deu alguns para musicar. Já o fiz mas ainda não os lancei. Fiz mais para ele, mas quem sabe um dia. 

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