Prestes a completar 18 anos, a modelo quer triunfar na moda com base no seu esforço e não por comparações com Marisa Cruz.
Prestes a completar 18 anos, a modelo quer triunfar na moda com base no seu esforço e não por comparações com Marisa Cruz.
- A sua carreira está no início, embora neste momento esteja a ser muito falada.
- O meu percurso neste meio já aconteceu há sensivelmente dois anos mas reconheço que, nesta altura, estou a ser mais procurada, mais falada.
- Pensa que esse ‘interesse’ tem a ver com a polémica com Marisa Cruz e com a saída desta da sua agência, a Face Models?
- Claro que desespoletou por causa dessa polémica mas eu não quero que continue devido a isso. Não tenho nada a ver com essa história e quero fazer o meu trabalho sem estar apoiada em ninguém.
- Reconhece em si traços físicos idênticos aos da Marisa Cruz como tem sido afirmado?
- Sim, mas acaba por aí, não somos iguais em mais nada, julgo eu.
- Conhece a Marisa Cruz?
- Não, por isso não posso falar de uma pessoa que, simplesmente, não conheço.
- Está prestes a fazer 18 anos. Como é que começou esta paixão pela moda?
- A paixão surgiu apenas quando entrei, há dois anos, pois até então não fazia a mínima ideia de como este mundo era.
- Então não era mesmo um sonho de criança?
- Não, foram colegas meus que me convenceram a inscrever-me numa agência porque acharam que tinha perfil. Havia pessoas também que passavam por mim na rua e me perguntavam se eu era modelo. Não disse nada aos meus pais e um dia cheguei a casa e contei-lhes que me tinha inscrito numa agência.
- Qual foi a reacção deles?
- Disseram que eu estava louca, que não me queriam neste mundo...
- A Débora vem de Santiago do Cacém, Alentejo, um meio fechado...
- Sim, fechado, pequeno, com mentalidades um pouco conservadoras que não conhecem nada disto. E como não conhecem têm medo. Acham que a pessoa se perde...
- Sem terem conhecimento da moda, como é que eles lidaram quando a Débora disse que ia ser modelo?
- Eles não discutiram comigo mas, no início, não me apoiaram a 100 por cento. Disseram para ter calma, que não era vida para mim, que não ia longe, e aconselharam-me a arranjar um emprego fixo. Mas é claro que depois tentaram compreender o que eu queria e hoje apoiam-me incondicionalmente.
- E na primeira entrevista na agência da Fátima Lopes, os seus pais acompanharam-na?
- Sim, vim à Face com eles. Ficaram supercontentes, estavam babados, devo dizer. Viram que, afinal, as pessoas que aqui trabalham não são bichos-papões e ficaram, realmente, mais descansados.
- Como é que uma jovem de um meio pequeno vem parar a uma agência como a Face? Assustou-a a dimensão deste mundo?
- Não me assustou de maneira nenhuma, antes pelo contrário. Deixou-me radiante. Sempre tive muita cabeça e não queria perder-me logo. Agi de forma tranquila, tanto é que não abandonei os estudos. Só quando acabei o curso é que vim morar para Lisboa, o que aconteceu há cerca de quatro meses.
- Tentou conciliar ao máximo os estudos e a moda...
- Sim, não queria deixar as duas coisas e, dessa forma, conservar a minha sanidade. Tudo isso foi possível.
- Como é que, na escola, os seus colegas e professores reagiram com o facto de conviver com uma potencial modelo de moda?
- Ficaram todos contentes, fui sempre a menina mimada.
- Em que se formou?
- Depois do 12º ano tirei um curso de nível 3 em Higiene e Segurança no Trabalho e Ambiente.
- O que idealizava para si, na medida em que a moda não estava nos seus horizontes profissionais?
- Queria trabalhar numa empresa, fazer um trabalho honesto... Coisas normais de uma pessoa normal.
- E agora saiu do Alentejo, deixou os seus pais para se aventurar na capital, em Lisboa...
- Sim, estou por conta própria e já tenho a minha casa.
- Como foi deixar o ambiente familiar, embora já conhecesse um pouco da capital?
- Já conhecia mais ou menos Lisboa mas claro que foi um choque sair, de repente, do conforto da casa dos meus pais, deixar os meus amigos, enfim, tudo o que conhecia até então para vir para um mundo desconhecido. Mas já estou a habituar-me, embora haja momentos em que tenho saudades.
- Nessas mesmas alturas, o que é que a Débora faz?
- Volto para os miminhos, para o colo da mãe, mas, infelizmente, não posso ficar sempre muito tempo. Fico um ou dois dias.
- Apesar de a moda não ser um sonho de criança, como é que tem vivido estes dois últimos anos?
- Aproveito tudo o que tenho para desfrutar ao máximo. A vida de modelo é curta.
- Está consciente desse facto?
- Sim, sei perfeitamente que não é para sempre. Tanto é assim que me salvaguardei com o curso. E não vou ficar por aqui, quero tirar um curso superior, uma licenciatura ou mestrado, nesta área ou noutra de que eu goste. Assim, quando a minha carreira na moda acabar já terei bases, estou preparada.
- Em Portugal, a sua projecção tem acontecido nos últimos tempos, no entanto a verdade é que a Débora trabalha imenso no estrangeiro.
- Sim, sobretudo na Alemanha, Holanda e Rússia.
- Está nos seus planos fazer uma carreira internacional?
- Claro que sim, penso que é o sonho de qualquer modelo.
- E foi difícil a primeira vez em que desfilou numa passerelle?
- Estava com bastante medo mas correu superbem. Devo ter uma estrelinha qualquer, entrei na passerelle e arrasei. Depois daí nunca mais parei.
- Ainda pensa que pode acontecer-lhe qualquer coisa na passerelle: cair, pisar a roupa?
- Já não tenho medo, porque sou segura. Acho que consigo entrar sem medo... Nem vejo ninguém, chego ao fim da passerelle e olho para o abstracto.
- Tem consciência da sua beleza? Como é que lida com isso?
- É claro que tenho consciência, não posso negar. Ouço muitos piropos mas tento ser o mais discreta possível, porque já sei que dou nas vistas o suficiente.
- E com o seu corpo, lida bem quando tem de o mostrar um pouco mais?
- Depende da situação. Num trabalho sério, com pessoas sérias e no devido contexto, não tenho problemas nenhuns em mostrar o meu corpo. Eu trabalho com o meu corpo, é a minha ferramenta.
- Falando agora do plano pessoal, já tem namorado?
- Não, não tenho.
- Acredita, por outro lado, que a pessoa que encontrar saberá lidar com a exposição da Débora?
- Não vou desistir de nada por causa de um namoro.
- Apesar de ser nova, já idealiza casar e ter filhos?
- Vejo-me casada talvez daqui a 30 anos. Não sou pessoa de idealizar uma família mas, se calhar, daqui a algum tempo vou querer o meu cantinho com a pessoa que encontrar para dividir a vida.
- A carreira é a sua grande prioridade mas calculo que já tenha tido namorados. É namoradeira?
- Não sou muito, prefiro relações sérias, não gosto de brincadeiras.
- Mesmo com um percurso curto, tem saudades da sua antiga vida?
- Eu faço as mesmas coisas, a diferença é que sinto falta dos meus amigos e da minha família. Seria bom trazê-los para cá.
- Diz que é muito humilde e honesta. Nestes dois anos, o que mudou em si?
- Na minha personalidade, nada. Continuo a ser a mesma pessoa, a Débora do Alentejo. No entanto, tive de aprender algumas coisas, como saber estar, ter um pouco mais de estofo para estar neste mundo da moda.
- Como recorda a sua infância?
- Fui muito feliz. Era uma criança mimada, não me posso queixar da minha infância. Se há alguém mimado sou eu.
REFLEXO
- O que vê quando se olha ao espelho?
- Vejo uma rapariga bonita, novinha, mas já com atitudes de mulher e responsabilidades de adulta.
- Gosta do que vê?
- Há dias que gosto muito do que vejo e outros que nem me posso olhar ao espelho. Mas acho que isso acontece com toda a gente.
- Alguma vez lhe apeteceu partir o espelho?
- Tantas vezes! Mas confesso que ainda não tive coragem.
- Quem gostaria de ver reflectido no seu espelho?
- Eu, só eu. Porque quereria ver outra pessoa no meu lugar?
- Pessoas de referência?
- A minha família, se não fosse por eles não estaria aqui. Além da minha família, destaco também as pessoas da Face Models, que me tratam como uma filha.
- Momento marcante?
- Sou tão novinha que ainda tenho muitos momentos marcantes para viver. Ainda não chegou esse momento.
- Qualidades e defeitos?
- Nas qualidades, sou honesta, humilde, tento ser o mais justa possível. Quanto aos defeitos, reconheço que sou muito orgulhosa, teimosa, bato o pé.
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