Paris recebe terça-feira o seu 24.º desfile. A estilista Fátima Lopes atinge o topo da Moda. Uma mulher frontal, vencedora, de perseverança absoluta.
Paris recebe terça-feira o seu 24.º desfile. A estilista Fátima Lopes atinge o topo da Moda. Uma mulher frontal, vencedora, de perseverança absoluta. A saber o que pretende, da vida e do seu trabalho.
Correio da Manhã - Ainda te lembras da miúda que há muitos anos apareceu pela primeira vez no Convento do Beato?
Fátima Lopes - Essa miúda já cresceu, está completamente diferente. Foram anos importantes de amadurecimento. Quando apareci tinha uma postura diferente, uma vontade de chocar e de brilhar. Para mim, o importante era ser diferente.
- Marcaste a diferença?
- Tenho a certeza que marquei. Para muitos pela negativa, para outros pela positiva, mas é engraçado que pessoas da moda que me criticavam na altura vêm fazer aquilo que eu fazia há 18 anos .
- Atingiste um estatuto muito grande, foste várias vezes a Paris...
- São 12 anos, vou fazer agora o 24º desfile. Já começa a ser normal, a primeira vez que eu entrei no calendário oficial da Fédération Française de la Couture foi um sonho que nunca pensei que fosse possível realizar. Agora, é a consciência de que não há lugar para falhas, um grande sentido de responsabilidade.
- O Joe Berardo foi o teu grande apoio...
- O Joe é um amigo para a vida, de há vinte e muitos anos, uma pessoa de quem eu gosto muito. Foi muito importante para mim no início de carreira, nunca o escondi e nunca o irei esconder. Quando eu comecei, ele propôs-me sociedade e neste momento quem gere os negócios sou eu.
- E também tiveste algumas desilusões... Continuas a falar com a Orsi e com a Marisa?
- Falo com a Marisa, claro, com a Orsi nunca mais irei falar, é uma pessoa incorrecta, ponto final.
- Já conheces a namorada do Eduardo [ex-marido]?
- Não. Mas porque nunca nos cruzámos. Fui eu que pedi o divórcio e acho normal que ele tenha uma namorada. Continuamos amigos e temos projectos profissionais juntos.
- Por que é que te separaste?
- O amor acabou e quando o amor acaba não faz sentido as pessoas continuarem juntas. Eu acredito no amor, acho que ao longo da vida vamo-nos apaixonando várias vezes e não sou hipócrita, não sou mulher de um homem só a vida toda.
- E... ?
- Olha, está na altura de me apaixonar outra vez (risos).
- Já disseste que não queres ser mãe, é uma opção egoísta?
- Eu acho que seria uma opção egoísta ter um filho para ter uma ama a tomar conta. Portanto, não tive filhos porque não quis.
- Tens medo de ficar só?
- Não. De todo. Porque acho que não sou uma pessoa difícil, sou senhora do meu nariz mas não sou negativa. Acho que não corro esse risco.
"ENTRO NUM NEGÓCIO PARA GANHAR"
- Abriste a discoteca Faces e tiveste problemas, como vês essa situação?
- Há pessoas que se esquecem que vivemos num país democrático e que a concorrência é saudável. A concorrência faz-nos crescer e eu acredito numa cultura de mérito. Todos os dias estamos à prova, todos os dias temos de provar que podemos ser melhores. Mas parece que no Algarve há uns senhores que estavam habituados a estar sozinhos e queriam continuar sozinhos. Tenho muita pena...
- Essas pessoas têm rosto?
- Juntou-se uma associação de discotecas de empresários do Algarve e quem deu mais a cara foi o José Manuel Trigo e um advogado que mentiram deliberadamente em várias situações, porque dizem que eu não tenho licenças, que estou ilegal. No final não conseguiram nada e eu tive trinta dias de casa cheia.
- És uma mulher estimada ou tens sido subestimada?
- Acho que neste país as pessoas não vêem com bons olhos uma mulher com sucesso. Às vezes podem-me tentar desprezar mas não há nada menos inteligente do que isso e as pessoas que o fizeram deram-se mal, porque quando eu entro num negócio é para ganhar.
"É EXCELENTE QUE ME CONSIDEREM SENSUAL"
- És extravagante?
- Por um lado posso dizer que sim, por outro sou muito normal. Detesto vedetas, não tenho paciência. Adoro chegar à Madeira e encontrar os meus amigos de infância.
- Foste madrinha da Luciana Abreu...
- Não fui madrinha da Luciana, fui madrinha do Yannick. Não posso dizer que o conheço muito bem mas sempre gostei dele, é um miúdo muito delicado e simpático.
- Tens uma opinião da Luciana?
- Conheço-a mal. Hoje em dia tenho medo de falar das pessoas; por vezes pensamos que as conhecemos e, afinal, estamos enganadas.
- Foste considerada pelo ‘CM' como a mais sensual...
- Acho graça, porque isso é como as pessoas me vêem. Eu sempre fui muito feminina, agora, a sensualidade ou se tem ou não. E se as pessoas me consideram sensual, é excelente...
PERFIL
Natural da Madeira, Fátima Lopes nasceu a 8 de Março de 1965. Trabalhou no Funchal como guia turística até se mudar para Lisboa, em 1990, ano em que abriu um espaço na Avenida de Roma. Em 1992 tem o seu primeiro desfile. Desde 1999 participa no Salão da Moda de Paris, cidade onde tem uma loja.
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