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Estreia-se na apresentação em ‘Salve-se Quem Puder’ e criou uma grande empatia com Diana Chaves, a quem tece os maiores elogios. Considera-se um excel
Estreia-se na apresentação em ‘Salve-se Quem Puder’ e criou uma grande empatia com Diana Chaves, a quem tece os maiores elogios. Considera-se um excelente pai e diz que 'Equador' serviu para lhe limpar a imagem de humorista e pô-lo à prova. "Queria mostrar às pessoas que sei fazer outras coisas", conta.
- ‘Salve-se Quem Puder’ marca a sua estreia como apresentador. Como é que encara o sucesso do programa?
- As pessoas, normalmente, pensam que já tenho experiência em apresentação e não tenho. No ‘Levanta-te e Ri’ (SIC) era apenas o anfitrião, portanto não tem nada a ver com isto. O programa está a correr muito bem. Eu e a Diana fizemos ‘clic’ logo à partida. Tenho uma relação fantástica com ela.
- Como é que descreve a sua colega?
- A Diana é uma grande pessoa. É muito humilde, trabalhadora e, de facto, uma grande profissional.
- O Marco brinca muito com ela...
- Sim, ela tem um grande poder de encaixe. Conhece-me muito bem e sabe que aquilo que lhe digo é na brincadeira. Nunca nos zangámos por causa disso. Também sei os meus limites, como ela sabe, igualmente, os meus.
- Existe uma grande empatia entre ambos.
- É verdade. Quando se trabalha assim com uma pessoa que tem esta generosidade é muito fácil fazer televisão. Vou dizer isto pela primeira vez: se eu continuar a trabalhar na SIC, dificilmente irei fazer dupla com outra mulher que não seja a Diana Chaves. Faço questão de que seja assim, até porque, como actor, o à-vontade que sinto ao lado dela deixa-me mais descansado e posso ser eu próprio.
- A Diana não leva a mal as brincadeiras que envolvem o nome do namorado, César Peixoto?
- Não. Nunca aconteceu, e se acontecesse teria todo o direito de o dizer; mas não, nunca o fez. Posso dar-me ao luxo de ser a única pessoa a poder brincar com isso. Ela sabe que a respeito. As pessoas podem não ter a noção mas eles têm uma relação fortíssima. É amor verdadeiro, e como sei que é assim e respeito a relação ela sabe que é a brincar.
- Fora do ‘plateau’ costuma conviver com o casal?
- Sim. O César [Peixoto] de vez em quando vem cá ao estúdio e nós damo-nos muito bem. Ele é um jovem bastante simpático e afável...
- O César Peixoto está no rival Benfica. Isso é mesmo um ‘defeito’ para si, que é do Sporting?
- Ninguém é perfeito. Mas, em contrapartida, a Diana é sportinguista. Ela não podia querer que ele fosse para o Sporting, isso era mesmo perfeito de mais, e era uma relação muito serena.
- Em termos de carreira, o que representa para si o programa ‘Salve-se Quem Puder?’
- Não sei. Não mepreocupo com isso.
- O sucesso do programa não se reflecte nos seus espectáculos?
- Acho que sim. Posso dizer que, a nível do ‘Rouxinol Faduncho’, nos últimos espectáculos que tenho feito pelo País as pessoas demonstram-no, aparecendo para assistir. Recordo-me de que numa localidade perto de Viseu tive 20 mil espectadores e em Setúbal 17 500. O que é significativo.
- A televisão deu outra projecção ao ‘Rouxinol Faduncho’?
- A média dos espectáculos era de três a quatro mil pessoas, agora com este programa, e com o público mais jovem a vê-lo – o formato agrada a muita gente nova –, tenho, de facto, mais público, porque as pessoas estão curiosas para ver o Marco Horácio.
- Com as gravações do programa e o espectáculo, o Marco Horácio farta-se de trabalhar...
- Venho de uma jornada de seis espectáculos seguidos em que dormi apenas uma média de três horas depois de cada um deles. Viajei de Viseu ao Algarve, de cima para baixo e de baixo para cima. Além do mais, lesionado por causa de um pontapé-de-bicicleta que dei no programa. Armei-me em parvo, e foi nisto que deu. E, agora, estou aqui a fazer o programa com a maior alegria, como as pessoas podem ver depois lá em casa.
- Quando foi convidado para fazer este programa o que lhe passou mesmo pela cabeça?
- Não sou apresentador, tenho muito respeito pelos que o são. Não sou o apresentador típico que se costuma ver em televisão. As palavras mágicas para eu aceitar este projecto vieram da Fremantle, a produtora do formato, e de Nuno Santos, director de programas da SIC. Disseram-me então: 'Tens carta-branca para fazeres o que quiseres.'
- Já conhecia o formato?
- Tinha visto o formato japonês, o australiano, o argentino, mas não me deixei influenciar muito, porque acho que temos de marcar a nossa forma de o fazer. O nosso público é diferente do dos outros países. Temos de o adaptar à realidade portuguesa.
- O Marco está constantemente a brincar e a dizer piadas. É sempre assim?
- Não sou assim 24 horas. Se fosse era insuportável. Esta é a ‘receita’ que arranjei para eu e a Diana sermos um atractivo a mais para o programa. Os jogos são sempre iguais, as paredes também... Passado um mês as pessoas já sabem o que se espera. O que é giro é a relação que conseguimos criar com o público.
- Vem de um outro projecto que foi um grande êxito, a série ‘Equador’, da TVI. Como foi essa experiência como actor?
- As pessoas não sabem mas eu tenho o curso do Conservatório Nacional e logo no primeiro ano fiz muitos papéis sérios como ‘As Bruxas de Salem’, peças de Tennessee Williams.
- É amigo de Filipe Duarte, que era o protagonista da série.
- O Filipe era da turma antes da minha, eu estava um ano à frente. O Filipe, para mim, é um dos melhores actores da minha geração, e como pessoa, então, é superior. Fizemos de amigos, e o curioso é que muito daquela relação é muito da que nós temos. Somos como irmãos.
- Já tinha trabalhado com o seu amigo?
- Nunca trabalhámos juntos – mas havia essa vontade há muito tempo e aconteceu agora. Não podia ter sido num projecto melhor do que este.
- O que representou para si ‘Equador’?
- ‘Equador’ deu para limpar a minha imagem de humorista, a alma, e também pôr-me à prova... Queria saber se já tinha esquecido o que tinha aprendido no Conservatório. Queria mostrar às pessoas que sabia fazer outras coisas.
- E conseguiu-o?
- Fiquei muito satisfeito com o sucesso de ‘Equador’, por uma razão muito simples: é sinal de que se pode fazer boa ficção, com bons actores, bons textos, bons guarda--roupa, e ter audiências com um milhão e quatrocentas mil pessoas a assistir. O grande ‘culpado’ disto tudo é o José Eduardo Moniz [ex-director-geral da TVI], porque este era um sonho dele e foi possível concretizá-lo. O curioso é que a maioria das pessoas diziam que o público nunca iria aderir a uma série de época porque estava habituado a novelas, que é uma coisa mais ‘light’. Provámos o contrário. É possível apostar e investir na qualidade.
- Deu-lhe gozo representar a personagem do ‘João Forjaz’?
- Foi muito bom. É a tal coisa de fazer de conta que somos arrogantes e que temos muito dinheiro. É um bocado como as crianças, e com aquela personagem eu posso brincar. Obrigou-me a corrigir a postura, e isso é uma das coisas que me preocupavam bastante na altura, porque os cavalheiros da época eram todos altivos.
- Nessa mesma fase, o Marco Horácio teve de fazer muita ginástica para encaixar as gravações da série com os espectáculos de ‘Rouxinol Faduncho’ que já tinha agendados?
- Andei cá e lá. No Brasil, gravei cenas em Cachoeira, nos arredores de Salvador [estado da Bahia], e em Valença, a cerca de 100 quilómetros do Rio de Janeiro. Mas quando aceitei o papel já foi nessas condições de ir e vir sempre que fosse necessário. Tinha espectáculos do ‘Rouxinol Faduncho’ agendados cá em Portugal e gosto sempre de cumprir os contratos.
- O público já viu a sua faceta de actor em, por exemplo, ‘Câmara Café’ e também ‘Pensão Estrela’ mas na vertente de comédia.
- Sim, mas o papel de ‘João Forjaz’, em ‘Equador’, era diferente, e foi duplamente difícil porque era mais denso, a personagem mais séria, e ainda por cima de época. Ou seja, todos os maneirismos são diferentes dos de hoje. Era uma época de maior leveza e muito luxo. É tudo diferente.
- Quando saiu do Conservatório vinha já com o rótulo de actor de comédia?
- Sim, e depois fiz ‘Levanta-te e Ri’. Por isso, interpretar o ‘João Forjaz’, de ‘Equador’ deu-me muito gozo. Exigiu, do meu lado, uma concentração muito maior. Tivemos aulas de postura e etiqueta com a Glória de Matos, que foi minha professora no Conservatório. Também tive lições de equitação, para poder andar a cavalo. São aprendizagens que vão ficar para sempre... Foi um desafio muito grande.
- O Marco diz que o nascimento do seu filho, Guilherme, foi um dos momentos mais marcantes da sua vida e define-se como um excelente pai. Porquê?
- Acho que o meu maior talento é mesmo ser pai. Passo todo o tempo livre que tenho com o Guilherme, que tem agora três anos. Não abdico da presença dele. Levo-o ao infantário, vou buscá-lo, depois faço programas com ele. Já fomos várias vezes ao teatro, ao Oceanário, ao Jardim Zoológico...
- Tem, efectivamente, uma boa relação com a sua ex-mulher?
- Quer eu como a mãe tentamos que o Guilherme tenha a maior informação possível do mundo que o rodeia. Queremos que ele tenha a sua opção de escolha e tenha material humano e social para poder ser o melhor homem possível quando crescer. Adoro ser pai, apesar de estar separado. Quando está comigo nunca pede para ir para a mãe, e vice-versa. Tenho uma relação fortíssima com ele.
- O Marco e a Filipa partilham a custódia do vosso filho?
- Acho que é assim que deve ser. Falo com o meu filho todos os dias. Se não o fizer o dia não me corre bem. Estou de 15 em 15 dias com ele mas é de sexta a segunda, e mais um dia ou dois dias por semana. Sempre que posso estou com ele. Há muitas coisas em que eu e a Filipa não estamos de acordo mas nisto estamos de acordo. A felicidade do Guilherme é mais importante. Não usamos o nosso filho um contra o outro, porque isso só seria mau para ele. Ele é felicíssimo, divertido, já tem uma costela de palhaço – o que me preocupa, porque gostava que ele fosse médico. Mas será o quiser ser. O importante é que seja feliz.
REFLEXO
- O que vê quando se olha ao espelho?
- Tenho a noção de que me vejo como realmente sou. Bastante inseguro... Tenho medo de olhar e de me sentir seguro, bonito, confiante, porque temo que isso se reflicta no meu trabalho.
- Gosta do que vê?
- Às vezes...
- Alguma vez lhe apeteceu partir o espelho?
- Muitas vezes. Mas não cheguei a partir nenhum.
- Quem gostaria de ver reflectido no espelho?
- A minha imagem. Cada pessoa é como é. Temos de gostar de nós como somos, e é isso que é importante.
- Pessoa de referência?
- Raul Solnado, que, infelizmente, já não está entre nós, e também António Feio e José Raposo. São as minhas maiores referências como actores e seres humanos.
- Momento marcante?
- O mais marcante de todos foi o nascimento do meu filho, a 19 de Julho de 2007. Mas também tenho a minha estreia no teatro, em 1994, com a peça ‘Não Há Nada que Se Coma’, na Barraca, e no ‘Levanta-te e Ri’, em 2003, que marcou uma viragem na minha carreira e na minha vida.
- Qualidades e defeitos?
- Sou exigente, profissional, bom ouvinte e trabalhador. O maior defeito é a teimosia e a sinceridade. Sou impulsivo, digo o que acho, como os malucos, às vezes. Sou, ainda hoje, um bocado ingénuo.
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