O tribunal não lhe quis dar razão no processo de paternidade que moveu contra o empresário do Porto Fernando Pinho Teixeira.
O tribunal não lhe quis dar razão no processo de paternidade que moveu contra o empresário do Porto Fernando Pinho Teixeira. A actriz, de 29 anos, não se conforma com a decisão e promete continuar a lutar em busca da vida perdida
- Estava à espera que a decisão do tribunal não lhe fosse favorável no processo de paternidade que moveu contra o seu alegado pai [o empresário Fernando Pinho Teixeira]?
- Esperava que depois de tantos anos de luta se fizesse justiça, o que não aconteceu.
- O seu advogado diz que esta decisão foi estranha porque não teve em consideração o facto de o empresário ter faltado a cinco testes de paternidade. Sente-se revoltada com a justiça?
- Claro que sim. Como é possível um homem há 29 anos admitir em tribunal que teve uma relação com a minha mãe e o processo ter ficado arquivado? Agora esse mesmo homem é levado a tribunal, falta cinco vezes aos testes de ADN que lhe são pedidos e, ainda por cima, ganha o caso. Eu pergunto que justiça é a nossa. Só posso concluir que o poder dos mais fortes continuará sempre a ter influência no nosso país. E os corruptos estão cada vez mais encobertos.
- O que quer dizer com isso? Considera que este julgamento foi viciado?
- Isso é o que eu quero saber...
- O que espera do recurso que vai agora apresentar?
- Que agora o senhor comendador prove que não é meu pai.
- Em que é que se vai basear esse seu recurso?
- Vai basear-se no facto de o juiz ter ignorado a recusa do senhor Fernando aos testes e também ter ignorado o depoimento de uma mulher que durante 29 anos afirma que o senhor Fernando é o meu pai.
- Até onde está disposta a levar este mesmo caso?
- Até onde for preciso.
- Há quem a acuse de apenas estar interessada em provar a paternidade do seu alegado pai porque a pessoa em causa se trata de um empresário rico e poderoso.
- Cada qual tem a sua opinião e eu felizmente guio-me sempre pela minha, sempre estive interessada no reconhecimento e carinho do meu pai, mas a Marina que hoje vêem já não é a mesma Marina de há muitos anos. Agora que vejo o que o meu pai é capaz de fazer, quero não só o reconhecimento como tudo o que tenho direito. E estas regras foi ele que as ditou.
- Em tribunal, a defesa do seu alegado pai tentou descredibilizar a sua mãe, dizendo que naquele período ela teve outros homens. Há alguma possibilidade de o comendador Fernando Pinho Teixeira não ser seu pai?
- O comendador é o meu pai. Se há coisa que sempre soube desde que nasci e que a minha mãe com muita convicção sempre me disse é que ele é o meu pai. Agora pergunto: se não é o meu pai, porque não faz ele o teste? Porque faltou ele cinco vezes?
- Quando é que a sua mãe lhe contou quem era o seu pai?
- Desde que nasci que sei que ele é o meu pai. Eu sempre soube quem era o meu pai e passei a minha infância toda a pensar nele e à espera de que um dia ele me encontrasse e me fosse buscar para junto dele.
- Como foi a sua infância?
- Eu sofri muito em criança porque a minha mãe não tinha possibilidades de me criar e entregou-me a um casal. Mas esse casal tinha poucas condições para educar uma criança porque sofria sérios problemas com o álcool. O tempo de escola foi o mais difícil, porque vivia numa terra pequena e todos sabiam que eu não conhecia o meu pai. Era criada por esse casal, sentia-me muitas vezes triste e sozinha por ver os pais das outras crianças a irem buscá-las à escola e eu a ter que ir sozinha para casa. Mesmo assim, o que me manteve viva foi a esperança de que um dia o meu pai aparecesse e nunca mais me deixasse sozinha e desprotegida, mas tal não aconteceu.
- Como foi essa fase da sua vida em que viveu com esse casal e até quando é que isso durou?
- Estive a viver com esse casal até aos meus 15 anos. Foi difícil. Eu, no fundo, criei-me sozinha... Eles tinham muitos problemas, não podia muito contar com eles. Eu costumo dizer que os meus princípios foram criados por mim e não porque alguém mos tenha ensinado.
- Quanto tempo é que esteve longe da sua mãe?
- Estive 15 anos afastada dela.
- O que sente neste momento pelo seu alegado pai?
- Essa resposta reservo-a para mim.
- Porque é que só procurou o comendador Fernando Pinho Teixeira pela primeira vez aos 18 anos?
- Cresci com um grande objectivo na minha vida, objectivo esse que me manteve viva, com força e determinação... E esse objectivo era o de, caso o meu pai não me procurasse, ser eu a procurá--lo! Então quis procurá-lo só quando tivesse um bom trabalho, tivesse boas condições de vida, para que depois de lhe contar tudo o que me tinha acontecido na vida, todo o sofrimento, ele tivesse orgulho em mim. E foi assim que consegui tirar o meu curso [Marketing e Publicidade] e quis entrar para a televisão. Consegui o meu primeiro trabalho na RTP. Estive dois anos a trabalhar como relações públicas, e foi nesta altura que achei que era o momento de o procurar. Sentia que naquela altura já era alguém na vida...
- Qual foi a reacção dele? Ele já tinha sido informado que teria uma filha?
- A reacção dele foi péssima. É claro que sabia que tinha uma filha. A minha mãe, quando engravidou, comunicou-lhe e também o levou a tribunal para reconhecer-me como filha. Mas o processo acabou arquivado.
- O que é que na ocasião levou ao arquivamento do processo?
- Falta de provas. Nessa altura ainda não se fazia os testes de ADN! Isto foi o que me foi informado.
- Nos últimos dez anos, alguma vez o comendador Fernando Pinho Teixeira ou alguém ligado a ele a procurou no sentido de conseguir algum acordo?
- Sim.
- Que tipo de acordo?
- Não respondo a essa pergunta.
- Alguma vez foi ameaçada?
- Não propriamente. O que aconteceu foi que, aos 18 anos, logo depois do primeiro contacto que fiz com o meu pai, recebi um telefonema de uma mulher que não se identificou a pedir para eu deixar a família em paz.
- Quando e em que circunstâncias é que a sua mãe conheceu o comendador Fernando Pinho Teixeira?
- A minha mãe era amiga da namorada de um amigo do meu pai e foi esse amigo que os apresentou.
- O que fazia a sua mãe na altura?
- Trabalhava num cabeleireiro.
- Quanto tempo durou a relação entre ela e Fernando Pinho Teixeira?
- Durou alguns meses, e terminou porque ela lhe disse que estava grávida. Ele teve medo, porque tinha família.
- Alguma vez, após o fim da relação, a sua mãe tentou uma aproximação ao seu alegado pai?
- Não. A única coisa que a minha mãe fez foi levar o caso a tribunal e nunca mais o procurou entretanto.
- O irmão de Fernando Pinho Teixeira também teve uma filha, que abandonou na mesma altura. A sua prima procurou-a recentemente. Como foi esse encontro?
- Eu fiquei muito surpreendida por haver alguém da família da parte do meu pai que me quisesse conhecer. Fiquei surpreendida com as semelhanças entre o meu caso e o dela. Eu fui abandonada pelo meu pai, Fernando Pinho Teixeira, e ela pelo dela, Manuel Pinho Teixeira. Temos a mesma idade e até somos parecidas fisicamente. A única diferença entre nós é que ela conseguiu o reconhecimento.
- Como é que ela o conseguiu?
- Ela arranjou uma série de testemunhas que confirmaram que a mãe dela tinha tido um caso com o Manuel Pinho Teixeira. E o juiz aceitou as provas.
- Que idade é que ela tinha?
- Tinha cinco anos e, curiosamente, conseguiu o reconhecimento numa altura em que ainda não se fazia os testes de ADN, o que torna o meu caso ainda mais inacreditável.
- Mas a sua prima mantém o contacto com o pai?
- Não. Ela foi apenas perfilhada mas, na verdade, nunca conheceu o pai. Nunca privou com ele porque entretanto ele fugiu para França. Esta é, aliás, outra diferença entre nós: o pai dela fugiu e o meu abafou o caso.
- O que pensa ela da sua situação?
- Acredita que eu estou a ser vítima de uma grande injustiça.
- Como é que a sua mãe está a viver todo este caso tantos anos depois?
- A minha mãe não tem esperança alguma. Ela diz que é difícil ganhar este caso porque o dinheiro compra quase tudo.
- Acha que este mesmo caso poderá ter algum efeito nocivo na sua carreira televisiva?
- Claro que não acho. Sou apoiada pela SIC. Felizmente, trabalho com profissionais que não misturam as coisas.
REFLEXO
- O que vê quando se olha ao espelho?
- Uma mulher determinada e com orgulho dela própria.
- Gosta do que vê?
- Gosto, desde muito cedo que aprendi a gostar de mim e a dar-me valor.
- Alguma vez lhe apeteceu partir o espelho?
- Nunca. Não gosto de agressividade, e há quem diga que partir espelhos dá azar.
- Quem é que gostaria de ver reflectido no espelho?
- O meu destino. Saber se um dia serei tão feliz como sempre desejei ser. Até acredito que sim. Tenho a profissão de que gosto e tenho um namorado maravilhoso com quem quero e vou, com certeza, partilhar a minha vida.
- Pessoa de referência?
- A minha agente, Sol. É uma mulher lutadora, digna, com muita experiência de vida e com muita fé. É muito amiga do seu amigo.
- Momento marcante?
- O dia em que estive com o meu pai pela primeira vez. Nesse momento concretizei um sonho e um objectivo de muitos anos.
- Qualidade e defeito?
- Sou humilde e muito justa comigo e com os outros. Como defeito, aponto a teimosa. Quando quero uma coisa sou muito persistente.
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