page view

Pedro Miguel Ramos: “Vou vender a marca Amo-te”

O empresário quer fazer crescer a marca que criou há nove anos, abrindo-a a investimentos externos. Realizado, completa a sua felicidade com a família

28 de agosto de 2010 às 10:30

O empresário quer fazer crescer a marca que criou há nove anos, abrindo-a a investimentos externos. Realizado, completa a sua felicidade com a família, que no futuro poderá crescer.

- Estamos a atravessar uma crise económica. Como é que lhe correm os negócios?

- A minha última aposta, que é o Amo-te Meco, tem sido um sucesso. Estar aqui demonstra alguma coragem, sobretudo numa plataforma com estes custos, esta dinâmica. O Amo-te Meco é um projecto vencedor e feliz e tem contagiado as outras unidades. A nossa aposta é no valor de marca, no merchandising, nos produtos que temos lançado, como os vinhos e as compotas, e, também, na valorização de cada uma das unidades. Sempre fomos uma marca com os pés bem assentes no chão, com uma forte gestão, atenta dia após dia. O grande objectivo no futuro é valorizar mais a marca por forma a abri-la a capitais externos. O que eu pretendo, e nunca o escondi, é vender a marca Amo-te. Tinha um projecto a dez anos, doze anos. Estou a cumprir o nono ano.

- É uma marca à qual se tem dedicado muito. Porque é que a quer vender?

- Com a entrada de capitais externos poderá crescer muito mais. Como costumo dizer entre amigos, criei um pequeno monstro e tenho de o alimentar todos os dias.

- E abandonará o projecto?

- Posso abandonar ou não, tudo depende do negócio. A ideia era entrar na área onde acho que sou mais útil à marca, que é ‘new business', a criação, e eu, neste momento, estou preso a tudo. A vantagem de a vender é ela poder entrar no mundo da hotelaria e poder ser um hotel ou um conjunto deles e internacionalizar-se.

- São passos ambiciosos.

- Sim, mas sem ambição não crescemos. Comigo ela vai ter mais valorização, originalidade.

- Esse passo poderá estar para breve?

- Quando a criei, em 2001, tracei o objectivo de a fazer crescer num projecto a dez anos. Estou a alargá-lo a 12. Para o ano, vamos celebrar o 10º aniversário e, portanto, vamos fazer um conjunto de acções que vão pôr a marca muito presente e junto das pessoas.

- Até lá, a que é que se propõe?

- Quero continuar a desenvolver o trabalho que tenho feito, aproveitar as oportunidades. Temos um projecto que se adapta a um hotel, motel, aparthotel ou turismo rural.

- Quando vender a marca Amo-te, quer criar outra?

- Se o contrato me permitir isso, sim. Gosto de criar marcas. Tenho várias ideias e várias áreas de negócio além da restauração e tenho quase a certeza de que isso vai acontecer no futuro.

- Passou grande parte do seu Verão no Meco?

- Sim, decidi apostar a sério na aldeia. Encontrei este espaço, que é magnífico. Há aqui dois momentos, o restaurante [Amo-te Meco] e o First Love, que é um bar. Usamos esta plataforma desde as 10h00 até às 04h00.

- Com que frequência está no Meco?

- Todos os dias tento estar em todos os meus espaços.

- Teve férias?

- Fiz algumas escapadelas fugazes de dois, três dias, mas faz parte. Já conheço as regras do jogo, fui eu que as criei, tenho de saber lidar com elas. Tenho esta escola profissional, sou disciplinado, às vezes até doentio. Tenho o tempo contado. Como costumo dizer, olhando para uma peça de carne, limpo as gordurinhas todas. Cada vez tenho menos tempo para conversa mole. Sei bem o que quero. Sou bem resolvido, sei como hei-de ocupar o meu dia. Giro bem o meu tempo e isso é o meu segredo para estar nos sítios em que devemos estar.

- Essa atitude empreendedora rouba tempo à família?

- Rouba sempre tempo à família. Qualquer pai gostaria de estar mais tempo com os seus filhos, qualquer marido gostaria de estar mais tempo com a sua mulher e qualquer chefe de família gostaria de estar mais tempo com todos. Eu não fujo à regra. Gostava de estar mais tempo com eles, mas, infelizmente, isso não é possível. Estou o tempo certo e quando estou, é mesmo.

- Que programas costumam fazer em família?

- O último foi ir ao cinema com o Santiago e com a Laura, com pizas pelo meio, um programa que os miúdos adoram. Também damos umas escapadelas à praia, fazemos algumas visitas didácticas... Tenho-me divertido muito com eles. Por norma, a segunda-feira é o meu domingo, passo o tempo inteiro com eles.

- Apesar de tudo é um pai presente?

- Sim, sem dúvida. Eles acordam comigo, tomamos o pequeno-almoço juntos. Há dias complicados, mas a mãe tem coberto essa lacuna. Os últimos três anos viveu-os dedicando 24 horas por dia aos filhos. Não se podem queixar de falta de acompanhamento.

- E a Fernanda queixa-se de falta de tempo?

- Quando nos conhecemos, a Fernanda tinha noção de como era o meu dia-a-dia e eu também sabia que ela era actriz.

- Agora que a Fernanda retomou as gravações vai estar mais tempos com as crianças?

- É verdade. Já tenho a operação matinal, que não tinha.

- Como é que caracteriza cada um dos seus filhos?

- Vou começar pela Laura, que é a mais fácil: é uma peste como a mãe. O Santiago é um doce, como o pai. E a Maria Luísa é um misto dos dois.

- As duas meninas não herdaram nada do pai?

- Todos os miúdos têm a sua própria personalidade. O que é importante é nos primeiros anos, quando se trata o ADN de cada criança, os pais estabelecerem padrões de educação que vão ser essenciais para o seu crescimento. Tento passar-lhes o que os meus pais passaram, adaptado aos dias de hoje. Ensino-lhes as dificuldades e também lhes transmito o lado bom.

- Disse, há uns tempos, que gostaria de adoptar uma criança. Mantém essa ideia?

- Disse isso num contexto. Na prática, nunca fui muito apologista da adopção. A Fernanda é que já falou nisso. Se cada família contribuir para a natalidade portuguesa da mesma maneira que nós já contribuímos, Portugal vai ter um boom nos próximos anos e vamos ser muito mais do que dez milhões. Três filhos, para já, chega. A Fernanda que faça agora um intervalo e me chame dentro de uns anos.

- Não é um plano a curto prazo, portanto...

- Na actual conjuntura não é fácil ser pai ou mãe. A criação de um filho requer muita coisa. Para já, temos a conta certa, o que vai acontecer amanhã não sei. Não fecho portas a nada.

- A Fernanda disse recentemente que tem o casamento com que sempre sonhou. E o Pedro?

- Ainda bem que ela disse isso. Eu digo o mesmo, claro. Isso nota-se, mas o mais importante é o que as pessoas sentem, a atmosfera que têm no dia-a-dia. Estamos os dois muito bem resolvidos, sabemos o que fazemos e do que gostamos. Eu sou mais contido nesse tipo de discurso, deixo esse pelouro para ela.

- A doença da Fernanda serviu para fortalecer a vossa relação?

- As dificuldades fazem parte da vida. Temos de saber lidar com elas. Nestes seis anos em que estive com a Fernanda houve momentos muito dolorosos, de perda, doença, que nos fizeram estar mais próximos ainda, se é que é possível. Mas nós temos a vantagem de ser duas pessoas muito positivas. A Fernanda, principalmente, gosta muito de viver, e eu sigo o exemplo dela. Quando estamos juntos olhamos sempre para o lado bom e nunca perdemos muito tempo com as coisas mais chatas, mais negras.

- Durante os piores momentos chegou a pensar: "Porquê à minha família"?

- Nunca me pronunciei sobre isso e não faço questão de o fazer. O que interessa é que a Fernanda seguiu o seu caminho e superou o que tinha a superar de uma forma exemplar. Isso é o que há a reter.

- Essa forma positiva com que encararam a doença fez com que os vossos filhos não se apercebessem de nada?

- Sim. Nós fizemos uma festa com tudo. Quando a Fernanda cortou o cabelo, o Santiago também cortou. A Fernanda lidou com a situação da melhor forma e nós estivemos lá a ajudar.

- Mudando de assunto: tem novos projectos em televisão?

- Tive uma conversa com o meu director, Nuno Santos [director de programas da SIC], e, à partida, em Janeiro, deverei ter novidades. Tem sido assim, faço um projecto, depois fico seis, sete meses sem fazer nada, depois regresso noutro formato. Em Portugal, quem não tem um programa diário, é complicado. Felizmente que desde 2001 percebi que não queria estar nas mãos da televisão, queria seguir o meu caminho, mandar em mim próprio, decidir quando é que queria trabalhar ou não. Felizmente que desde cedo giro os meus próprios negócios paralelamente à televisão. Em Portugal, as pessoas não estão habituadas a imaginar um profissional em mais do que uma área. É natural que quando pensem num apresentador não pensem em mim, mas nos que estão nos corredores da estação de televisão. Mas espero voltar num projecto que me alimente e que me transmita mais conhecimento.

- Já idealizou esse formato?

- Tenho a escola do improviso, dos programas ao vivo, com muita gente à volta e, por tanto, é o formato que mais gosto. Não gosto daqueles em que tenho o discurso escrito no teleponto e tenho que dizer as vírgulas inclusive. Mas adapto-me muito bem, estou disponível.

- À margem da área empresarial e da televisão, gostaria de apostar noutra área?

- Gosto muito da área da comunicação e tenho uma empresa que é a Brandrouge e o meu objectivo no futuro poderá passar por aí, depois da venda da marca. Gosto da carreira de marketeer, por exemplo.

- Como é que se imagina daqui a 10 anos?

- Mais perto da praia, a dominar mais o longboard, a viajar mês sim, mês não, com filhos e sem filhos, a desfrutar o lado bom da vida. Chega uma altura da nossa vida em que é necessário saborear. Espero que as minhas duas filhas ainda não namorem, que o Santiago já namore. Até lá tenho que trabalhar muito para depois desfrutar.

- Como é que se descreve?

- Sou uma pessoa muito informal, não tenho mudado muito com o passar do tempo. Sou de fácil trato, muito acessível, que gosta dos seus amigos. Sou muito metódico, atento, disciplinado, gosto muito de aprender, gosto de traduzir, não gosto de mensagens fáceis, sou um lutador, habituado a não ter nada de mão beijada.

- E em termos mais pessoais, como é em casa, por exemplo?

- Sou normal, uma paz de alma. Sou muito arrumado.

- Quais são os seus hobbies?

- Tenho pouco tempo livre, mas quando tenho estou com os meus filhos, gosto muito de música, escrevo e passo muito tempo na internet a captar novas tendências.

INTIMIDADES

- Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?

- Por uma razão profissional, por ser um estratega, uma pessoa com um passado bem delineado, pelo seu perfil, carácter, ousadia, gostaria de jantar com o José Mourinho. Iria aprender muito com ele, e se ele pudesse aprender algo comigo seria o ideal.

- Não consigo resistir a...

- ... uma boa sobremesa e a um prato bem confeccionado.

- Se pudesse, o que mudava em si, no corpo e no feitio?

- No corpo, definia mais os abdominais. No feitio, seria mais sociável.

- Sinto-me melhor quando...

- ... corro entre as 07h30 e as 08h30 na praia. Gosto muito de desporto. Joguei hóquei em patins durante quase 20 anos.

- O que não suporta no sexo oposto?

- As idas a duas à casa de banho.

- Qual é o seu pequeno crime diário?

- Varia entre um croissant com manteiga e queijo e um pastel de nata.

- O que seria capaz de fazer por amor?

- Tudo.

- Complete. A minha vida é...

- ... muito feliz.

PERFIL

Pedro Miguel Ramos tem 39 anos e é casado com a actriz Fernanda Serrano, com quem tem três filhos. Apresentou programas como ‘Reis da Música Nacional', ‘Big Brother', ‘Tá a Gravar' e ‘XXS'. Há nove anos criou a marca Amo-te.

Mais fotografias em FOTOS

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8