A história da mítica banda 'Doce' vai ser recriada no filme ‘Bem Bom’, com estreia prevista para o verão. E as polémicas que marcaram o grupo voltam a vir à tona
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Os anos 80 não passavam despercebidas onde quer que fossem e nas sessões de autógrafos havia fãs em lágrimas, a fazer fila na esperança de as abraçar. As Doce, que marcaram uma geração, estão de volta através do filme ‘Bem Bom’ – com estreia prevista para o próximo verão –, que recorda não só os bons momentos como as polémicas que marcaram o grupo feminino.
"Há 40 anos, quatro mulheres a lutarem por um lugar na música não era uma coisa nada vulgar", começa por contar uma das integrantes da banda, Fátima Padinha, acrescentando que, no início, a loucura era tanta que precisavam de ir escoltadas pela polícia para o palco para evitar o assédio das fãs.
Com a vida escrutinada na época, as Doce estavam debaixo de todas as atenções e ninguém esquece um dos episódios mais marcantes, que ainda hoje é falado. Na altura em que a banda estava no apogeu, começa a surgir o rumor de que Laura Diogo, do grupo, tinha sido assistida no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, depois de ter feito sexo anal com o futebolista Reinaldo, que na época era jogador do Benfica. De acordo com Padinha, o rumor nasceu em duas discotecas de Lisboa e ganhou de tal maneira força que durante mais de um ano não se falava de outra coisa.
"Lembro-me perfeitamente que estávamos em digressão nos Estados Unidos quando o caso estoirou. Na altura, a Laura até teve de pedir aos advogados para se dirigirem a Santa Maria e firmarem um documento em que se comprovava que não tinha lá estado na data referida. Foi avassalador", começa por contar, acrescentando que a partir daí a vida das Doce nunca mais foi a mesma.
"Em todos os espetáculos, chamavam pelo Reinaldo, brincavam e o assunto era falado. Havia imensas anedotas em torno do assunto e até brincavam a dizer que a música que tínhamos na altura, ‘Dói Dói’, tinha sido escrita a pensar nesse episódio. Foi uma coisa assustadora que ganhou uma grande dimensão."
Apesar dos comentários constantes e das manchetes de jornais na época, Fátima Padinha nunca duvidou da colega Laura Diogo, que sempre afirmou que se tratava de uma enorme mentira. "Não tenho dúvidas de que isso foi um boato puro e duro. O mais ridículo é que a Laura e o Reinaldo nem sequer se conheciam, nunca trocaram uma palavra. Nós na altura estávamos sempre entre concertos e a Laura tentou desvalorizar a situação, mas para o Reinaldo foi muito difícil. Ele tinha uma carreira em ascensão e este boato destruiu-lhe a vida, trouxe-lhe problemas com a mulher. Até teve de mudar as filhas de escola."
Fátima Padinha conta que, devido ao rumor, que correu o País, a banda chegou a passar por situações mais delicadas, como aconteceu num espetáculo em Famalicão. "Houve um dia em que íamos cantar a Famalicão, onde vivia grande parte da família do Reinaldo, ou da mulher dele, e o momento previa-se muito tenso. Então, o nosso manager teve de falar para o público antes do espetáculo. Disse: ‘Se eu ouvir algum comentário negativo, alguma coisa relativa àquele assunto, elas param o concerto e abandonam o palco’. E a verdade é que depois tudo correu de acordo com a normalidade."
Agora, o polémico rumor promete ser retratado no cinema, num momento que está a gerar apreensão entre os protagonistas. Reinaldo, que vive atualmente no Luxemburgo, nem quer ouvir falar no assunto e diz que ainda hoje sofre ao reviver os momentos que lhe mudaram por completo a vida.
Já Laura Diogo, que vive atualmente nos Estados Unidos, já esteve em Lisboa para acompanhar os trabalhos do filme e terá tido uma palavra a dizer sobre este assunto.
Certo é que este é um regresso marcante para todas as integrantes da banda, que viveram os anos de ouro das Doce com muita emoção.
"Foram tempos espetaculares, uma verdadeira loucura. Não queria voltar lá, mas guardo-os com muito carinho. Marcámos uma geração", conclui Fátima Padinha.
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