A cantora passou por Portugal (Festival Delta Tejo) e falou à Vidas sobre a vida, a obra, o sucesso e o DVD que acaba de lançar
Depois de oito anos de carreira, de um milhão de discos vendidos e de um Grammy, o que é que ainda existe daquela menina que aos 17 anos deixou a cidade de Alto Garças, no interior do Brasil?
(risos) Ainda existe muito, mas tenho de confessar que preciso de algum esforço para conseguir entrar em contacto com essa menina (risos).
O que é que mudou então?
Hoje protejo-me muito mais, e por isso também faço por estar mais tempo sozinha. É preciso não confiar em toda a gente que nos rodeia.
Um artista tem de viver, por natureza, de pé atrás com os outros?
Não, mas precisamos de ter uma sensibilidade aguçada. Eu, por exemplo, tenho uma necessidade muito grande de estar atenta à minha intuição. Por outro lado, preciso muito de estar em contacto com os outros. Eu não sou apenas intérprete, também componho, e por isso ‘alimento--me’ muito das outras pessoas. Na verdade, eu não tenho muito que aprender comigo (risos). Estamos a fazer esta entrevista num quarto de hotel. Vou escrever sobre o quê? Sobre a poltrona de veludo? (risos) Não dá! Por isso, tenho que sair e sentar-me no café a observar as pessoas.
E não acontece, por vezes, sentir-se observada?
Graças a Deus, comigo isso não tem acontecido muito. No Brasil é mais tranquilo. Sei que o meu rosto já está muito divulgado mas ainda consigo andar pelas ruas e ir aos cafés. Aqui em Portugal também faço muito isso.
E a Imprensa?
Tenho sido sempre muito respeitada. Mas eu também não permito muito uma intromissão na minha vida privada. E, depois, também não vou a farras.
Não faz vida social?
Faço, mas como sou cantora eu não posso estar numa noite a falar alto, senão fico sem voz. Depois, eu sou casada e ninguém tem nada apimentado para falar de mim, a não ser que inventem. Não sou actriz nem ando de mini-saia curta (risos).
Acaba de lançar o DVD ao vivo ‘Multishow’. Porque é que decidiu gravar em Paraty, ao ar livre, em vez de numa grande sala de espectáculos?
Há muito tempo que eu queria fazer um espectáculo fora do eixo Rio de Janeiro--São Paulo e fora das tradicionais casas de espectáculos, porque achava tudo muito falso. Sempre quis uma coisa diferente. Paraty tinha todos os elementos. Era o cenário brasileiro que eu queria. Teve crianças a assistir, o padre também (risos), e até um bebedouro de beija-flor.
Como correu esse espectáculo?
Foi fantástico, e aconteceu uma coisa muito curiosa. As gravações foram em Novembro, e recordo-me de que no segundo dia começou a chover na música ‘Ai Ai Ai’ no preciso momento em que eu cantava que ia chover. Depois parou e não caiu mais. Dá para acreditar nisso? Houve muita gente que começou a procurar as mangueiras, a pensar que era um efeito especial (risos).
Este DVD conta com a participação de Sly & Roby, dois gurus da música jamaicana. Como é que se deu esta possibilidade?
Eu já tinha trabalhado com eles no disco ‘Sim’ lá na Jamaica e na altura eles disseram-me que se um dia eu necessitasse deles era só chamar. Eu guardei o recado e chamei-os (risos). Deu no que deu. Mesmo quem é leigo de música consegue perceber que estes músicos são muito bons.
Mas não foi possível ter o Ben Harper nesse concerto!
É, não foi possível. As nossas agendas não o têm permitido. Ainda há um mês estivemos os dois na mesma cidade, em Barcelona. Ele chamou-me para cantar, eu chamei-o a ele, mas devido aos nossos compromissos acabou por não dar (risos).
Sente que aquela música que gravou com ele, ‘Boa Sorte’, foi o grande empurrão na sua carreira?
Foi, claramente, uma música que abriu muitas portas. O sucesso dessa canção foi, aliás, uma surpresa para mim. O engraçado é que ele me disse logo que ia ser um grande sucesso (risos). Ele bem me avisou: 'Você vai ver que essa música não vai parar de tocar.' E teve razão.
Este DVD conta também com algumas imagens da sua passagem pelo Festival Sudoeste no ano passado. Porquê incluí-las?
Porque Portugal é muito importante para mim.
Foi mesmo o seu melhor espectáculo por cá?
Esse espectáculo foi muito bom, mas
penso que o concerto que mais me marcou foi o primeiro que dei no Coliseu dos Recreios, em 2007. Era a sala que eu queria (risos). Era uma sala de que eu já tinha ouvido falar no Brasil e era uma meta para mim.
Do que se recorda desse concerto?
Recordo-me de que tinha um público muito jovem e que cheguei a perguntar se eles tinham idade para estar ali (risos).
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