O que precisa de saber sobre o fungo 'Candida auris', considerado uma ameaça à saúde pública global
Estirpe da família de fungos 'Candida' é mais difícil de diagnosticar e muito resistente a medicamentos.
Portugal já confirmou os primeiros casos de infeção por 'Candida auris', um fungo resistente a medicamentos considerado uma ameaça à saúde pública global.
Em setembro de 2025, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) alertou para a rápida propagação do fungo na Europa e salientou "a importância da deteção precoce e do controlo da transmissão".
O 'Candida auris' foi identificado em 2009 no Japão e, desde então, têm surgido infeções noutros países. O fungo da família 'Candida', difícil de diagnosticar e tratar, surge sobretudo em doentes internados em hospitais ou residentes em lares, explica a CUF.
Eis tudo o que precisa de saber sobre esta infeção:
Perigos
"O fungo Candida auris apresenta caráter invasivo, podendo entrar na corrente sanguínea e causar infeções graves, por exemplo, no sangue, em feridas, ouvidos ou até no coração e cérebro", lê-se no site da CUF.
A infeção pode ser fatal. Entre 30 a 60% dos doentes que contraíram 'Candida auris' e tinham outros problemas de saúde graves morreram.
Diagnóstico
O diagnóstico da infeção é feito através da recolha de sangue ou outros fluidos corporais. Mas a estirpe 'Candida auris' é difícil de identificar através dos métodos utilizados em laboratório para infeções mais comuns causadas por esta família de fungos.
O diagnóstico do fungo requer métodos laboratoriais específicos, o que pode dificultar a correta despistagem e o tratamento do utente.
A existência de outras condições dificulta também o diagnóstico da infeção.
Fatores de risco
A infeção normalmente não afeta pessoas saudáveis. Quem deve ter mais atenção são os doentes internados ou residentes em lares e polimedicados ou com cirurgia recente.
Se verificou alterações do sistema imunitário (por exemplo em situações de cancro ou diabetes) ou toma antibióticos ou antifúngicos de largo espectro apresenta também um maior risco de contrair a infeção. A presença de tubos ou cateteres como sondas e algálias também é um fator de risco.
Tratamento
A maioria das infeções é tratada com enquinocandinas, uma classe de medicamentos antifúngicos. Contudo, a 'Candida auris' é muito resistente e nem sempre responde à administração de medicamentos.
Muitas vezes é "necessária a toma de múltiplas classes de antifúngicos em doses elevadas para tratar a infeção".
Evitar o contágio e propagação
O fungo 'habita' sobretudo em ambiente hospitalar. O contágio pode dar-se através do contacto com superfícies ou objetos contaminados, onde o fungo pode sobreviver durante semanas, ou de pessoa para pessoa, mesmo que não demonstrem sintomas.
Lavar bem as mãos com água e sabonete ou com um desinfetante à base de álcool é importante para evitar o contágio.
A CUF aconselha a falar imediatamente com um médico em caso de suspeita de infeções por fungos.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt