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Nova terapia experimental elimina cancro do pâncreas em animais

Após mais de 200 dias sem tratamento, os animais continuavam livres da doença e sem sinais de toxicidade associada à terapia.

29 de janeiro de 2026 às 15:55

Uma equipa de cientistas espanhóis, liderada pelo investigador Mariano Barbacid, alcançou um avanço histórico no tratamento do cancro do pâncreas. O estudo, desenvolvido no Centro Nacional de Investigações Oncológicas (CNIO), demonstrou que uma combinação inovadora de três fármacos conseguiu eliminar completamente tumores pancreáticos em animais, sem efeitos secundários significativos e com resultados duradouros.

A investigação baseia-se numa estratégia de terapias combinadas que atua diretamente nos principais mecanismos responsáveis pelo crescimento tumoral. Os três compostos utilizados têm alvos bem definidos: um inibidor seletivo do oncogene KRAS, considerado o principal motor do cancro do pâncreas, e dois outros fármacos dirigidos às proteínas EGFR e STAT3, fundamentais nas vias de sinalização que promovem o desenvolvimento deste tipo de tumor.

Os resultados do estudo foram publicados na prestigiada revista científica PNAS e apresentados na Fundação CRIS Contra o Cancro. Durante a investigação, observou-se que os tumores desapareceram por completo em diferentes modelos de ratos. Mais impressionante ainda, após mais de 200 dias sem qualquer tratamento, os animais continuavam livres da doença e sem sinais de toxicidade associada à terapia, de acordo com o jornal espanhol El Economista.

Segundo Mariano Barbacid, trata-se de um marco sem precedentes: pela primeira vez foi obtida “uma resposta completa, duradoura e com baixa toxicidade contra o cancro do pâncreas em modelos experimentais”. O investigador sublinha que estes resultados demonstram como uma abordagem racional de terapias combinadas pode alterar significativamente o prognóstico deste tumor extremamente agressivo.

A apresentação pública dos resultados contou com o testemunho da soprano Cristina Domínguez, diagnosticada com cancro do pâncreas em 2015. A artista destacou a urgência da investigação científica, afirmando que, para os doentes, cada avanço representa mais tempo, mais vida e futuro, reforçando que investir em investigação não é um luxo, mas uma necessidade vital.

O cancro do pâncreas é um dos tumores mais letais e difíceis de tratar. Em Espanha são diagnosticados mais de 10 mil novos casos por ano, um número que tem vindo a aumentar na última década. A taxa de sobrevivência continua a ser muito baixa: apenas entre 8% e 10% dos doentes sobrevivem cinco anos após o diagnóstico.

Os próximos passos desta investigação passam pela realização de ensaios clínicos em humanos, o que exigirá financiamento adequado e a superação de processos regulatórios. Estima-se que o inibidor de KRAS possa vir a ser testado clinicamente em algumas indicações a partir de 2026 ou 2027. Já os degradadores de STAT3, embora ainda não aprovados, estão a ser avaliados noutras patologias, como a leucemia mieloide aguda.

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