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Simples análise ao sangue pode permitir prever tratamento mais eficaz do cancro da mama, diz estudo

Cancro da mama é o mais comum a nível mundial. Mais de dois milhões de casos são diagnosticados todos os anos.

18 de janeiro de 2026 às 17:40

Uma análise ao sangue pode vir a revolucionar a forma como o cancro da mama é tratado, por permitir prever antecipadamente quais os tratamentos com maior probabilidade de sucesso para cada doente. A descoberta resulta de um estudo desenvolvido por investigadores do Institute of Cancer Research (ICR), em Londres.

O cancro da mama é o tipo de cancro mais comum a nível mundial, com mais de dois milhões de novos casos diagnosticados todos os anos. Apesar dos avanços significativos nas opções terapêuticas nas últimas décadas, continua a ser difícil determinar, à partida, qual o tratamento mais eficaz para cada paciente. Esta incerteza pode levar à administração de terapias pouco eficazes, o que atrasa o controlo da doença, de acordo com o jornal The Guardian.

O novo teste, conhecido como “biópsia líquida”, analisa o ADN tumoral circulante (ctDNA) presente no sangue, libertado pelas células cancerígenas. Ao medir níveis muito baixos deste ADN, os médicos conseguem avaliar a probabilidade de resposta a um determinado tratamento, mesmo antes de este começar ou apenas quatro semanas após o seu início.

O estudo envolveu 167 doentes com cancro da mama avançado, cujas amostras de sangue foram recolhidas antes do início da terapêutica e após um ciclo de tratamento. Os resultados demonstraram uma forte associação entre níveis baixos de ctDNA e uma melhor resposta ao tratamento, bem como um maior tempo de sobrevivência sem progressão da doença.

Os participantes foram divididos em dois grupos. O primeiro incluiu doentes com mutações específicas (como ESR1, HER2, AKT1 ou PTEN), que receberam terapias direcionadas para essas alterações genéticas. O segundo grupo integrou pacientes com cancro da mama triplo negativo, uma forma particularmente agressiva da doença, responsável por 10 a 15% dos casos e sem mutações passíveis de tratamento dirigido. Estes doentes receberam uma combinação de fármacos inovadores.

No grupo do cancro triplo negativo, os doentes com níveis baixos de ctDNA antes do tratamento apresentaram uma sobrevivência sem progressão de 10,2 meses, comparativamente a apenas 4,4 meses nos doentes com níveis elevados. Além disso, 40% destes doentes responderam positivamente à terapêutica, face a apenas 9,7% no grupo com ctDNA mais elevado.

Segundo a investigadora principal do estudo, Iseult Browne, esta abordagem permite identificar precocemente os doentes que não estão a beneficiar de determinado tratamento, possibilitando uma mudança atempada para alternativas mais eficazes, como outras terapias dirigidas, combinações de medicamentos ou a participação em ensaios clínicos.

Os investigadores acreditam ainda que esta tecnologia poderá vir a ser aplicada não só em casos de cancro da mama avançado, mas também em estádios iniciais da doença, tornando as decisões clínicas mais rápidas, precisas e eficazes.

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