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Síndrome de Tourette: Conheça a doença dos 'tiques' incontroláveis e que leva o paciente a dizer palavrões

Manifesta-se na infância e afeta muito mais homens do que mulheres.
Por Ana Maria Ribeiro 7 de Março de 2020 às 01:30
Síndrome de Tourette
Síndrome de Tourette FOTO: Direitos Reservados

A Síndrome de Tourette é uma perturbação neuropsiquiátrica que foi reconhecida e registada em 1885 pelo neurologista francês Georges Gilles de la Tourette. Trata-se de um conjunto de tiques – isto é, de movimentos ou sons involuntários mas conscientes – que os doentes executam recorrentemente e que não conseguem controlar.

Como explica Berta Pinto Ferreira, médica psiquiatra da infância e adolescência, "apesar de involuntários, os tiques podem ser controlados temporariamente pela vontade, mas tendem a agravar-se em estados de ansiedade e cansaço".

Normalmente, a síndrome manifesta-se entre os 4 e os 6 anos, são comuns na infância e, na maior parte dos casos, transitórios. Para diagnosticar a doença é preciso traçar a história clínica da criança e avaliar os sintomas e quadro ao longo do tempo. "A informação que os pais transmitem aos médicos é extremamente importante, uma vez que as crianças, na presença do médico, podem controlar os tiques", explica a especialista.

A causa desta síndrome não está claramente definida, mas segundo Berta Pinto Ferreira a doença poderá resultar de uma combinação de fatores biológicos e ambientais. "Embora a Síndrome de Tourette não tenha cura, na maioria dos doentes verifica-se uma melhoria da doença a partir da adolescência. Após um pico de gravidade entre os 8 e os 12 anos, os sintomas tendem a diminuir de intensidade até por volta dos 20 anos".


SINTOMAS
Piscar os olhos e cuspir
Entre os tiques que podem indiciar a existência desta síndrome, contam-se: piscar repetidamente os olhos; fazer caretas; mover a cabeça de um lado para o outro compulsivamente; tossir; fungar; limpar repetidamente a garganta e até cuspir.

Estalar os dedos
Outros sinais de alerta para os pais das crianças incluem encolher frequentemente os ombros ou esticar os braços. Ou, ainda, fazer estalar os dedos, bater palmas ou executar outro tipo de movimentos com os braços e as mãos sem qualquer justificação aparente e completamente fora de contexto, deixando os outros perplexos.

Dizer e fazer obscenidades
Um sinal de que algo não está bem é quando a criança começa a repetir determinadas palavras sistematicamente, sem organizar um discurso. Dizer palavrões e fazer gestos obscenos podem ser um sinal desta doença neuropsiquiátrica, bem como gritar, gemer, assobiar, grunhir ou emitir sons, palavras ou frases soltas, ao acaso.

COMO SE TRATA
Atendendo ao curso habitualmente crónico, ao impacto negativo no funcionamento e à elevada prevalência de comorbilidades, é fundamental um acompanhamento pedopsiquiátrico contínuo e regular da criança.

À semelhança de outras perturbações de saúde mental na infância e adolescência, é imprescindível a participação ativa da família e uma articulação próxima com a escola. O tratamento farmacológico deve ser reservado aos doentes cuja intensidade dos tiques seja suficientemente grande para causar um impacto negativo no quotidiano.
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