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Varizes: Conheça os sintomas e o tratamento para as veias dilatadas

Insuficiência valvular torna as veias incapazes de travar a pressão da corrente sanguínea.
Por Miguel Balança 4 de Março de 2020 às 01:30
Varizes
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Varizes são veias superficiais, visíveis, dilatadas e normalmente com trajeto serpiginoso (lembrando a trajetória de uma serpente).

Correspondem a uma etapa da evolução da Doença Venosa Crónica (DVC) dos membros inferiores. "Na mulher surgem muitas vezes após a última gravidez, resultado do aumento da pressão intra-abdominal e também pelas alterações hormonais desse período", explica ao CM o médico Joaquim Barbosa, coordenador da Cirurgia Vascular do Hospital do SAMS Lisboa, acrescentando que, "por outro lado, o uso de contracetivos é também apontado como um fator de risco pelas alterações hormonais que desencadeia, com a pílula a exercer uma ação nefasta sobre o aparelho valvular".

Contudo, em alguns casos não é possível estabelecer uma relação direta entre a doença e a contraceção oral, sublinha o especialista.

"Nos membros inferiores existem dois sistemas independentes de drenagem do sangue venoso [superficial e profundo] que comunicam entre si através de veias comunicantes ou perfurantes", esclarece Joaquim Barbosa.

Nas veias, a existência de válvulas assegura o movimento sanguíneo até ao coração, não permitindo o refluxo. Num quadro de insuficiência valvular, estas tornam-se incapazes de travar a pressão da corrente sanguínea.

Quando este cenário afeta o sistema superficial provoca o aumento do calibre das veias e, consequentemente, o aparecimento das inestéticas varizes.

Sintomas
Estagnação do sangue
Quando atinge o sistema de drenagem de sangue, a insuficiência valvular leva a uma "estase venosa" (estagnação do sangue dentro da veia), nas zonas de maior declive dos membros. "Esta situação é responsável pela maior parte dos sintomas referidos pelos doentes quando acorrem ao médico", explica ao CM Joaquim Barbosa, coordenador de Cirurgia Vascular do Hospital do SAMS Lisboa.

Sensação de cansaço
A Doença Venosa Crónica (DVC) provoca sintomas como a sensação de cansaço, peso nas pernas, dores, cãibras noturnas ou formigueiros. Derrames ou varizes não são, por si só, uma doença, mas uma fase do processo evolutivo da DVC.

"Há que salientar que existem doentes com varizes e que não apresentam sintomas", acrescenta ao CM o médico especialista.

Diagnóstico clínico
O diagnóstico tem por base as queixas do doente, atestadas em posterior observação do médico. O Ecodoppler, um exame complementar, permite associar a avaliação hemodinâmica a aspetos ecográficos - determina fatores como a velocidade da corrente sanguínea.

Prevenção
Corrigir obesidade
"Evitar ou contrariar os fatores de risco é o objetivo fundamental da terapêutica", explica o médico Joaquim Barbosa. A prevenção passa, por exemplo, por corrigir a obesidade, elevar os pés sempre que sentado ou evitar permanecer de pé, parado.

Exercício regular
Combata o sedentarismo. Pratique exercício físico regularmente. Use contenção elástica (meias de descanso ou elásticas) sempre que tenha sido prescrita pelo médico.

Eleve os pés da cama
Elevar os pés da cama (em cerca de 10 centímetros) revela-se benéfico, tal como o uso de fármacos flebótomos. Este tipo de medicamentos, numa primeira linha de tratamento, conferem maior elasticidade à veia e melhoram as condições de circulação sanguínea.

Como se trata
Existem dois tipos de terapêuticas consideradas "curativas". A esclerose - ou secagem - , e a cirurgia. "A primeira aplica-se fundamentalmente às varizes muito superficiais, vulgarmente conhecidas por derrames ou em varizes de pequeno calibre", esclarece o médico Joaquim Barbosa. Varizes de maior calibre têm indicação cirúrgica.

A intervenção visa prevenir complicações como hemorragias por traumatismo, "flebites" (resultam da coagulação do sangue) e úlceras varicosas, expressão de um estado avançado de insuficiência crónica.

O especialista
"Podem ser tratáveis, mas não curáveis"
"Independentemente de todos os avanços e melhorias no tratamento, a prevenção continua a ser a melhor medida terapêutica", sublinha Joaquim Barbosa. "As varizes podem ser tratáveis, mas não curáveis", nota o médico.

Número de casos
Dois milhões de mulheres portuguesas com mais de 30 anos têm Doença Venosa Crónica (DVC). Metade não é tratada.

Doença no País
1/3 da população portuguesa sofre de DVC, segundo a Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular.
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