Construtora envolvida em escândalo no Brasil acusada de pagar campanha de Juan Manuel Santos.
A presidência da Colômbia negou na terça-feira a entrada de dinheiro da construtora brasileira Odebrecht na campanha que resultou na reeleição de Juan Manuel Santos em 2014, uma possibilidade que a Procuradoria quer que seja investigada.
"A presidência apela às autoridades [eleitorais] competentes que adiantem todas as investigações necessárias para estabelecer a verdade sobre esta nova acusação temerária", afirmou o secretário da Transparência da presidência, Camilo Enciso, numa declaração da Casa de Nariño, sede do Executivo.
O procurador-geral da Colômbia, Néstor Humberto Martínez, pediu na terça-feira ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para investigar a suposta entrada de um milhão de dólares da Odebrecht na campanha de Santos por intermédio do antigo congressista Otto Bula, detido no mês passado pela sua participação no esquema de subornos pagos pela construtora brasileira.
Camilo Enciso afirmou, citando o gestor da campanha da reeleição de Santos, Roberto Prieto, que "a ordem clara e perentória foi de não receber qualquer doação" para financiar a campanha eleitoral.
"Os recursos da campanha, como demonstram claramente as contas apresentadas ao CNE, proveem exclusivamente e na sua totalidade dos dinheiros da reposição de votos prevista na lei colombiana", acrescentou.
A reposição de votos é o dinheiro que o Estado devolve aos candidatos consoante o número de votos obtidos pelos gastos que tiveram durante a campanha.
Segundo documentos publicados a 21 de dezembro pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a Odebrecht terá alegadamente pagado subornos relativamente a mais de uma centena de projetos em 12 países da América Latina e África, de aproximadamente 788 milhões de dólares.
Nas eleições de 2014, Santos teve como principal adversário Óscar Iván Zuluaga, candidato do Partido Centro Democrático, também 'salpicado' pelo suposto financiamento da Odebrecht à sua campanha.
Zuluaga foi implicado pelo publicitário brasileiro Duda Mendonça que há semanas disse à revista Veja que a construtora lhe pagou honorários por ajudar a campanha do rival de Santos.
As reações às suspeitas levantadas em torno de Juan Manuel Santos já se fizeram sentir, com o vice-presidente da Colômbia, Germán Vargas Lleras, a afirmar que as investigações relativas aos subornos devem continuar "caia quem cair".
Em comunicado, o vice-presidente colombiano afirmou que não interveio nas finanças da campanha eleitoral de 2014: "Na minha qualidade de candidato à vice-presidência da República nunca intervim, nem direta nem indiretamente, na gestão da tesouraria nem no financiamento da campanha".
O ex-presidente da Colômbia Andrés Pastrana (1998-2002) também se pronunciou sobre as suspeitas levantadas pelo procurador-geral, defendendo que Juan Manuel Santos deve analisar "a possibilidade de renunciar" no caso de se comprovar que a sua campanha para a reeleição recebeu dinheiro da construtora brasileira.
"Presidente Juan Manuel Santos: a provarem-se pagamentos da Odebrecht à sua campanha deve começar a considerar a possibilidade de renunciar", escreveu Pastrana na sua conta na rede social Twitter.
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