Coca-Cola Europacific Partners e Cruz Vermelha Portuguesa ajudam jovens em contextos vulneráveis a viver de forma independente.
25 de junho de 2026 às 10:42O verdadeiro desafio de uma sociedade moderna é garantir que o futuro de um jovem não fica condicionado pelas circunstâncias em que cresceu. Quando damos uma oportunidade a um jovem, não estamos apenas a mudar uma vida — estamos a abrir caminho para uma mobilidade social que beneficia toda a sociedade.
Em Portugal, cerca de 9% dos jovens entre os 15 e os 29 anos não estudam, não trabalham nem frequentam qualquer formação — os chamados jovens “nem-nem ou NEET.”. A taxa de desemprego jovem em Portugal é de 17,9% segundo dados oficiais de abril de 2026 mas tem vindo a descer. Para que o desemprego jovem desça ainda mais em Portugal, programas como o ‘BORA Jovens, lançado pela Coca- -Cola Europacific Partners em Portugal e implementado pela organização Ajuda em Ação, revelam-se cruciais.
Afinal, o talento está distribuído de forma igual pela sociedade. As oportunidades não. É neste contexto que a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) e empresas parceiras nas causas sociais atuam, dando oportunidades aos mais novos, através da capacitação para a autonomia. Assim surge a série “Humanidade em Ação”, uma iniciativa da Cruz Vermelha Portuguesa que, com empresas parceiras, em divulgação conjunta com a Medialivre, foram ao terreno mostrar o que está a ser feito em diversas causas sociais, com episódios a serem exibidos nos canais CMTV e Now.
Programa da Coca-Cola com Ajuda em Ação
Márcio Fernandes chegou ao ‘BORA Jovens sem grandes certezas, mas com uma ideia clara: “É sempre bom aprendermos coisas novas.” O ‘BORA Jovens é um programa de empregabilidade lançado pela Coca-Cola Europacific Partners em Portugal e implementado pela organização não governamental Ajuda em Ação. Destina-se a jovens dos 18 aos 25 anos, em situação de vulnerabilidade socioeconómica e risco de exclusão social. A capacitação online, gratuita e intensiva, facilita o acesso de cada participante à primeira experiência profissional e atribui ferramentas para a construção de um projeto de vida.
Ao longo dos últimos anos, o programa já capacitou mais de 3 milhares de jovens, integrou centenas no mercado de trabalho e ajudou muitos outros a retomar os estudos, com mais de 1 centena de empresas a abrir portas a quem raramente chega a uma entrevista. Os números representam jovens que passaram de um dia a dia sem rumo para um caminho com objetivos, horários e responsabilidades. “Desde 2021, o ‘BORA Jovens já tem um percurso muito grande. Já capacitámos mais de 3000 jovens, dos quais mil fizeram um programa completo com integração. Desses, mais de 300 entraram no mercado de trabalho. Estas oportunidades passam por nós, mas também por todas as empresas que puderem recrutar estes jovens resilientes e com muita vontade de vingar no mercado de trabalho”, reforça Manuel Bastos, Public Affairs senior manager da Coca-Cola Europacific Partners em Portugal. Na sua leitura, o programa funciona como um “elevador social, dando a hipótese aos jovens de integrarem o mercado de trabalho”.
Na base está o compromisso profundo e abrangente da Coca-Cola Europacific Partners com a diversidade. Parte da convicção de que é importante integrar as diferenças e que só a trabalhar juntos é possível gerar mudanças na sociedade que garantam um crescimento sustentável, ético e comprometido com as pessoas e o meio ambiente. “Não é um caminho simples, mas toda a iniciativa conta”, assume o responsável.
Formação e oportunidades novas
“Estou a gostar bastante disto”, conta o formando Márcio Fernandes, com um misto de timidez e determinação, referindo-se à formação profissional de condução de empilhadores, a decorrer na fábrica da Coca- -Cola em Azeitão. A formanda Núria Guerra partilha a mesma sensação: “Este programa dá muitas oportunidades, nomeadamente de trabalho, de formação…”
A ONG Fundação Ajuda em Ação, parceira da Coca-Cola Europacific Partners no projeto ‘BORA Jovens, promove um acompanhamento próximo como resposta a uma realidade marcada por desigualdades no acesso a redes de apoio, educação de qualidade e oportunidades para uma primeira experiência profissional. “O programa ‘BORA Jovens aparece com o propósito de permitir que os jovens cumpram o seu projeto de vida, que passa muitas vezes pela integração no mercado de trabalho”, explica Mário Baudouin, diretor nacional da Fundação Ajuda em Ação.
Para isso, a entidade trabalha competências pessoais, construção do currículo profissional, preparação para entrevistas e faz a mediação com empresas integradoras. Os jovens são colocados no centro de um processo formativo robusto, que procura dotá-los das competências e da confiança necessárias para construírem, de forma ativa e informada, os seus projetos de vida e integrar o mercado de trabalho com maior facilidade, rapidez e flexibilidade.
Apartamentos da Cruz Vermelha
A Cruz Vermelha disponibiliza uma vasta rede de apoio para crianças em risco, focando- se na proteção, educação e bem-estar. As respostas incluem Centros de Acolhimento Temporário, programas de apoio socioeducativo e ocupação de tempos livres, apoio psicológico e ajuda material e alimentar a famílias vulneráveis.
É neste quadro que entram respostas como os Apartamentos de Autonomização da Cruz Vermelha Portuguesa, pensados para auxiliar jovens que cresceram em acolhimento na passagem para a vida adulta.
“Muitas vezes, eles entram com 3 anos, outros com 5, 10 ou 12… Uns foram para adoção; outros regressaram às famílias aos 18 anos. Outros ficaram connosco e, nesta casa, estamos com aqueles que ficaram connosco”, explica Luísa Tavares Moreira, presidente da Cruz Vermelha Portuguesa da Póvoa de Varzim. É com estes jovens ainda em acolhimento que se trabalha a última etapa de saída do sistema de proteção sem queda no vazio.
Os Apartamentos de Autonomização acolhem geralmente jovens dos 15 aos 25 anos, sem suporte familiar e com um nível de maturidade que lhes permita integrar um programa de competências de vida independente. A regra é simples: podem ficar até aos 25 anos, desde que estejam a estudar ou em formação. Vivem num ambiente o mais próximo possível da realidade comunitária, pernoitam sozinhos, organizam a casa, gerem dinheiro e tempo. Contam com acompanhamento técnico e educativo sistemático.
Cada caso começa com uma avaliação cuidada: situação médica, psicológica, social e jurídica. Depois, é traçado um plano individual de autonomização, discutido com o próprio jovem. Esse plano é revisto ao longo do tempo, à medida que surgem novos desafios ou conquistas. A intervenção combina sessões individuais e momentos de grupo, recorrendo a metodologias ativas e participativas que valorizam as experiências e o percurso de cada um.
Gerir a casa e organizar o tempo
O programa trabalha várias dimensões: gestão da casa e do orçamento, organização do tempo, utilização de recursos sociais e de suporte, relações interpessoais, competências cognitivas e regulação emocional. No dia a dia, isso traduz se em tarefas concretas: aprender a cozinhar e a fazer compras, gerir contas e contratos, tratar de documentos, preparar entrevistas de emprego, participar na vida da comunidade e prevenir comportamentos de risco. “Acho muito interessante porque não há nenhum jovem que não queira trabalhar em simultâneo. Querem ganhar o dinheiro deles, ter as suas coisas”, nota Luísa Tavares Moreira. A vontade de autonomia é visível. Muitos destes jovens, que durante anos dependeram de instituições, querem agora garantir o próprio sustento e, em alguns casos, apoiar a família de origem. “Tornaram a dor do passado num futuro. Transformaram as fragilidades numa capacidade de se ajudarem não só a si próprios, mas também aos outros.”
Em comum, programas como o ‘BORA Jovens e os Apartamentos de Autonomização partem da mesma ideia de que capacitar é mais do que ensinar. Estes programas põem os jovens no centro das decisões sobre a própria vida, respeitando a dignidade, a autonomia, a privacidade e a participação. A inserção no mercado de trabalho, a conclusão de percursos escolares e a integração na comunidade são objetivos concretos. “Tivemos liberdade para irmos à procura dos nossos gostos. Nunca fomos direcionados para ideias de outras pessoas. Tenho a educação dada desde o início. É como se fosse uma família”, conclui Pedro Barros, que beneficia do apoio da Cruz Vermelha Portuguesa num apartamento de autonomização.
Áreas de apoio da Cruz Vermelha Portuguesa
O apoio concreto e especializado da Cruz Vermelha Portuguesa divide-se nas seguintes áreas:
• Proteção e Acolhimento: Centros de Acolhimento Temporário que funcionam como refúgio seguro para crianças e jovens em situação de perigo iminente ou risco.
• Apoio Educativo e Desenvolvimento: Programas de acompanhamento escolar, educação pré-escolar e centros de ocupação de tempos livres para promover a inclusão e o desenvolvimento de competências pessoais.
• Projetos Especiais: Iniciativas direcionadas ao bem-estar emocional e à saúde mental, com projetos focados na integração comunitária.
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