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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

27 concelhos têm mais de 20% de residentes estrangeiros

Grande Lisboa, Alentejo e Algarve concentram a maior parte dos municípios onde mais se faz sentir o peso da imigração.

25 de junho de 2026 às 01:30

Há 27 concelhos em Portugal onde a população estrangeira já é mais de um quinto do total de residentes. A maioria destes concelhos são na Grande Lisboa, como Amadora (56826 imigrantes, 27,65% do total) ou Odivelas (50389 estrangeiros, 27,13%), no Alentejo, onde se destaca Odemira, com 52,06% de estrangeiros (22930 num total de 44043 residentes) e Ferreira do Alentejo (30,2%), e no Algarve (Vila do Bispo, 41,73%, seguindo-se Aljezur, Albufeira, Lagos, Loulé e Tavira, todos com mais de 30% de residentes estrangeiros). Mas também há concelhos da região centro, como o Entroncamento (24,96% de imigrantes) ou Pedrógão Grande (20,83%) e Rio Maior (20,52%), onde a proporção de residentes de nacionalidade estrangeira é elevada.

Os dados divulgados no início da semana pelo Instituto Nacional de Estatística, que indicam que no final de 2025 havia 11424031 residentes em Portugal, dos quais 1597539 eram estrangeiros, revelam que a imigração começou a diminuir em 2024, passando de um saldo migratório de 307288 pessoas para 216629. Em 2025, o saldo migratório foi de 70862.

A entrada de imigrantes nos últimos anos permitiu colmatar o saldo natural negativo, que nos últimos três anos cifra-se sempre acima dos 32 mil, devido ao maior número de óbitos do que nascimentos. A estimativa do INE mostra que em 198 concelhos, em cinco anos, houve aumento de crianças e jovens até aos 14 anos, com destaque para Vila Velha de Ródão, com mais 28,44% de residentes nesta faixa etária face a 2021, Entroncamento (mais 28,19%) e Vila de Rei (mais 26,8%). No outro extremo, há 7 municípios que perderam 10% ou mais de crianças e jovens até aos 14 anos no espaço de cinco anos, com Tabuaço (-12,81%) a ter o pior registo.

Nos mais velhos, Porto Santo foi o município com maior aumento de residentes com 65 ou mais anos (28,07%), seguindo-se Albufeira, Ribeira Grande, Santa Cruz e Vizela. Penamacor é o concelho com maior proporção de residentes com 85 ou mais anos (15,22% do total da população), seguindo-se Pampilhosa da Serra (14,16%) e Oleiros (14,04%). Municípios dos Açores e Madeira são os que registam menor percentagem de população com 85 ou mais anos, com menos de 1% nesta faixa etária em Ribeira Grande, Ponta Delgada, Câmara de Lobos e Lagoa.

Imigrantes de mais de 115 países

A listagem do INE das nacionalidades dos residentes contém 115 países, com o Brasil em 1º (574195 imigrantes), seguido de Angola, Índia e Cabo Verde. Na listagem há cidadãos de países como Síria (1036), Sudão (194) ou Eritreia (107). Há 2458 residentes de países não listados.

INE vai rever indicadores 'per capita'

O INE vai rever todos os indicadores 'per capita', como o Produto Interno Bruto, emprego ou questões relacionadas com a justiça, educação ou saúde. "A revisão das estimativas anuais de população residente para os anos de 2021 a 2024 tem impacto em diversas operações estatísticas", referiu o INE.

Açores é onde há mais juventude

Apenas dois municípios - Ribeira Grande e Lagoa, ambos nos Açores - registam um índice de envelhecimento inferior a 100 - ou seja, há mais jovens até 14 anos do que pessoas com 65 ou mais anos. No continente, Montijo (índice de 111,3) e Mafra (117,6) são os menos envelhecidos, numa lista onde se destaca Vinhais (687,0).

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