Vencedor do Festival Eurovisão está nos Cuidados Intensivos à espera de um dador compatível.
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Internado nos Cuidados Intensivos do Hospital Santa Cruz, em Carnaxide, Salvador Sobral desespera por um transplante de coração, numa autêntica corrida contra o tempo. Segundo o CM apurou, o prognóstico do vencedor do Festival Eurovisão é delicado, ainda que se encontre estável.
"Neste momento, está tudo a correr como o planeado. Todas as funções do organismo estão controladas. A ideia do internamento é para não forçar o corpo, que era o que estava a acontecer. Estar numa cama de hospital é diferente do que andar de um lado para o outro", revela ao CM uma fonte próxima de Salvador, acrescentando que, monitorizado 24 horas por dia, o jovem, de 27 anos, corre menos riscos do que quando estava com a agenda preenchida com concertos. "Agora é que ele corre menos riscos de vida, porque está mais controlado".
Salvador Sobral desespera por coração
Apesar de estar consciente da gravidade da sua situação, Salvador não perde a fé de encontrar um dador compatível – que tem de estar em morte cerebral e ter um perfil genético idêntico ao seu. O cantor tem-se mostrado sereno durante o período de internamento. "Ele é uma pessoa super bem-disposta e está completamente tranquilo", adianta a mesma fonte.
Recorde-se que foi com a participação no Festival Eurovisão que se tornou público que o irmão de Luísa Sobral sofria de insuficiência cardíaca grave.
A estrela nacional aguarda a todo o momento por um coração compatível, numa luta contra o relógio em que conta com o apoio incondicional da família. "Ele tem tido visitas muito restritas, a família está muito preocupada, como é normal, mas todos mantêm a fé", relata uma outra fonte.
Pausa na carreiraFoi através de um vídeo, gravado no hospital, que Salvador anunciou que ia fazer uma pausa na carreira para tratar da saúde. "Chegou, infelizmente, a altura de entregar o meu corpo à ciência", fez saber.
Acompanhado por médico Para participar no Festival Eurovisão, que acabou por vencer, Salvador Sobral teve de ser acompanhado por um médico. Foi a irmã que fez os ensaios e o cantor só viajou para Kiev na véspera da cerimónia.
"Pode voltar à vida normal"
Salvador Sobral precisa de um transplante de coração para sobreviver. Uma cirurgia que já é cada vez mais comum mas que, no entanto, tem algumas especificidades, a começar com a dificuldade de encontrar um dador compatível, com características semelhantes, como tipo sanguíneo, peso e altura.
"Tem de haver uma compatibilidade genética para minimizar as hipóteses de rejeição e isso acaba por ser o mais difícil", afirma ao CM o cardiologista Jorge Cruz.
Salvador está em lista de espera e aguarda por um dador com os mesmos "parâmetros genéticos". "Este tem de estar em morte cerebral e ter um coração saudável. Não é comum que uma pessoa com mais de 50 anos possa ser dadora. O mais normal são jovens que sofreram acidentes e perderam a vida".
Desde o momento em que o coração saudável é identificado até à cirurgia não podem passar mais de quatro horas, sendo que a operação demora nunca menos de três.
"Depois, o paciente fica cerca de um mês nos Cuidados Intensivos a tomar medicamentos para evitar a rejeição e prevenir infeções", diz o especialista. Segundo o médico, passado o período de risco, o doente "pode voltar a ter uma vida normal, fazer exercício, etc". A taxa de sobrevivência, passados cinco anos, é de 75 por cento.
PORMENORES
1967
Em 3 de dezembro de 1967 realizou-se o primeiro transplante de coração humano, pelo cirurgião sul-africano Christian Barnard: o paciente só sobreviveu 18 dias, morrendo de infeção. Em Portugal, o primeiro transplante cardíaco realizou- -se em 1986, no Hospital de Santa Cruz (Carnaxide, Oeiras), pelo cirurgião Queiroz e Melo.
Transplantação
No primeiro trimestre de 2017 foram realizados em Portugal 8 transplantes cardíacos, segundo a Coordenação Nacional de Transplantação. No ano passado, foram efetuados 42, menos oito que em 2015.
Coração artificial
Foi no Hospital de Santa Marta, em Lisboa, que se realizou o primeiro transplante de coração artificial em Portugal. A intervenção aconteceu em 6 de março deste ano, pela equipa dirigida pelo cirurgião José Fragata.
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