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Doente morre à espera de ambulância que teve de pagar parque

Funcionário na zona de cargas morreu na alfândega do aeroporto de Lisboa.
22 de Setembro de 2016 às 10:18
Sindical dos Profissionais da Inspeção Tributária e Aduaneira, Lisboa, Cruz Vermelha, Direção Geral das Alfândegas, economia, negócios e finanças, saúde, negócios (geral), ANA, desfibrilhador
Sindical dos Profissionais da Inspeção Tributária e Aduaneira, Lisboa, Cruz Vermelha, Direção Geral das Alfândegas, economia, negócios e finanças, saúde, negócios (geral), ANA, desfibrilhador FOTO: Cátia Barbosa
Associação Sindical dos Profissionais da Inspeção Tributária e Aduaneira alertou esta quinta-feira para a inexistência de equipamento de emergência médica (desfibrilhador) na alfândega do aeroporto de Lisboa, após a morte de um funcionário no sábado.

"Não se entende que, num local onde estão centenas de trabalhadores de vários organismos, não exista aquilo que são os equipamentos de sobrevivência, de emergência médica, como é um desfibrilhador, e que deveria existir obrigatoriamente ali. Existe no lado dos passageiros, mas do lado da carga não", disse à Lusa António Castela, vice-presidente da APIT.

O responsável explicou o episódio que levou à descoberta da falta daquele equipamento, no sábado passado, quando um colega da alfândega do aeroporto de Lisboa veio a falecer no local, depois de se ter sentido mal e ter sido encontrado inanimado.

Segundo António Castela, o socorro prestado ao funcionário João Moura foi demorado devido a "um conjunto de circunstâncias que se acumularam (...), desde a ambulância da Cruz Vermelha existente no aeroporto de Lisboa ter sido interditada de passar num caminho de circulação fora de pista, e que obrigou à chamada externa do INEM, que também teve de tirar 'ticket' de entrada e pagá-lo à saída com toda a morosidade existente".

"Calculamos que o colega esteve cerca de meia hora sem cuidados médicos, apesar de ter estado no local um outro colega da Groundforce, que tem curso de primeiros socorros, e de este lhe ter feito tentativas de reanimação", adiantou.

António Castela considerou "gravíssimo" que não haja equipamento de emergência médica nas instalações, lembrando que se trata de um aeroporto internacional.

O dirigente sindical defendeu que tanto do lado dos passageiros como "do lado de quem trabalha e suporta o aeroporto a funcionar" deveria existir o equipamento, já que por lei é obrigatório.

Segundo o responsável, existem "centenas de pessoas a trabalhar diariamente no local", que é também de acesso ao público, já que há armazéns, transitários, despachantes, alfândega e companhias de aviação.

O vice-presidente da APIT avançou ainda que a Direção Geral das Alfândegas já abriu um inquérito para apurar o que aconteceu no sábado dia 18 de setembro.

Segundo o comunicado da APIT, emitido no sábado, é necessário também "analisar o indeferimento por parte da ANA (Vinci), na pessoa do seu supervisor em serviço no dia em causa, do acesso da viatura médica através de arruamentos do aeroporto que permitiriam um acesso mais rápido de cuidados médicos urgentes ao colega em causa".

A APIT solicitou ainda junto dos serviços médicos de urgência, que intervieram junto da vítima, "informações sobre a sua deslocação até junto do mesmo, as dificuldades encontradas e a informação prestada".
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