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Costa lamenta "imenso artificialismo e muita mentira" na política nacional sobre passes sociais

Primeiro-Ministro viajou de transportes no primeiro dia dos novos passes.
1 de Abril de 2019 às 13:24
António Costa
António Costa FOTO: CMTV
O primeiro-ministro, António Costa, lamentou esta segunda-feira que a política nacional se perca muitas vezes em "imenso artificialismo e muita mentira", a propósito de algumas reações críticas à medida de redução do preço dos passes sociais.

"Neste caso percebe-se bem o significado da palavra eleitoralismo: significa que é uma medida boa e contra a qual se esteve em devido tempo", afirmou, na sua intervenção na cerimónia na Câmara Municipal de Setúbal destinada a assinalar a entrada em vigor do passe único na Área Metropolitana de Lisboa.

O primeiro-ministro lamentou que os que apontam que a medida entre em vigor a poucos meses de eleições, "tenham estado distraídos" quando a mesma 'nasceu' numa cimeira em março do ano passado entre as Áreas Metropolitanas e o Governo e tenham votado contra ela no anterior Orçamento do Estado.

"Mas, a melhor forma de compreender como muitas vezes infelizmente a política nacional se perde em imenso artificialismo e muita mentira é a forma como a política ao nível local e os autarcas de todos os partidos compreenderam bem esta medida, participam nesta medida e são coautores da mesma", destacou.

António Costa enquadrou a redução do preço dos passes na política de devolução de rendimentos iniciada no arranque da legislatura com a eliminação de cortes nos salários e pensões e, ao longo dos últimos quatro anos, com medidas como a gratuitidade dos manuais escolares ou a fixação de um teto máximo para as propinas.

"Quem esperou quatro anos para recuperar cem euros no salário mínimo, agora em apenas um mês vai ter idêntico ganho de rendimento. Será uma diferença brutal na vida das famílias", defendeu, salientando que esta será mais sentida pelos que mais precisam.

Pegando num exemplo dado antes pela presidente da Câmara de Setúbal, Costa referiu que um casal deste concelho pode poupar mais de 200 euros mensais, que poderá investir noutras áreas.

"Um conjunto de famílias que hoje não tinham oportunidade de colocar os filhos no ensino superior, ganhou essa oportunidade", destacou, contabilizando que a poupança anual nos passes será suficiente para vários anos de propinas.

O primeiro-ministro apontou ainda que, além de facilitar as deslocações de casa para o trabalho de milhares de pessoas, a medida de redução tarifária poderá também ser usada nas famílias para diversificar os seus tempos de lazer.

"Podem vir a Setúbal comer um belíssimo choco frito, ir a Vila Franca de Xira comer umas magníficas enguias, podem ir provar queijadas a Sintra, ir comer ouriços do mar a Mafra, podem ir comer um gelado em Cascais", exemplificou.

A nível cultural, continuou, com o novo passe único -- que custará no máximo 40 euros -- será possível "ir ver uma peça de teatro em Almada, ver uma exposição em Lisboa ou visitar o parque nacional da Arrábida".

"Este é um momento para mim de grande felicidade, a maior frustração que tenho na minha vida política é nunca ter sido secretário de Estado dos Transportes", confessou, provocando risos na assistência da cerimónia que contou com vários autarcas da Área Metropolitana presentes e de diversos partidos.
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