Gerry McCann congratulou-se esta quarta-feira com a notícia de que o livro 'Maddie: A Verdade da Mentira', de Gonçalo Amaral, foi retirado das bancas.
Em conferência de imprensa, o pai de Madeleine leu um comunicado em que refere não existirem provas sobre a tese exposta na obra.
'Defender, como ele fez, que Madeleine está morta e que nós, como pais, estivémos de alguma forma envolvidos no desaparecimento causou à nossa família um enorme desgosto', sublinhou.
O Tribunal Cível de Lisboa mandou retirar o livro de Gonçalo Amaral 'Maddie: A Verdade da Mentira'. A decisão do tribunal partiu de uma providência cautelar interposta pelo casal McCann, em conjunto com os seus três filhos, Maddie, Sean e Amelie, que sempre defendeu a tese de rapto da sua filha que desapareceu a 3 de Maio de 2007 da Praia da Luz, em Lagos.
A editora Guerra e Paz terá de recolher todos os exemplares da obra existentes das livrarias e entregá-los aos advogados do Gerry e Kate McCann neste processo. Por cada dia que a decisão não seja acatada, está prevista uma multa de mil euros.
O Tribunal proibiu ainda a publicação de novas edições da obra, lançada há 14 meses por Gonçalo Amaral. De igual forma, o DVD com a reportagem da TVI sobre o livro está também proibido de ser vendido.
Gonçalo Amaral que dirigiu durante os primeiros meses a investigação ao desaparecimento de Maddie está ainda proibido de falar publicamente sobre o conteúdo do livro e do vídeo.
A decisão do Tribunal Cível de Lisboa carece ainda de ser confirmada em julgamento.
O corpo da menina, na altura dos factos com três anos, nunca foi encontrado. Sem pistas sobre o eventual desaparecimento ou homicídio da menina, o Ministério Público acabou por arquivar o processo em Julho de 2008, depois de o casal McCann ter sido constituído arguido em Setembro de 2007.
Esta decisão foi tomada pela juíza que em 2008 condenou o Estado português a pagar uma indemnização de 100 mil euros a Paulo Pedroso, no âmbito do processo Casa Pia.
175 MIL EXEMPLARES JÁ VENDIDOS
Contactada pelo CM, a editora Guerra e Paz assegura que ainda não recebeu qualquer comunicação formal para a retirada do livro em banca.
'Aquilo que sabemos é o que está a circular na imprensa. Não recebemos nenhuma notificação', disse da parte da Guerra e Paz Mário Sena Lopes. Por isso mesmo, o director editorial assegura que o livro 'Maddie: A Verdade da Mentira' continuará nas bancas até ordem contrária.
Até ao momento a obra de Gonçalo Amaral já vendeu 175 mil exemplares. Por contabilizar estão ainda as vendas da obra em Espanha, França, Itália, Alemanha, Holanda e Dinamarca. 'Estão a correr bem', acrescentou Mário Sena Lopes.
LIVRO OFENSIVO 'SÓ AO FIM DE UM ANO'
O advogado de Gonçalo Amaral disse à SIC que não comenta a decisão nessa condição, mas explicou que, enquanto cidadão, acha estranho que a providência cautelar surja agora, quando o livro está publicado há um ano.
“É estranho que só ao fim de um ano é que o casal McCann considere o livro ofensivo”, disse António Cabrita.
O advogado de Gonçalo Amaral defende que a decisão pode ter alguma coisa a ver com as notícias que dão conta das negociações para a tradução do livro para inglês e a sua consequente venda no Reino Unido.
“Não foi o faro nem as narinas do Gonçalo Amaral que detectaram o odor a cadáver”, referiu ainda.
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