Estudo da OCDE também revela dados alarmantes sobre abandono escolar.
Portugal é o segundo país da OCDE com a mais baixa taxa de fertilidade, depois da Coreia do Sul, mas o emprego entre as mães está acima da média, revela o estudo "Society at a Glance 2016".
A fertilidade em Portugal é de 1.23 filhos por cada mulher entre os 15 e 49 anos, enquanto a média dos 35 países da OCDE se situa nos 1.68 filhos, segundo o estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
Já a taxa de emprego entre as mulheres com filhos até aos dois anos de idade é superior à média da OCDE: "Para as mães com crianças mais pequenas, entre os zero e os dois anos, o emprego é de 70% comparado com a média de 53% da OCDE", refere o relatório "Society at a Glance 2016 -- A Spotlight on Youth".
A percentagem de jovens na sociedade portuguesa tem vindo a diminuir desde a década de 60 do século passado, tendo descido oito pontos percentuais.
Hoje, os jovens portugueses representam apenas 16% do total da população, refere o estudo que este ano decidiu dar um destaque à situação dos mais novos.
O documento revela ainda que os jovens foram os mais atingidos pela crise financeira de 2007/2008: entre 2007 e 2013 a pobreza atingiu 18% dos jovens e crianças portuguesas e 13% dos adultos e idosos.
Quando questionados sobre questões de saúde, em 2014, menos de metade dos portugueses disse sentir-se saudável, enquanto a média da OCDE se situa acima dos 70%.
No mesmo sentido, a satisfação com a sua vida também diminuiu com a crise financeira, uma situação que se registou em todos os países que sofreram com a crise. No entanto, os portugueses surgem como os mais desagradados dos 35 países da OCDE, com uma média de satisfação de 5,1 numa escala de zero a dez.
Apenas 23% dos portugueses disse confiar no Governo, enquanto a média da OCDE é de 42%.
As boas notícias são que a criminalidade baixou 20% desde 2008.
Além de terem cada vez menos filhos e mais tarde, Portugal também se destaca por ser o segundo país com menos casamentos realizados, só ultrapassado pela Eslováquia.
Abandono escolar muito elevado
O mesmo estudo da OCDE diz que Portugal é o país com mais jovens a abandonar precocemente a escola, logo a seguir ao México e à Turquia.
Na lista dos 35 países que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Portugal destaca-se negativamente na análise à situação do abandono escolar em 2014, com mais de um em cada três jovens a deixar os estudos antes do tempo.
"Esta é a terceira maior percentagem da OCDE, depois do México e da Turquia", revela o relatório, que lembra que entre os rapazes a situação é mais grave, com mais de 40% a abandonarem os estudos, ao passo que entre as raparigas a percentagem desce para 30%.
Em média, na OCDE, um em cada seis jovens entre os 25 e os 34 anos não concluiu o ensino secundário, sendo que os jovens com menos educação acabam por ser os mais atingidos pelas crises, alerta o estudo, que este ano decidiu destacar a situação dos jovens.
"Isto é particularmente verdade para Portugal, onde a maioria dos jovens, entre os 15 e os 29 anos, que ficaram desempregados tinham baixos níveis de formação académica", sublinha o relatório "Society at a Glance 2016 - A Spotlight on Youth", que analisou especificamente a situação dos jovens que não estudam nem trabalham (conhecidos como os "nem-nem").
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