Na terça-feira, decorreu a terceira operação policial desde julho de 2025 relacionada com alegações de tortura e violação por polícias de pessoas detidas na esquadra do Rato.
O sindicato dos oficiais de polícia considerou esta quarta-feira angustiante e perturbador o caso de violência policial na esquadra do Rato, em Lisboa, afirmando que é inédito na PSP e reflete a falta de chefias intermédias para um maior controlo.
"É completamente inédito", disse à Lusa o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia (SNOP) sobre a detenção na terça-feira de mais 15 polícias, o que eleva para 24 o número de elementos da Polícia de Segurança Pública envolvidos no processo de alegadas torturas e violações a pessoas vulneráveis como toxicodependentes, estrangeiros e sem-abrigo na esquadra do Rato, numa investigação denunciada pela PSP.
Bruno Pereira sustentou que, numa instituição com quase 160 anos, com cerca de 20 mil elementos e dezenas de milhões de interações todos os anos, "a avassaladora maioria dos polícias está na PSP verdadeiramente para servir e para defender aquilo que jurou, que é defender a Constituição e defender os direitos das pessoas", à exceção de uma ou outra situação isolada.
No entanto, o presidente do sindicato que representa a maioria dos comandantes e cargos de direção da PSP reconheceu que "um acontecimento desta natureza, com este relevo, com esta expressão, vai fazer uma nódoa muito grande naquilo que é a confiança das pessoas na instituição".
"Não podemos fazer de conta ou mandar para trás das costas como se fosse um caso mínimo, porque não é, tendo em conta o número de polícias que estão envolvidos. Todos eles são graves o suficiente para me deixar altamente angustiado e perturbado. Não posso negar que isto tem consequências danosas para o prestígio e a confiabilidade das pessoas nesta instituição", lamentou.
Explicando como foi possível este caso ter ocorrido alegadamente durante meses sem que tivesse sido detetado com maior rapidez, Bruno Pereira avançou que atualmente "o quadro de recursos humanos em termos de lideranças intermédias e superiores está altamente fragilizado e isso impede que haja um controlo, um escrutínio, uma sindicância efetiva e total".
"Temos comandantes de esquadra a acumular várias esquadras, temos falta de chefes, e portanto naturalmente isso terá necessariamente que se repercutir. Infelizmente repercutiu-se de forma mais avassaladora na esquadra do Rato, e aparentemente no Bairro Alto", disse, frisando que a falta de chefias intermédias acontece em várias esquadras do distrito de Lisboa.
Para o presidente do SNOP, "torna-se mais difícil assumir plena responsabilidade" quando se comanda duas ou três esquadras, como é o caso, mas já existiram outras situações "gritantes de subcomissários a acumular seis esquadras".
Outro dos fundamentos avançados pelo oficial da PSP poderá estar nos critérios e exames de acesso à profissão de polícia, embora considere que "aparentemente não tenham sido aligeirados", e pela falta nas esquadras de "estruturas de supervisão robustas" e da existência de polícias mais velhos que recebiam os novos agentes e acompanhava-os, enquadra-os, corrigi-os e integrava-os.
"Hoje temos muito poucos polícias com sete, oito, dez anos de polícia a fazer esse enquadramento, são cada vez menos e os poucos estão claramente a querer fugir da linha da frente, exatamente por tudo aquilo que é uma realidade intensa, exigente e que desgasta imenso", disse.
Como possíveis soluções para diminuir os riscos da violência policial, apontou a existência de 'bodycams', câmaras de videovigilância nas zonas comuns das esquadras e a criação de centros de processamento de detidos em que o polícia que faz a detenção não encaminha o detido para a esquadra.
Na terça-feira, decorreu a terceira operação policial desde julho de 2025 relacionada com alegações de tortura e violação por polícias de pessoas detidas na esquadra do Rato.
Na primeira, foram detidos dois agentes da PSP, de 22 e 26 anos, e que vão ser julgados por crimes de tortura, violação e abuso de poder, entre outros, determinou em 27 de abril de 2026 o Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.
Outros sete polícias foram detidos em março de 2026 e estão a aguardar em prisão preventiva o desfecho da investigação, que poderá ou não culminar numa acusação do Ministério Público pelos mesmos crimes.
Muitos desses abusos foram filmados e partilhados em grupos de WhatsApp com dezenas de outros agentes.
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