Procuradora do MP disse ter ficado convencida de que várias defesas concertaram posições.
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O juiz de instrução Carlos Alexandre decidiu esta quinta-feira levar a julgamento os 23 arguidos do processo sobre o furto das armas de Tancos, entre os quais Azeredo Lopes, ex-ministro da Defesa, nos exatos termos da acusação, segundo fonte da defesa.
O juiz Carlos Alexandre confirmou a acusação de Azeredo Lopes de denegação de justiça e prevaricação, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder e denegação de justiça, num processo que investigou o furto e a encenação do achamento do armamento furtado dos paióis de Tancos.
O processo de Tancos tem 23 acusados, incluindo o ex-ministro da Defesa, o diretor nacional da Polícia Judiciária Militar (PJM) Luís Vieira, o ex-porta-voz da PJM Vasco Brazão e o ex-fuzileiro João Paulino, que segundo o Ministério Público foi o mentor do furto, os quais respondem por um conjunto de crimes que vão desde terrorismo, associação criminosa, denegação de justiça e prevaricação até falsificação de documentos, tráfico de influência, abuso de poder, recetação e detenção de arma proibida.
Nove dos arguidos são acusados de planear e executar o furto do material militar dos paióis nacionais e os restantes 14, entre os quais Azeredo Lopes, que se demitiu do cargo político no seguimento do processo, e os dois elementos da PJM, da encenação que esteve na base da recuperação do equipamento.
O Ministério Público tinha pedido que todos os arguidos fossem a julgamento nos exatos termos em que foram acusados e o juiz concordou.
O caso do furto das armas foi divulgado pelo Exército em 29 de junho de 2017 com a indicação de que ocorrera no dia anterior, tendo a alegada recuperação do material de guerra furtado ocorrido na região da Chamusca, Santarém, em outubro de 2017, numa operação que envolveu a PJM, em colaboração com elementos da GNR de Loulé.
Azeredo Lopes reitera inocência
O ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes reiterou a sua inocência no caso de Tancos e considerou que a sua ida a julgamento era "mais do que previsível", tendo em contas o "histórico das partes processuais".
"A ser verdade o que está na comunicação social, uma vez que ainda não fui notificado, é uma decisão mais do que previsível, considerando o histórico das partes processuais", segundo Azeredo Lopes, numa declaração escrita enviada à Lusa.
Nove arguidos passam para prisão domiciliária
O juiz Carlos Alexandre colocou nove arguidos envolvidos no furto do armamento de Tancos em prisão domiciliária.
No despacho de pronuncia que leva todos os arguidos a julgamento, o juiz confirmou na integra os crimes de que os arguidos vinham acusado, mas aceitou a proposta do Ministério Público para agravar a medida de coação, para prisão domiciliária, a nove suspeitos de envolvimento no furto do material de guerra, dos paióis nacionais de Tancos.
Os arguidos que vão ficar agora com Obrigação de Permanência na Habitação são João Paulino, Valter Abreu, Filipe de Sousa, António Laranginha, João Pais, Fernando Santos, Pedro Marques, Gabriel Moreira, Hugo Santos.
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