Gestão racional dos recursos e preservação da biodiversidade é também prioridade.
A vice-presidente de Angola considerou esta sexta-feira, no Lubango, província da Huíla, que a crise climática, a poluição dos oceanos, com foco para a problemática dos plásticos, devem ser prioridade para a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Esperança Costa, que procedeu à abertura da IX Reunião de Ministros de Ambiente da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), referiu que Angola tem cada vez mais priorizado as questões ambientais nacionais e internacionais, bem como a gestão racional dos recursos e preservação da biodiversidade.
A dirigente angolana salientou que Angola, no sentido de contribuir para os esforços globais, aprovou a Estratégia Nacional para as Alterações Climáticas, que estabelece uma visão até 2030, de redução de emissões, que está a ser implementada com a diversificação energética, com o objetivo de assegurar a adaptação do território nacional e contribuir para o esforço mundial de combate às suas causas.
Segundo Esperança Costa, a gestão racional dos recursos e preservação da biodiversidade é também prioridade, e com o compromisso de expandir as áreas de conservação ambiental foram aumentados os parques naturais nacionais.
A governante angolana citou a Floresta de Maiombe, uma iniciativa de proteção transfronteiriça para a qual Angola continua a envidar esforços para dinamizar planos de ação que se insiram nos esforços da iniciativa Africana Climática de Preservação da Bacia do Congo, para o alcance das Metas da Agenda Global para Biodiversidade Pós-2020.
"Angola possui cerca de 1.650 quilómetros de costa marinha na região do oceano Atlântico e reconhecendo a importância estratégica dos mares e oceanos para a Humanidade, enquanto fonte de vida, suporte dos ecossistemas, reguladora do clima, fonte de emprego, reserva de água e pilar fundamental para a sustentabilidade da nossa civilização, Angola aprovou em 2022 a Estratégia Nacional para o Mar, cuja visão inclui um desenvolvimento inclusivo, sustentável, competitivo, alicerçado no conhecimento científico, na qualificação dos recursos humanos e em infraestruturas de suporte, potenciando a economia azul", realçou a vice-presidente angolana.
Entre as prioridades que devem continuar a merecer atenção dos Estados-membros da CPLP, Esperança Costa apontou a crise climática, a poluição dos oceanos, a poluição por plástico, a perda de habitats e o declínio da biodiversidade.
"Permitam-me recordar que os Estados-membros da CPLP possuem a primeira e segunda maiores florestas tropicais do mundo, com as florestas da Amazónia, no Brasil, e a Floresta do Maiombe, em Angola, ricas em recursos faunísticas e florísticos, ricos ecossistemas fundamentais para a manutenção da vida", disse.
"E em comum para além da língua e de uma forte base cultural, da história, possuem uma identidade marítima que entre os Estados costeiros e Estados insulares, sob as respetivas jurisdições, perfazem no seu conjunto mais de 7,5 milhões de quilómetros quadrados, uma elevada extensão do grande sumidouro de carbono, mas também uma importante plataforma para fomentar a concertação política e diplomática, para a cooperação para uma governação sustentável deste potencial nos países da CPLP", acrescentou.
A vice-presidente de Angola augurou que na reunião, os ministros do Ambiente da CPLP, à luz do crescente apelo à ação para deter a crise ambiental global, se debrucem sobre o nexo florestas, energia e meios de subsistência e assumam compromissos pragmáticos para fortalecer a cooperação científica e técnica, bem coordenem ações que permitam a preservação da biodiversidade, a redução da emissão do carbono, por via da aposta em fontes de energias alternativas, que são o garante da sobrevivência do planeta.
Na sua intervenção, a ministra do Ambiente angolana, Ana Paula de Carvalho, realçou que Angola é parte de vários compromissos internacionais ligados à sustentabilidade ambiental, tendo em resposta aos compromissos assumidos aprovado vários instrumentos de trabalho, entre os quais a Estratégia Nacional de Educação Ambiental, a Estratégia Nacional para as Alterações Climáticas e o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola.
"Angola reafirma a importância do reconhecimento legal junto das Nações Unidas do Clima Estável, como 'Património Comum da Humanidade' e apelamos à ação concertada da CPLP no fomento desse debate à escala internacional", disse a ministra angolana.
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