Dentro de três a cinco anos, quando atingir uma faturação na ordem dos 50 milhões de euros, a bolsa é o horizonte. “Os alvos identificados são muito grandes, desde que existam parceiros financeiros”, refere Paulo Veiga
Em 1991, Paulo Veiga era estudante no ISEG quando, num estágio pela AIESEC, associação internacional de estudantes de economia e finanças, em Madrid, descobriu o modelo de outsourcing de arquivo. Viu uma oportunidade de negócio, uma vez que, com as alterações fiscais introduzidas entre 1986, data de entrada na Comunidade Económica Europeia, e 1989, que abrangeram o IVA, o IRC e as sociedades comerciais, os prazos de conservação dos documentos das empresas e dos organismos públicos passaram de cinco para dez anos.
“Ao mesmo tempo, no início dos anos 90, o preço por metro quadrado, pela primeira vez, nos grandes centros urbanos, explodiu”, recorda Paulo Veiga, CEO do Grupo EAD, a Miguel Frasquilho, no programa Economia Sem Fronteiras, no canal Now.
Em maio de 1993, nasceu a Empresa de Arquivo de Documentação (EAD), fundada com mais dois colegas de faculdade, e, meses depois, arrendaram o primeiro armazém, no Barreiro. Hoje, trabalham para blue chips, empresas cotadas e grandes multinacionais, desde a banca às utilities e telecomunicações, bem como para muitos organismos do Estado e do setor público e, cada vez mais, para PME.
A EAD tem vindo a aumentar o seu volume de negócios tanto através de aquisições como por crescimento orgânico. “O que aprecio é olhar para boas oportunidades. Se me apresentam uma empresa com um determinado potencial e que, na nossa oferta de produtos e serviços, encaixa bem, olho para ela com toda a atenção”, refere Paulo Veiga.
Mas, por outro lado, “se a nossa equipa de investigação e desenvolvimento nos propõe usar RPA (Robotic Process Automation) ou programar com o Codex, abraço todas essas iniciativas. Hoje, o importante, quando estamos rodeados de pessoas melhores do que nós, é deixá-las brilhar, porque nós brilharemos no fim”, afirma. Justifica que é a inovação e o acompanhamento da evolução da internet e das novas tecnologias que permitem o crescimento orgânico.
A sua grande ambição é realizar um IPO do Grupo EAD em bolsa, dentro de três a cinco anos, quando atingir uma faturação na ordem dos 50 milhões de euros. “Os alvos identificados são muito grandes, desde que existam parceiros financeiros”, considera Paulo Veiga.
Os resultados do Grupo EAD, medidos pelo EBITDA, cresceram de quase 2 milhões de euros, em 2019, para 3,8 milhões de euros, em 2024, um crescimento de cerca de 90%, tendo em 2025 registado uma ligeira queda para 3,1 milhões de euros. Paulo Veiga explica esta descida com decisões de gestão, nomeadamente o alinhamento das equipas e das carreiras após as aquisições, o que se refletiu em despesas extraordinárias. O número de colaboradores aumentou 235% entre 2019 e 2025, passando de 97 para 325, dos quais 13% em Espanha.
“Foi uma decisão de gestão, não um problema operacional. Aliás, o primeiro trimestre deste ano já confirmou o nosso orçamento de 4 milhões de euros”, explica Paulo Veiga, acrescentando que “controlamos muito bem os nossos rácios de dívida e EBITDA e, portanto, podemos alavancar-nos na banca para realizar integrações, quer operacionais, quer de upselling e cross-selling na Ibéria”.
Paulo Veiga cita ainda um antigo gestor da IBM, que dizia que a empresa, das 18h às 9h, não valia nada. “Entre as 9h e as 18h, vale muito, e o que faz essa diferença são as pessoas. A nossa missão é tratá-las bem, gerir as suas expectativas, premiá-las e dar-lhes oportunidades de crescimento e de carreira”. Por isso, a EAD tem uma equipa de seis pessoas dedicada à gestão de pessoas. Salienta ainda que procuram “aprender com as culturas das empresas que compramos, porque a nossa cultura não é perfeita. Nunca vamos agradar a todos, mas queremos agradar à maioria, e isso temos conseguido. Repare que nem a Covid-19 teve impacto, quer nas receitas, quer no EBITDA”, asseverou Paulo Veiga.
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