A EAD tentou internacionalizar-se em mercados como a Polónia e a Roménia. Não correram bem, mas não desistiu. Em 2023, começou a fazer aquisições em Espanha, mercado que já representa 13% do seu volume de negócios
“As empresas são resultado da ambição dos seus líderes, ou dos seus fundadores, e a minha ambição é do tamanho do mundo. Às vezes, tenho pena de ter nascido num país com um mercado interno tão pequeno e de só ter chegado agora onde chegámos. Se fosse nos Estados Unidos, teria chegado muito mais cedo, porque é um mercado bastante mais dinâmico”, sublinha Paulo Veiga.
As primeiras tentativas de internacionalização foram, no entanto, importantes lições de aprendizagem do negócio. Paulo Veiga relembra que queria entrar na Polónia. “Como economista que sou, fiz um estudo macro e, de facto, a Polónia era um mercado interessante, como se vê hoje pela força da economia polaca. A partir de 2014 comecei a trabalhá-lo a sério. Fomos para a Polónia, estivemos para comprar duas empresas, mas não conseguimos concretizar nenhuma aquisição”, explica.
Mudaram então o foco para um mercado próximo, a Roménia. Em 2017, tentaram adquirir duas empresas, “mas pareciam as empresas portuguesas dos anos 1980. Não havia controlo documental nem registos, não era possível avaliar nem entrar no mercado através de aquisições”.
Dois anos depois, “fundámos na Roménia uma empresa de back-office, de digitalização e tratamento da informação em formato digital. Veio a Covid-19, em março de 2020, e não conseguimos fazer crescer a empresa. Nunca entendemos bem aquele mercado. Ficava longe, a TAP deixou de ter voos diretos e os voos da Ryanair chegavam às quatro da manhã. Depois, o nosso CEO teve um AVC e percebi que a empresa não valia nada sem ele. É uma pessoa brilhante, felizmente recuperou, está tudo bem, e acabámos por fechar a empresa e regressar”.
No regresso, o olhar recaiu sobre um mercado mais próximo, Espanha. Em 2023, foram abordados por uma grande consultora que estava a promover a venda da Delete Gestión Documental Integrada. “Ao princípio, queríamos ignorar o tema, mas o meu advogado, que esteve comigo desde a fundação da empresa, disse, ‘acho que era melhor o Paulo olhar para o negócio’. Olhei e apaixonei-me pela empresa, pelo nome e pelas pessoas”, conta Paulo Veiga.
Como a experiência foi bem-sucedida, no ano seguinte avançaram para a aquisição da DID, em Pontevedra. “Neste momento, queremos comprar um dos três grandes operadores em Espanha. Estamos na luta, mas é algo sério, um bocadinho como David contra Golias”, afirma.
As receitas do Grupo EAD cresceram de 5,8 milhões de euros, em 2019, para quase 18 milhões, em 2025, o que representa um crescimento superior a 200%, com Espanha a representar 13%. Neste período, marcado por várias aquisições, além das empresas espanholas, foram também adquiridas em Portugal a Papiro e a Fernandes e Canhoto, em 2020 e 2021, respetivamente.
Paulo Veiga considera que estas oportunidades surgem porque “somos, por natureza, compradores de empresas. Hoje, o mercado reconhece-nos”. Em 2017, adquiriram a Fin-Prisma e, nos anos 90, compraram uma pequena concorrente, a GestArquivos. “Temos tido essa capacidade de ir alavancando também o nosso negócio”, concluiu Paulo Veiga.
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