Morreu a pintora Paula Rego. Tinha 87 anos

Informação foi revelada por fonte próxima da família.

08 de junho de 2022 às 12:04
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A pintora Paula Rego, uma das mais aclamadas e premiadas artistas portuguesas a nível internacional, morreu na manhã de hoje em Londres, aos 87 anos, disse à agência Lusa fonte próxima da família.

De acordo com o galerista Rui Brito, a artista "morreu calmamente em casa, junto dos filhos".

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Paula Rego nasceu em 1935, numa Lisboa sob o regime de António Oliveira Salazar. Filha de antifascistas, foi enviada para Inglaterra aos 16 anos, uma vez que os pais queriam que vivesse num país liberal. Estudou na Slade School of Art, em Londres, entre 1952 e 1956, e foi aí que conheceu Victor Willing, por quem se viria a apaixonar e com quem casaria em 1959.

Depois de se formar, a artista e a família passaram a dividir o seu tempo entre Portugal e o Reino Unido e em 1972 estabeleceram-se em definitivo em Londres, onde a artista continua a residir.

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Paula Rego tornou-se a única artista mulher do grupo da Escola de Londres e distinguiu-se por uma obra fortemente figurativa e literária, considerada incisiva e singular pela crítica de arte. A pintora é reconhecida pela forma como influenciou a arte figurativa britânica e "revolucionou" a forma como as mulheres são representadas, através de telas como a série "Mulher Cão", dos anos 1990. Contadora de histórias exemplar, a artista criou um universo pictórico só seu, repleto de personagens misteriosas e cenários surreais.

Em 1988, no ano em que o marido morreu, Paula Rego expôs a solo na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e no Museu de Serralves, no Porto. O reconhecimento público no Reino Unido chegou nesse mesmo ano com uma exposição na Serpentine Gallery, em Londres, seguindo-se uma residência na National Gallery, em Londres.

Paula Rego cimentava, assim, a sua carreira e afirmava-se como uma grande artista contemporânea. No ano de 2010, foi distinguida pela rainha Isabel II com o grau de Dama Comandante da Ordem do Império Britânico, pela sua contribuição para as artes.

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Em Portugal, Paula Rego foi elevada a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada pelo presidente Jorge Sampaio, em 2004, e no ano de 2009 viu nascer em Cascais a Casa das Histórias, inteiramente dedicada à sua obra.

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