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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Camões era a Poesia

Campeão de natação e caçador, atleta da Académica e adepto do Benfica, poeta e prosador, resistente clandestino e quase Presidente da República... Manuel Alegre é o autor em destaque a pretexto de um livro para os mais pequenos sobre o nosso poeta maior: ‘Barbi- Ruivo - O meu primeiro Camões’ (ed. D. Quixote).

21 de dezembro de 2007 às 00:00

“A editora tem uma colecção de iniciação aos grandes escritores e, porque muita da minha poesia tem a ver com a leitura de Camões e a marca camoniana, convidou-me... Como digo no livro, aprendi os primeiros versos de ‘Os Lusíadas’ muito antes de saber ler e, não muito depois, anunciava triunfante que ia ser eu a escrever a continuação”, conta.

Nesta história universal, feita de muitas histórias pessoais, Alegre recorda esses primeiros versos aprendidos de cor com o pai e, com uma tia--avó, um primeiro soneto de que não compreendia o sentido mas gostava da música... “Camões revelou-me o ritmo da Poesia e a música da Língua Portuguesa. Como disse Cesariny, e muito bem, Camões fundou a Língua que nós hoje escrevemos e falamos: há um Português antes e depois dele. Para mim Camões era a Poesia e recordo até hoje a impressão que me ficou de o símbolo da Pátria ser um poeta”, revela.

Memórias são memórias e, aproveitando as de Luís de Camões, revisitámos as de Manuel Alegre, sobretudo, as de Natal, fazendo justiça à quadra.

“Eram Natais de família, em Águeda ou em Anadia, onde éramos muitos: primos, tias, tias-avós... Recordo festas de família a comer as coisas tradicionais: o bacalhau, a filhós, o peru mas do que eu gostava mais era dos presépios da minha avó, aliás, já escrevi um conto sobre isso (‘Uma Estrela’, 2006). Nunca vi presépios como os da minha avó: tão fantásticos e tão completos. Um dia, com tempo e paciência, hei-de fazer um assim para os meus netos, dois gémeos de três anos, a quem dedico o livro”, promete.

A tradição já não é o que era mas o autor de ‘Praça da Canção’ (1965), um resistente, não desarma.

“Eu gosto muito do Natal mesmo sem a sobriedade, a contenção e a austeridade dos Natais da minha infância. E, este Natal, lá vamos todos para Águeda, onde mantemos a casa de família, onde nasci, refeita por causa das cheias. Somos cada vez mais em menos espaço porque a casa é grande mas não estica”, ironiza.

De regresso aos livros, em Janeiro, é reeditado em formato de bolso ‘Alma’, original de 1995, onde se passa revista ao passado do poeta.

“Toda a literatura tende para a biografia. Não há ficção sem memória. Em ‘Alma’ há uma grande vivência da minha infância mas, sobretudo, deste país naquele tempo. Do Portugal do pouco”, diz.

Político activo, da sua campanha às Presidenciais de 2006 ficou livro feito por personalidades várias: “O ‘Conseguir o Impossível’ foi publicado há uns meses e tem o meu prefácio. O resto sabe-se”, resume.

Para começar e acabar em grande, venham poetas. E o melhor livro de poesia contemporânea, segundo Manuel Alegre, é... “O ‘Clepsidra’ do Pessanha é um grande livro, um dos meus preferidos e um dos melhores de sempre”, conclui.

NATAÇÃO OU CAÇA

“Cada vez mais a caça até porque gosto do que há nela de comum com a escrita: da procura do inesperado, da surpresa, do tiro difícil... E, depois, tudo nasceu da caça!”

ACADÉMICA OU BENFICA

“Benfica só sob reserva porque, num Académica-Benfica, sou pela Académica por muito que custe mas... Todos por lá passámos: o meu avô e o meu pai, eu e os meus filhos.”

PROSA OU POESIA

“A boa poesia e a boa prosa mas em primeiro lugar a poesia... ‘A poesia não se explica, implica’, como dizia a Sophia.”

POLÍTICA OU RELIGIÃO

“A Religião, ou melhor, o sentimento religioso que é de todos, crentes e não crentes. Só os mistérios da vida são essenciais.”

FILOSOFIA DE VIDA

"Uma vida intensa, densa e tensa.”

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