Edifício histórico pertence à Sociedade Nacional de Belas Artes, que não têm meios para proceder à recuperação.
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Exemplar raro da arquitetura modernista, estilo Bahaus, e testemunho maior da obra de um dos maiores escultores portugueses, a Casa- Museu João da Silva, situada no Príncipe Real, em Lisboa, e doada em testamento pelo artista e pela mulher, Maria do Pilar, à Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), está há anos votada ao abandono, apesar dos protestos da vizinhança e do desejo da comunidade artística.
O atelier João da Silva foi, juntamente com todo o seu acervo, legado à SNBA, por testamento, em agosto de 1952, época em que a sociedade se encontava encerrada por ordem do Estado Novo. Todavia, o usufruto da casa e do acervo pertencia a Gabriela Silva, filha do escultor, que faleceu aos 94 anos, dando origem a um litígio em tribunal quanto ao direito e acesso à coleção que apôs a SNBA e terceiros. A ação entrou nos tribunais em 2003 e só terminou em 2018, por acordo judicial entre as partes litigantes, permanecendo o legado nas mãos da sociedade Contudo, durante todo este tempo, tudo esteve ao abandono. Os vizinhos temeram "incêndios", "pilhagens", "desvio do espólio" e que "interesses imobiliários" se sobrepusessem à última vontade do escultor. Deram conta das suas preocupações à SNBA e à Junta de Freguesia de Santo António, onde a situação "nunca foi alvo de discussão", garantiu Miguel Cisneiros, morador e um dos autores da participação.
O CM contactou a SNBA, que explicou que o espólio e o edifício atravessam neste momento situações distintas. "O acervo está desde 2024 detalhadamente inventariado", processo "financiado pela sociedade após resolução dos litígios em tribunal" e levado a cabo "por uma bolseira de doutoramento, Arlinda Fortes". O resultado já se encontra publicado. "Constam do espólio artístico 748 desenhos, 585 esculturas e 515 peças na categoria da medalhística. A maioria será de João da Silva, mas algumas peças são naturalmente de outros artistas. Entre os variados documentos estão ainda 582 fotografias", informou ainda a SNBA, que reconhece que toda esta vasta coleção esteve em perigo até 2018. Desde então, porém, muitas das peças foram restauradas e salvaguardadas das mais diversas formas. "Há mais de quatro anos, todo o legado artístico está reservado em caixa-forte de atmosfera controlada e monitorizada em 24/24 permanência, seguindo as condições mais exigentes de acondicionamento e arquivo, na sede da SNBA", esclareceu.
Todavia, continua por resolver o problema do edifício. A SNBA diz estar empenhada em honrar a vontade do testamentário, "através de uma solução de reconstrução do edificado que cumpra o seu desejo: reabrir o atelier como Museu João da Silva recuperado, com um programa museológico digno". Todavia, "enquanto associação de artistas, não dispõe dos meios necessários para uma reabilitação do edifício, que está degradado, pelo que, a par com um programa de reabilitação, procura também os apoios junto de entidades parceiras".
Escultor destacou-se como medalhista e joalheiro
João da Silvaa nasceu em Lisboa no dia 1 de dezembro de 1880 e morreu na mesma cidade a 6 de março de 1960. Distinguiu-se como escultor, medalhista e joalheiro. Do seu espólio “constam 748 desenhos, 585 esculturas e 515 peças na categoria da medalhística. A maioria será do próprio, mas algumas peças são de outros artistas”. Entre os vários documentos arquivados pela SNBA constam ainda 582 fotografias.
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