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E tudo o vento levava...

Estavam decorridos pouco mais de 30 minutos de espectáculo quando um coro de vozes insatisfeitas interrompeu Caetano Veloso. “O que é isso! Um protesto político? Alguém me pode explicar o que está acontecendo? Não estou entendendo”, retorquiu aflito o cantor.

04 de agosto de 2006 às 00:00

A verdade é que o vento que se fez sentir anteontem à noite na Praça do Museu, no Centro Cultural de Belém, foi tão forte que a voz e as palavras do músico estiveram quase imperceptíveis durante a primeira meia hora de espectáculo. “Não posso fazer nada. Disseram-me que o vento ia amainar assim que o sol se pusesse. Continuo à espera. Não é fácil cantar contra o vento”, explicou-se o músico.

Fonte do CCB, contactada ontem pelo CM, revelou que, devido ao vento, toda a acústica teve de ser mudada durante o próprio espectáculo mas garantiu que apesar de algumas reclamações recebidas nenhum elemento do público exigiu a devolução do valor do bilhete.

Caetano Veloso, porque é Caetano Veloso, soube dar a volta ao texto e até acabou a brincar com a situação. Quase no final e quando todos entoavam o refrão de ‘A Luz de Tieta’, o cantor brincou: “Vamos cantar mais uma vez para o cara lá atrás que não ouve nada.”

Contingências atmosféricas à parte, Caetano Veloso ofereceu um espectáculo intimista, apenas com violão, que só pecou por escasso (um hora e 20 minutos). Ao seu melhor nível entrou em braços e saiu em ombros.

Há uma música de Adriana Calcanhoto na qual a compositora canta “Vamos Comer Caetano (...) devorá-lo cru, pela frente e pelo verso (...) Vamos desfrutá-lo, degluti-lo e mastigá-lo”. E assim foi. Um banquete ao ar livre que o vento quase levava. No final soube a pouco.

'PAZES' FEITAS COM O PÚBLICO

Se pazes havia para fazer com Caetano Veloso, que no seu último grande espectáculo no nosso país, no Pavilhão Atlântico, e perante dez mil pessoas, oferecera um concerto cantado maioritariamente em inglês, o que lhe valeu uma monumental vaia no final, as dívidas ficaram todas saldadas.

Anteontem, o músico recuperou os grandes temas da sua carreira, cantou e deu a cantar êxitos que já são de todos nós, entre as quais ‘Leãozinho’, ‘Menino do Rio’, ‘Terra’, ‘Coração Vagabundo’, ‘Não Enche’, ‘Sampa’, ‘Eu Sei que Vou te Amar’ ou ‘Você é Linda’.

Pelo meio quase cantou fado em português perfeito numa canção dedicada a Lisboa e que normalmente não faz parte do alinhamento dos seus espectáculos – ‘Confesso’ de Frederico Valério e José Galhardo – e interpretou o majestoso ‘Cucurucucu Paloma’.

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