Katia Guerreiro vai mudar de imagem

Artista renasce "mais jovem"
Por Ana Maria Ribeiro|07.09.14
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Katia Guerreiro vai mudar de imagem
Foto Pedro Catarino

Correio da Manhã - Este ano teve umas férias diferentes… dentro de um estúdio de gravação, a preparar um novo disco?

Katia Guerreiro – É. Toda a gente foi para a praia, supostamente quando a praia é melhor, em agosto… Mas houve tanto vento. Em vez disso viemos para aqui, para o Estúdio de Paços d’Arcos. Já era tempo de gravar. Tive um compasso de espera demasiado grande. Até já queria ter gravado este disco mais cedo. 

Entretanto veio um bebé…

O bébé já foi há quase dois anos. Não, preferi esperar pelo Tiago [Bettencourt]. Tinha de dar tempo para que ele acabasse de gravar o disco dele, e que tivesse tempo para o promover, para fazermos isto com calma.

Porquê a escolha do Tiago Bettencourt para produzir o álbum, ainda sem nome?

Porque ele é um pouco a minha alma gémea noutra área musical. Para além da sensibilidade que tem, dá uma importância grande às palavras, como eu dou. Percebe a minha intensidade interpretativa. O Tiago, além de um extraordinário músico, compositor e letrista, é também um homem de uma delicadeza extrema. Sou fã dele, para além de amiga.

O público talvez estranhe a escolha…

As pessoas ficam sempre surpreendidas quando eu pareço fazer qualquer coisa fora do baralho. Mas se refletirem, isto faz sentido. O Tiago gosta muito de fado. Ouve fado desde miúdo e frequentava casas de fado.

Depois de cinco anos sem gravar, este é o disco com que vai celebrar 15 anos de carreira, que se assinalam em 2015?
Não estou a pensar nos 15 anos. Estou a pensar no meu oitavo disco, que, no fundo, corresponde à vontade de fazer coisas novas. Tive um interregno que teve imensos factores causadores. Um deles foi o nascimento da minha filha, o outro foi ter gravado um DVD ao vivo no Olympia que demorou algum tempo a sair… Este disco já estava alinhavado na minha cabeça há algum tempo.


O que pode o público esperar deste trabalho?
Neste disco, sinto que já não tenho nada a provar a ninguém. Preciso é de me libertar dos vícios de palco, das muitas horas de estrada, de muitas horas de público. Preciso de voltar ao recolhimento que tinha no início da carreira, com os dois primeiros discos, e que fui perdendo, naturalmente, com o permanente repetir das canções. Neste disco, precisava que as coisas voltassem a ser leves.

Foi difícil escolher os temas? São doze?
É sempre difícil escolher os temas, escolher os poetas. São 12 mais um. Há um tema extra que escrevi e quero deixar neste disco. Compus letra e música para a minha filha. Já tinha escrito coisas que gravei, já tinha feito músicas em conjunto. Mas escrever uma letra e uma música sozinha – o que me aconteceu em 20 minutos – nunca tinha acontecido. É uma estreia para mim.

Ouvi dizer que vai mudar de imagem?
Vou mudar, sim. Este é um momento de muitas mudanças. Quero fazer passar todo o processo de transformação interior por que passei nestes últimos cinco anos. Que foram anos intensos, anos muito cheios. Quero partilhar isso. Vai nascer uma nova Katia. Uma Katia mais leve, mais jovem.

Neste momento, 90% dos seus concertos são fora do País…
Tem sido assim já há alguns anos. Não porque não tenha reconhecimento cá dentro, as solicitações são imensas, o problema é que há incompatibilidade de agendas. Quando nos pedem uma data para cá, já está ocupada com um concerto marcado para o estrangeiro. Este ano até tive muitas solicitações em Portugal. Nem estava à espera, dada a contenção nos orçamentos.

Neste disco haverá textos de Sophia de Mello Breyner…
Do Paulo de Carvalho, que me fez um tema lindíssimo. Pedi-lhe há muitos anos para fazer uma coisa para mim, mas ele tinha receio. Não se sentia capaz de entender as minhas emoções em relação ao tema. Passados anos, disse que tinha entendido e que o tinha feito. O tema emocionou-me muito.

Há também um poema do Vasco Graça Moura…
Há mais de oito anos que o Vasco me mandou uma série de poemas, com grande amargura, porque eu nunca tinha gravado nenhum poema dele, coisa que ele muito desejava. Escreveu esses poemas para mim. Na altura, não consegui realizar aquela vontade dele. Tencionava fazê-lo no oito álbum, mas entretanto engravidei. Houve circunstâncias que adiaram isto…

O Vasco Graça Moura adoeceu.
Sim. Volta e meia íamos falando, eu disse-lhe que já tinha entregue os poemas para musicar, mas nunca imaginei que pudesse morrer tão cedo. Sobreviveu à doença durante tantos anos... O tema ficou pronto – foi o Tiago Bettencourt que fez a música – e, na semana a seguir, a minha mãe diz-me que o Vasco tinha morrido. Não podia ter ficado mais triste, mais magoada.

Já interpretou a canção?
Por coincidência, passado umas horas liga-me o Rui Vieira Nery para me dizer que ia haver uma cerimónia reservada na Basílica da Estrela e a perguntar-me se eu queria cantar. Não só aceitei, como fui cantar o poema. Sei que o Vasco me ouviu e que ficou feliz. E a beleza do tema faz muita justiça ao poema. É belíssima. É como se não houvesse mais nada para cantar. Vou estrear o tema, ao vivo, na próxima edição do Caixa Alfama, dia 19 de setembro. Chama-se ‘Até ao Fim’.

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