Quinteto português dedicado aos sons mais duros do rock passam esta segunda-feira pelo Hard Club, no Porto, e terça-feira atuam em Lisboa no Capitólio.
Há muito que os Moonspell se confirmaram como o grupo português mais internacional de todos os tempos, e logo num estilo tão específico como é o ‘heavy metal’.
A 24 de outubro iniciaram na Alemanha uma extensa digressão para a derradeira apresentação ao vivo de ‘1755’, com 50 datas em 53 dias, que irá correr a Europa de lés a lés.
A banda sobe esta segunda-feira à noite, ao palco do Hard Club, no Porto, e terça-feira, no Capitólio em Lisboa, com os bilhetes a custarem 25 euros.
Fernando Ribeiro explica ao Correio da Manhã o que está preparado para estas duas noites infernais.
Esta é, talvez, a digressão internacional mais extensa de um grupo português. Em comparação, apenas Amália Rodrigues e Madredeus podem pedir meças aos Moonspell…
É, sem dúvida, uma prova de superação. Entrámos noutra idade com a banda e temos outras responsabilidades.
A digressão era para ser bastante mais curta mas foram sendo acrescentados concertos atrás de concertos até chegarmos às 50 datas.
Claro que esta digressão épica, que é com indisfarçável orgulho que a fazemos, apoia-se em ‘1755’, um disco cantado totalmente em português.
Era algo impensável há alguns atrás?
Esperávamos ter sucesso em Portugal – foi o disco de ‘heavy metal’ mais vendido no País em entre 2017 e 2018 – e no Brasil.
Pelos vistos, os nossos fãs internacionais também exigiram que esta tourné passasse por toda a Europa.
Sabendo que as atuações são cantadas quase exclusivamente em português, como é que os "nativos" dos países por onde já passaram têm reagido?
Acho que, quando anunciámos o ‘1755’ totalmente cantado na nossa língua, numa decisão nossa muito arriscada, o que ficou na retina foi o facto de ser um trabalho conceptual histórico.
Agora, como este trabalho em palco assenta bastante numa perspectiva e num cenário teatrais de contar histórias, permite aproximar ainda mais as pessoas que nos veem ao vivo.
No entanto, posso dizer que o terramoto de Lisboa é, há muito tempo, muito mais famoso do que os Moonspell (risos).
Por exemplo, o primeiro elogio que tivemos, quando anunciámos que íamos concretizar este disco, foi de um geólogo norte-americano.
"Não acredito que um dos meus grupos preferidos esteja a fazer um disco com o meu terramoto preferido."
Acredita-se que os espetáculos no Porto e em Lisboa irão ser atuações que ficarão na memória. Prepararam algo de especial para estas duas noites?
Os nossos concertos em Portugal são sempre especiais para nós, e ainda por cima surgem logo no início da segunda semana da digressão para nos darem aquele "empurrão" de energia de que precisamos para andarmos na estrada.
É claro que ambas as atuações não serão apenas sobre ‘1755. Vamos também recuperar os nossos clássicos, assim como alguns temas do álbum ‘Sin/Pecado’, que será reeditado no próximo mês em CD e vinil.
E o que será o futuro próximo dos Moonspell quando terminarem a digressão europeia a 15 de dezembro. Começar a trabalhar num novo álbum?
Vamos levar o nosso tempo, sem pressas. Estamos a gravar as primeiras maquetes das novas canções e não vamos tocar nada de novo na tourné, também porque queremos fazer algumas coisas diferentes. Começar a tocá-las já nestes concertos seria, por isso, um pouco prematuro.
Há já alguma data prevista para o lançamento?
Nunca acontecerá antes do segundo semestre do próximo ano, principalmente porque já precisamos de material novo. O ‘Extinct’, que antecedeu ‘1755’ já tem quatro anos…
E será esse disco que queremos pegar para desenvolver os próximos temas; será um pouco a nossa base.
Vai ser incluído algum tema cantado em português, como tem sido vossa tradição?
Ainda não sabemos, também porque uma das nossas tradições é também fazermos coisas aparte do que anteriormente fizemos. Do meu lado, ainda não escrevi nenhuma letra em português, mas é ainda demasiado cedo para alguma coisa estar "fechada".
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