Tinha 66 anos.
A poetisa Ana Luísa Amaral, investigadora e professora aposentada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), morreu esta sexta-feira aos 66 anos vítima de doença prolongada.
Em comunicado, a Universidade do Porto que avançou a notícia, lembrou a poetisa "considerada uma das mais notáveis poetisas portuguesas da atualidade, distinguida com vários prémios literários nacionais e internacionais" como "uma autora extraordinária, uma académica distinta e uma cidadã empenhada".
"A sua obra literária irá certamente garantir que o nome de Ana Luísa Amaral perdurará para todo o sempre, mas quem teve o privilégio de a conhecer de perto terá a memória de uma pessoa generosa e uma ativista dedicada às causas da igualdade e da solidariedade social", reforçou o Reitor da Universidade do Porto.
Distinguida com vários prémios literários nacionais e internacionais, Ana Luísa Amaral nasceu em Lisboa em 1956, mas cedo adotou o Porto e Leça da Palmeira, em Matosinhos, como residência.
A 28 de julho foi anunciado que a Feira do Livro do Porto, que decorrerá entre 26 de agosto e 11 de setembro, nos Jardins do Palácio de Cristal, vai celebrar a poeta e tradutora Ana Luísa Amaral, e terá como mote "Imaginar e Agir".
Ana Luísa Amaral, "uma das mais relevantes poetisas da atualidade", aborda, na sua obra, traduzida para diversas línguas, "a memória e vindicação do feminismo português", destacou o júri do prémio Vergílio Ferreira 2021, presidido pelo espanhol Antonio Sáez Delgado, que considerou a escritora "uma das mais importantes vozes das letras portuguesas das últimas três décadas".
Há dois anos, a associação das Livrarias de Madrid deu o prémio de Livro do Ano, na área de Poesia, à edição espanhola de "What's in a name", da escritora portuguesa.
Doutorada em Literatura Norte-Americana pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde foi professora, Ana Luísa Amaral soma dezenas de títulos de poesia publicados, desde "Minha Senhora de Quê" (1990), além de já ter escrito teatro, ficção e vários livros para a infância.
Este ano, a sua obra poética foi reunida em "O Olhar Diagonal das Coisas", incluindo os mais recentes "Sopros".
A obra de Ana Luísa Amaral encontra-se traduzida e publicada em várias línguas e países, tendo obtido numerosas distinções, como o Prémio Literário Correntes d'Escritas, o Premio Letterario Poesia Giuseppe Acerbi e o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores.
A sua obra é editada em Portugal pela Assírio & Alvim.
Atualmente aposentada da docência, a poeta exercia as funções de membro da direção do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, no âmbito do qual dirigia o grupo internacional de pesquisa Intersexualidades.
Na nota de pesar hoje divulgada, a UP recorda que Ana Luísa Amaral era estudiosa da obra de Emily Dickinson e referência internacional no campo dos Estudos Feministas, contando com uma importante obra realizada no campo académico, da qual se destaca o ensaio Dicionário da Crítica Feminista, em coautoria com Ana Gabriela Macedo.
O corpo de Ana Luísa Amaral estará em câmara ardente a partir das 17:00 de hoje, na Capela do Corpo Santo, em Leça da Palmeira.
O funeral realiza-se no domingo, às 11:15, no Tanatório de Matosinhos.
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