Com uma carreira de 60 anos, Carlos Macedo foi fadista, guitarrista, autor de poemas - faceta que iniciou ainda menino -, compositor e construtor de guitarras.
O fadista e guitarrista Carlos Macedo, eleito rei do fado em Moçambique, em 1972, morreu este domingo de manhã, aos 79 anos, no Hospital de Santa Maria, disse à agência Lusa fonte da Casa do Artista.
Com uma carreira de 60 anos, Carlos Macedo foi fadista, guitarrista, autor de poemas - faceta que iniciou ainda menino -, compositor e construtor de guitarras.
O músico gravou os primeiros discos em Moçambique, quando cumpria o serviço militar obrigatório.
As lides musicais, porém, começaram mais cedo, quando aos 17 anos formou um conjunto típico com o seu nome, com o qual se apresentou nas rádios nacionais.
José Carlos de Campos Macedo nasceu em 09 de dezembro de 1946, em Lousado, Vila Nova de Famalicão, no distrito de Braga. Aos 15 anos começou a trabalhar numa fábrica têxtil, onde se manteve até ao serviço militar que cumpriu em Moçambique, onde residiu até 1975.
No regresso a Portugal, apresentou-se no Clube Mil e Um, em Lisboa, e, posteriormente, no Chaparro, em Cascais. Em 1976, fez parte do elenco da casa de fados Mal Cozinhado, no Porto.
Em finais de 1977, partiu para França, para passar a atuar na casa de fados Saudade, em Versailles, regressando mais tarde a Portugal, para cantar e tocar nas casas Senhora das Preces, Tabuinhas e Kopus Bar, na área da Grande Lisboa.
Em 1982, atuou no Embuçado, em Lisboa, e iniciou um período longo na casa de fados da fadista Maria da Fé e do poeta José Luís Gordo, Senhor Vinho, onde se manteve até março de 2008.
Com Maria da Fé, Carlos Macedo realizou várias digressões nacionais, pela Europa e pela América do Sul, quer como guitarrista, quer como fadista.
Numa dessas digressões, ao Brasil, em 1984, por ocasião da denominada "Ponte Cultural", uma atuação sua, "feita de emergência", no Rio de Janeiro, "conquistou o Brasil", segundo noticiou o semanário Tal & Qual na época.
"Ele conquistou o Brasil enquanto Maria da Fé foi mudar de vestido", intitulou o semanário, explicando em seguida: "De repente, a grande cantora portuguesa Maria da Fé precisa de mudar de vestido e pede ao guitarrista Carlos Macedo que a substitua momentaneamente. Este canta três fados 'Rapsódia', 'Recordação do Passado' e 'Até o Rei ia ao Fado' e põe o público em delírio. Aplausos vibrantes e intermináveis. Estes momentos foram de autêntica glória para o grande artista Carlos Macedo, toda a plateia de pé aplaude entusiasticamente. No final a cantora brasileira Alcione cumprimenta o fadista e diz-lhe: 'Você esteve simplesmente maravilhoso!'. No dia seguinte a imprensa brasileira, especialmente a do Rio de Janeiro, onde o espetáculo decorreu, dizia de Carlos Macedo: 'Foi a surpresa da noite; foi a revelação de um fadista que sabe cantar Alfama com verdadeiros sentimentos'".
Em 1975, gravou o seu primeiro álbum, que inclui o êxito "Até o Rei ia ao Fado" (Tó Moliças/Carlos Macedo).
Até ao final da década de 1980, gravou oito álbuns, aos quais se juntam "Fado", "O Nosso Amor Está por um Triz", "Desejos", "Este Meu Fado" e "Entre Nós e o Fado", saído em 2010 e que pôs fim a uma ausência de dez anos dos estúdios. Como guitarrista gravou com diversos artistas portugueses.
Entre os seus êxitos contam-se "Campa Florida", "Nosso Amor, Meu Amor", "Quero ir à Minha Terra" e "Sou Peregrino".
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