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Morreu o realizador Carlos Saboga, argumentista de "O Lugar do Morto"

Argumentista tinha 89 anos.

01 de março de 2026 às 22:16

O realizador português Carlos Saboga, argumentista do filme "O Lugar do Morto" (1984), faleceu na sexta-feira, em Paris, aos 89 anos, disse à agência Lusa o produtor Paulo Branco, com quem trabalhou durante mais de cinco décadas.

Carlos Saboga, nascido na Figueira da Foz, em 1936, foi também tradutor, assistente de realização, jornalista na imprensa, rádio e na televisão, crítico de cinema, tendo escrito argumentos para a televisão e para o cinema, em Portugal e em França.

Em coautoria com o realizador António-Pedro Vasconcelos, Carlos Saboga escreveu o argumento do filme "O Lugar do Morto", que se tornaria um dos pontos altos da sua carreira, e um dos maiores êxitos de bilheteira da história do cinema português.

Colaborou ainda, entre outros, com os realizadores portugueses José Fonseca e Costa, Luís Galvão Telles, Fernando Lopes e Mário Barroso e com os chilenos Raul Ruiz e Valeria Sarmiento, de acordo com os dados biográficos disponíveis no ´site´da Medeia Filmes, exibidora e distribuidora de cinema fundada por Paulo Branco em 1989.

"Nós mantínhamos um contacto regular e ainda na quinta-feira tinha falado com Carlos Saboga porque lhe fizemos chegar o material do filme ´Memórias do Cárcere´, que ainda teve oportunidade de ver, e que se estreará em Portugal em setembro de 2026", segundo o produtor.

O filme "Memórias do Cárcere", realizado por Sérgio Graciano, é uma adaptação cinematográfica da obra homónima de Camilo Castelo Branco, retratando o período em que o escritor e Ana Plácido estiveram detidos na Cadeia da Relação, no Porto, acusados de adultério.

Trata-se do último projeto em que Paulo Branco conta ainda com a participação de Carlos Saboga como argumentista, baseando-se no livro de Camilo Castelo Branco e numa versão inicial de André Catarinacho Boschi e Luciano de Paiva Mello.

O filme conta com um elenco que reúne Albano Jerónimo, Maria João Bastos, Paulo Pires, Afonso Pimentel, João Pedro Vaz, Marcello Urgeghe e Adriano Carvalho.

Depois de ter sido preso pela PIDE (polícia política de Salazar), Carlos Saboga deixou o país em 1965, a salto e sem documentos, com uma equipa francesa que tinha vindo filmar a Portugal, tendo vivido sucessivamente em Paris, Roma, Argel, e de novo em Paris, onde fixou residência, e veio a falecer na sexta-feira à noite.

Participou, a diversos títulos, em filmes como de "La Jeune Morte", (1965) de Claude Faraldo, "Il Sasso in Bocca" (1969) de Giuseppe Ferrara, e "Jacquou le Croquant" (1969) de Stellio Lorenzi.

Saboga foi argumentista de vários dos filmes produzidos por Paulo Branco, nomeadamente "Mistérios de Lisboa" (2010) de Raul Ruiz, "As Linhas de Wellington" (2012) e "O Caderno Negro" (2018) de Valeria Sarmiento, "O Milagre Segundo Salomé" (2004), "Um Amor de Perdição" (2008) e "Ordem Moral" (2021) de Mário Barroso.

Realizou dois filmes, de cujo argumento também foi o responsável, ambos produzidos por Paulo Branco: "Photo" (2012) e "A Uma Hora Incerta (2015), que têm em comum o tema do exílio.

"A Uma Hora Incerta", segunda longa-metragem de Carlos Saboga, foi distinguida na Viennale - Festival Internacional de Cinema de Viena, na Áustria, em 2015, com o Prémio do Júri.

"O cinema tem uma relação estreita com a infância. Não é tanto 'decidi fazer cinema'. O cinema caiu-me em cima. Ia muito ao cinema quando era miúdo e começou no período da guerra... Vi vários filmes que me marcaram, que se passavam na Segunda Guerra Mundial. Foi a recordação disso. Quando pensei na história, pensei nisso", contou à agência Lusa, um mês antes da apresentação do filme em Viena.

Em 2023 a Academia Portuguesa de Cinema distinguiu Carlos Saboga com o Prémio Sophia de Carreira, "pelo impacto imensurável que teve no cinema português desde a década de 1980".

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