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‘O Grito’ de Munch está a desaparecer

Cientistas utilizam raios-x e laser para entender fenómeno e tentar travá-lo.

11 de fevereiro de 2020 às 08:11

É um verdadeiro quebra-cabeças que está a deixar a comunidade científica de Oslo e Nova Iorque à beira de um ataque de nervos desde 2012. Porém, só agora foi noticiado no ‘The New York Times’. ‘O Grito’, do pintor norueguês Edvard Munch, está a desvanecer. Pintada pela primeira vez entre 1893 e 1910 (ganhou três novas versões neste intervalo de tempo), a obra-prima é classificada como pioneira do expressionismo.

Há oito anos, especialista do Museu Munch, em Oslo, descobriu que alguns pigmentos da tela estão a mudar de cor. Parte das pinceladas amarelo-alaranjadas tornaram-se brancas marfim. O fenómeno está a ser estudado com recurso à mais recente tecnologia - raios-x, laser, microscópio de eletrões - tanto pelos cientistas do museu norueguês como por uma equipa em Nova Iorque. Porém, ainda não foi encontrada uma solução para salvar ‘O Grito’, que foi roubado em 2004 e recuperado dois anos depois.

O estudo da obra também permite conhecer mais profundamente a técnica de Munch, elaborando um mapa de cores que ajudará a revelar a versão original do quadro, assim como impedir mais transformações. É que, além da perda das cores, foram encontrados na pintura minúsculos cristais que estão a multiplicar-se devido à oxidação de sulfato e carbonato de cádmio, dois químicos da tinta amarelada utilizada por Munch.

Caso não seja possível recuperar as cores perdidas na obra através das técnicas de conservação habituais, há quem acredite que estas podem ser recriadas de forma digital, voltando atrás no tempo e utilizando exatamente os mesmos ‘ingredientes’ da época. Mas isso é mais difícil do que parece.

‘O Grito’ não é a única obra a sofrer alterações. Os amarelos de ‘Os Girassóis’, de Van Gogh, começaram a ficar castanhos, e os roxos a ficar azuis.

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