Começou a tocar no meio fadista na década de 1960, terminado o serviço militar obrigatório, durante o qual deu a conhecer os seus dotes musicais numa digressão por Moçambique.
O guitarrista e compositor António Chainho, que morreu hoje, aos 88 anos, encerrou a carreira de seis décadas em setembro de 2024, ano em que editou o seu último álbum, "O Abraço da Guitarra", uma homenagem aos seus mestres.
Em entrevista à agência Lusa, na altura, o guitarrista disse: "Homenageio aqueles que foram os meus professores através da rádio, nomeadamente os grandes guitarristas Armandinho, José Nunes, Raul Nery, Francisco Carvalhinho, Domingos Camarinha".
António Chainho, o compositor de "Uma Pequenina Luz", começou a tocar no meio fadista, na década de 1960, terminado o serviço militar obrigatório, durante o qual deu a conhecer os seus dotes musicais numa digressão por Moçambique.
"Vim da minha aldeia, S. Francisco da Serra [no concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal], para Lisboa, em finais do ano de 1965, para tocar no restaurante típico A Severa, no Bairro Alto [em Lisboa]", recordou à Lusa o músico, que assinalava esta data como o início da sua carreira artística.
Anteriormente, tinha tocado no café de seu pai, datando de 1960 o seu primeiro contacto com o meio fadista, numa taberna na praça do Chile, em Lisboa, quando se apresentou ao serviço militar na capital, para o qual entrou em 1961.
Nesse dia, recordou à Lusa, tocou o Fado Lopes, de Mário José Lopes, e saiu de lá em ombros, tal foi o sucesso.
Ao abandonar os palcos e estúdios de gravação, em finais de 2024, o guitarrista e compositor garantiu que estava "em paz" consigo mesmo e "contente" com o percurso artístico que teve a "sorte" de fazer.
"Dei a volta ao mundo, toquei em todos os continentes, e acho que me sinto feliz".
"Olhando para trás, acho que tive a sorte de chegar aos 85 anos e gravar este disco", afirmou, realçando que "nenhum guitarrista" de fado "gravou um disco depois dos 60 anos", em nome próprio. "Foi difícil, mas eu consegui aos 85".
O álbum "O Abraço da Guitarra" (2024) é uma homenagem aos compositores "célebres" da guitarra portuguesa como José Nunes, Francisco Carvalhinho, Armandinho e Jaime Santos, assim como aos "violas" com os quais partilhou o palco, como José Elmiro, Carlos Silva, Carlos Manuel Proença e Tiago Oliveira.
A revista britânica Songlines referiu-se a António Chainho, compositor de "Notas em Movimento", como "embaixador da guitarra portuguesa".
Do seu percurso discográfico, Chainho realçou à Lusa o álbum "Guitarra e Outras Mulheres" (1998), que gravou com Teresa Salgueiro, Adriana Calcanhotto, Ana Sofia Varela e Elba Ramalho, entre outras intérpretes, e o que gravou, em 1996, com a Orquestra Filarmónica de Londres, sob a direção do maestro José Calvário (1951-2009), que lhe "abriu caminhos por todo o mundo".
Chainho dividiu a sua carreira em três fases: "A primeira foi aquela em que acompanhei todos os fadistas, profissionais ou amadores, a segunda quando me liguei a dois intérpretes, durante cerca de 30 anos, Carlos do Carmo (1939-2021) e Frei Hermano da Câmara, e, finalmente, a carreira como solista".
Apontado como "um dos virtuosos da guitarra portuguesa" pela "Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX", António Chainho acompanhou nomes como José Afonso, Rão Kyao, Gal Costa, Maria Bethânia, Saky Kubota, Hideco Tchokyba, José Carreras, Maria Dolores Pradera, Paco de Lucía, Kepa Junkera, Sara Tavares, Pedro Abrunhosa, Ana Bacalhau, Rui Veloso, Paulo Flores e John Williams.
Da sua discografia, que se iniciou em 1975 com "Guitarradas", fazem ainda parte os álbuns "Guitarra Portuguesa" (1977), "Ao vivo no CCB" (2003), com Marta Dias, "LisGoa" (2010), que contou com a participação de Natasha Lewis, Sonia Shirsat e Remo Fernandes, "Entre Amigos" (2012), com intérpretes como Camané, Ney Matogrosso e Fernando Alvim, e "Cumplicidades" (2015), álbum que assinalou os 50 anos de carreira e conta com as participações de Paulo de Carvalho, Fernando Ribeiro, Hélder Moutinho, Pedro Abrunhosa, Paulo Flores, Filipa Pais, Ana Vieira e Vanessa da Mata.
Em 2015, atuou no seu concelho natal, na igreja matriz, no âmbito do Festival Terras Sem Sombra, com o guitarrista alemão Jürgen Ruck, apresentando o programa "O Tempo e o Modo: Diálogos entre Guitarras".
Em Santiago do Cacém está instalada uma escola de guitarra portuguesa, um sonho que o compositor de "Chão do Destino" realizou.
Em 2023, foi publicada a sua biografia, "O Abraço da Guitarra", de autoria da jornalista Moema Silva, que definiu a obra à Lusa como "o diário de uma viagem pela [sua] vida e pela música".
Em 2022, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou António Chainho com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, que distingue os que prestaram "serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua História e dos seus valores".
Referindo-se à sua criação musical, o também compositor disse à Lusa que reflete "mestiçagens, fruto dos contactos com as músicas do mundo". Por isso também, procurou "traçar novos caminhos para guitarra portuguesa".
"A minha música reflete as muitas viagens que fiz, os músicos com quem contactei e com quem trabalhei. Procura o respirar as músicas do mundo", disse à Lusa.
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