Nono volume da coleção "O 25 de Abril Visto de Fora" é uma iniciativa da Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril em parceria com a editora Tinta-da-China.
"Uma História da África Lusófona Pós-Colonial", de Patrick Chabal, chega às livrarias dia 16, revelando o olhar "de um dos maiores estudiosos da Àfrica lusófona e dos últimos anos do colonialismo português", disse à Lusa António Costa Pinto.
Trata-se do nono volume da coleção "O 25 de Abril Visto de Fora", uma iniciativa da Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril em parceria com a editora Tinta-da-China, com coordenação do professor e investigador António Costa Pinto.
"O Patrick Chabal, já falecido, foi um dos maiores estudiosos da África lusófona e dos últimos anos do colonialismo português. Não só do seu ponto de vista político, mas também do seu ponto de vista cultural", realçou o coordenador da coleção.
Patrick Chabal, professor de Estudos Africanos Lusófonos na University of London e diretor do Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros do King's College de Londres, publicou vários livros sobre a África lusófona: "Vozes moçambicanas: Literatura e nacionalidade" (1994), "Amílcar Cabral: Revolutionary Leadership and People's Wars" (1993), "The Postcolonial Literature of Lusophone Africa"( 1996), e "A history of postcolonial Lusophone Africa" (2002), agora traduzido para português.
António Costa Pinto apontou várias razões para a importância deste livro cuja leitura ajuda a perceber "como é que o colonialismo tardio português moldou os novos regimes em África pós-independência a partir de 1975".
"Porque é que os regimes políticos pós-coloniais portugueses tiveram basicamente a mesma matriz política? Porque é que todos implantaram regimes de partido único, não-alinhados ou mais próximos do bloco socialista?, e porque é que isso aconteceu sendo eles tão diversos?", são questões sobre as quais se debruça Patrick Chabal analisando os cinco PALOP (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe).
"Essa é a originalidade deste livro", considerou, afirmando que "não há, ou não havia ainda, e não há, infelizmente, em português, nenhum estudo comparativo sobre as transições à independência e como é que os movimentos de libertação mais importantes se transformaram no novo poder político".
Para António Costa Pinto, uma das teses de Chabal mais significativa para o estudo deste tempo e desta geografia "é que, independentemente do facto destes movimentos de libertação terem muito em comum, o fundamental é serem os únicos que conseguiam protagonizar a construção de Estados nacionais, porque eram movimentos multiétnicos e multirraciais".
Por outro lado, este "é também o único livro, até agora, que integra as colónias portuguesas e as independências das colónias portuguesas num movimento mais geral africano de descolonização em relação a outras potências coloniais, nomeadamente a Inglaterra e a França", acrescentou.
Reconhecendo tratar-se de um livro que se destina "ao leitor culto e aos estudantes", mas acessível a todos, salientou que, a partir de agora, "o leitor português tem finalmente uma obra que explica a descolonização, não com base em ressentimentos ou estigmas ideológicos, mas que a enquadra na descolonização das potências europeias das suas colónias africanas".
E lembrou que, a exemplo de outras abordagens editadas nos volumes anteriores da coleção, o objetivo é "devolver à sociedade portuguesa uma imagem, neste caso externa, de investigadores internacionais sobre a mudança política em Portugal e nos países de expressão portuguesa".
"Uma História da África Lusófona Pós-Colonial" é o nono volume e traz o contributo "de um estudo pioneiro que faltava traduzir".
A coleção "O 25 de Abril Visto de Fora" é dirigida por António Costa Pinto, investigador coordenador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Professor Catedrático da Universidade Lusófona.
Contempla a edição de um total de dez obras alusivas à Revolução e à consolidação da democracia em Portugal até agora inéditas em português, a maioria de autores estrangeiros.
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