Doyen dá 700 mil euros a filho de Pinto da Costa

Nélio Lucas teve vários lapsos de memória em tribunal. Defesa de Rui Pinto quis escrutinar negócios com o FC do Porto.

25 de novembro de 2020 às 15:44
Nélio Lucas acusa Rui Pinto de tentativa de extorsão Foto: Duarte Roriz
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Nélio Lucas, ex-administrador da Doyen, teve esta terça-feira em tribunal vários lapsos de memória, designadamente sobre os empréstimos que fez ao FC Porto. Mas, face à insistência da defesa de Rui Pinto, confirmou o pagamento de 700 mil euros à empresa de Alexandre Pinto da Costa, filho do presidente do FC do Porto, no negócio do regresso de Casemiro ao Real Madrid, que rendeu rendeu 7,5 milhões aos dragões, em 2015. Para Rui Pinto a Doyen é tudo menos uma empresa “séria”. O primeiro alvo das suas “investigações” foi precisamente o FC Porto, o seu clube de coração, e as ligações ao fundo Doyen.

A defesa do hacker questionou ainda Nélio Lucas sobre o facto de o FC Porto ter contabilizado um empréstimo de 3 milhões de euros do Banco Carregosa, instituição com a qual a Doyen trabalhava em Portugal, sendo que aquele valor coincidia com o de um crédito do fundo aos portistas. "Como é que a operação foi feita? Não me recordo", declarou Nélio Lucas.

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A sessão de julgamento do Football Leaks foi marcada por momentos de tensão entre os advogados da Doyen e de Rui Pinto. “Não me lembro, não me recordo e não tenho memória” foram das expressões mais utilizadas por Nélio Lucas durante o seu depoimento, no processo em que acusa Rui Pinto de tentativa de extorsão. “A memória da testemunha é muito seletiva”, disse Francisco Teixeira da Mota, advogado de Rui Pinto. Nélio Lucas respondeu: “É seletiva onde ela interessa.”

A Doyen tentou travar por várias vezes as perguntas da defesa de Rui Pinto, alegando o “escrutínio da vida empresarial e privada” da testemunha. “A Constituição ainda é a lei que está acima de Rui Pinto”, defendeu a advogada da Doyen, Sofia Branco. Em todas as situações, o tribunal deu razão à defesa do hacker , permitindo que continuasse a inquirição.

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"Emissão de Cheque sem provisão"

A defesa de Rui Pinto insistiu esta terça-feira no alegado passado criminal de Nélio Lucas. "Tem ou não lembrança de já ter sido condenado por abuso de confiança e emissão de cheque sem provisão [cheque careca]?", perguntou o advogado Teixeira da Mota. "Responde se quiser", advertiu a juíza Margarida Alves. O ex-administrador da Doyen respondeu assim: "Não tenho nada a dizer." O julgamento continua esta quarta-feira em Lisboa.

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