Torres: ‘Bom Gigante’ passa a sonho
A paixão, a alegria e a humildade com que jogou e venceu no futebol justificam o aplauso imenso dos adeptos portugueses a José Torres, o ‘Bom Gigante’, ontem falecido, após doença prolongada, a cinco dias de chegar aos 72 anos.
Ele foi protagonista de estádios cheios e em delírio a festejarem, nos anos 60, os seus triunfos com o Benfica e a selecção nacional, ao lado de Eusébio, José Augusto, Simões e outros. A recordação lembra que além de eficaz goleador - 14 golos em 33 internacionalizações e 217 em toda a carreira - era simples, puro e pacífico à imagem dos pombos que criava. E um sonhador que, como disse o colega José Augusto, "sonhava de noite para fazer de dia".
A famosa frase "deixem-me sonhar", disse-a como seleccionador depois de Portugal vencer de aflitos por 3-2 a Malta, na Luz, em 1985. A única hipótese de qualificação para o México'86 era ir ganhar à Alemanha, já apurada. Quase 20 anos depois de ele próprio selar com 2-1 à URSS (golo de pé direito aos 89 m) o 3º lugar que se mantém como melhor classificação em Mundiais, a selecção já levantara a cabeça no Euro'84 em França. Um golo de Carlos Manuel colocou José Torres à beira de novo êxito, mas as coisas correram mal em Saltillo.
O sonho fica como a sua marca. Foi ele que trouxe José Augusto da Costa Séneca Torres, nascido em Torres Novas a 8 de Setembro de 1938, para o Benfica onde o exímio José Águas pontificava a 9. E a vencer o cepticismo dos adeptos perante o seu metro e 91, algo desengonçados.
No início, bastaram-lhe as goleadas nas Reservas que jogavam aos sábados à tarde. Após Águas, entrou para o mais fenomenal ataque do Benfica. Só não ganhou a Taça dos Campeões, embora jogasse três finais.
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