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A inspiração de Jesus

Notam-se afinidades estratégicas com Eriksson, mas o sueco nunca assumiria uma transformação tão radical do plantel como a que está em curso.<br/><br/>

18 de junho de 2011 às 00:00

Pela primeira vez em 20 anos, um treinador do Benfica candidata-se a permanecer no cargo durante três temporadas completas. Jorge Jesus pode repetir Eriksson, com a possibilidade de melhorar a performance se voltar a chegar ao título, uma vez que o sueco só venceu um campeonato na sua segunda passagem pelo clube.

A maior coincidência dos dois casos assenta na confiança dos dirigentes de ocasião e na aposta numa estratégia de futuro, que passava no consulado de João Santos (com Jorge de Brito) e passa actualmente pela promoção e venda de jogadores de qualidade, em particular estrangeiros.

Com a temporada mais preenchida de jogos na actualidade justifica-se o recurso de Jesus a um maior número de jogadores, não obstante o enorme desequilíbrio entre o grupo principal e as franjas do plantel. Num tempo em que ainda não se considerava a rotação, já o técnico sueco geria com enorme equilíbrio todos os recursos à disposição, lidando bem com as decepções das principais figuras quando ficavam fora de partidas importantes.

Após a segunda temporada, em que foi campeão, Eriksson tentou manter a maioria dos jogadores principais, mas perdeu dois dos pilares (Ricardo e Valdo), substituindo-os por três reforços de qualidade (Rui Costa, Yuran e Kulkov). É neste ponto que Jesus diverge drasticamente ao por em andamento uma autêntica revolução do plantel, com a entrada de 14 ou mais novos jogadores, com consequências imprevisíveis no rendimento, uma opção de alto risco que Erikson nunca tomaria.

O sueco foi reduzindo o número de jogadores utilizados em cada ano (26, 24, 21) e Jesus imitou-o nos dois primeiros (31-28), mas a perda do título pode tê-lo feito mudar de estratégia.

DECISÕES MAIS DIFÍCIES

A decisão impopular de dispensa de Nuno Gomes é comparável ao afastamento drástico de históricos como Bento, Chalana e Diamantino após o primeiro ano de Eriksson, reformulando a equipa para atacar o título na época seguinte.

VIEIRA DÁ GARANTIAS

Desde que assumiu a presidência, só uma vez, Luís Filipe Vieira não cumpriu o princípio de proporcionar pelo menos uma época integral ao treinador, rompendo com uma década de instabilidade e decisões precipitadas.

SANTOS FOI EXCEPÇÃO

Fernando Santos foi a única vítima de uma chicotada psicológica por Luís Filipe Vieira, que nunca escondeu o arrependimento. Este histórico oferece a Jorge Jesus uma enorme garantia de pode cumprir a terceira época até ao fim.

CICLO DE ESTABILIDADE

ÉPOCA

TREINADORES

2011-12

Jorge Jesus

2010-11

Jorge Jesus

2009-10

Jorge Jesus

2008-09

Quique Flores

2007-08

F.Santos / J.A. Camacho / F. Chalana

2006-07

Fernando Santos

2005-06

Ronald Koeman

2004-05

Giovanni Trapattoni

2003-04

José A. Camacho

2002-03

Jesualdo F. / F. Chalana / J.A. Camacho

2001-02

Toni / Jesualdo Ferreira

2000-01

J. Heynckes / J. Mourinho / Toni

M. José / M. Wilson / G. Souness

P. Autuori / M. Wilson / Manuel José

NOTAS

MERCADO

Para a segunda época, Eriksson só contratou futuros titulares: Neno, William, Schwarz, Sanchez, Rui Águas e Isaías.

REFORÇOS

Para o terceiro ano, o sueco reforçou-se apenas com Rui Costa (que estava emprestado), Yuran e Kulkov, mais os juniores Valido e João Pires.

VENDAS

Aldair foi a venda do primeiro ano, Valdo e Ricardo as do segundo, seguindo a política definida no começo do ciclo.

GUARDA-REDES

Eriksson também teve dificuldades com a baliza, mas acertou na escolha de Neno para o lugar de Bento e para discutir a titularidade de Silvino .

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