Depois de 20 anos a rapinar nos estádios da América do Sul, Benfica aposta tudo na estirpe de Matic e inicia um novo ciclo.<strong></strong>
Dentro de pouco mais de um mês, a equipa do Benfica surgirá aos seus adeptos completamente transfigurada. A matiz latina será contrastada pela irreverência eslava, aumentando a agressividade do colectivo e simplificando os processos de finalização.
A águia foge da América do Sul, após mais de vinte anos a rapinar nos estádios do Brasil e da Argentina, e faz o ninho na Sérvia, desenvolvendo a estirpe Matic, descoberta na época transacta.
Nada mais será igual no balneário da Luz. Ao médio, juntam-se pelo menos outros cinco sérvios, incluindo um irmão, para formar um dos maiores clãs de que há memória no balneário encarnado. E essa é uma das grandes incógnitas para a nova época: como lidará o treinador Jesus com a provável constituição de um grupo, com algumas dificuldades de comunicação, no seio de um balneário onde o castelhano é a língua oficial?
Os futebolistas sérvios apresentam uma chancela de qualidade técnica e desportiva em geral, que os benfiquistas conhecem da sua história, desde os tempos de Filipovic e também de Drulovic. E os contratados parecem ter essa categoria individual para aspirarem a integrar a equipa titular, surgindo nos lugares de jogadores como Aimar, Gaitan ou mesmo Garay, alguns dos argentinos que já estão afastados ou em via de ser negociados.
A aposta em jogadores europeus já era estudada há tempos, devido aos problemas de rendimento causados pelas frequentes deslocações intercontinentais dos seus jogadores sul-americanos envolvidos em jogos de selecções.
O voo da águia corrige a rota, voltando a pairar sobre o coração europeu, numa viragem que poderá ser tão ou mais marcante do que outras opções nacionalistas anteriores, como a dos russos ou a dos ingleses.
FILIPOVIC FOI O PIONEIRO
Zoran Filipovic nasceu no Montenegro mas era uma figura da Jugoslávia e do Estrela Vermelha quando chegou ao Benfica, em 1981, via Brugge, daBélgica. Foi o primeiro estrangeiro europeu do clube e pode considerar-se igualmente o primeiro da legião sérvia, mais tarde seguido por Zivkovic (1986), Dudic (2001), Drulovic (2002) e Delibasic (2004).
A TRADIÇÃO QUE ACABOU
No dia 1 de Julho de 1979, uma Assembleia-Geral histórica deliberou, ao fim de oito horas de discussão apaixonada, interromper a tradição de ter nas fileiras apenas jogadores portugueses. Era o começo de uma nova era, com a contratação dos brasileiros Jorge Gomes e César, primeiro, e de Filipovic, já em 1981. Desde então, nunca mais o Benfica conseguiu ter um avançado da sua formação.
ALTOS E LOUROS
Por serem altos e louros, contrastando com a fisionomia afro-latina de uma equipa sem estrangeiros, os nórdicos que Eriksson trouxe para o Benfica depois de 1983 entraram para sempre no ADN encarnado. Vinte anos depois, Stromberg, Magnusson, Schwarz ou Thern (e o dinamarquês Manniche) continuam vivos na memória do clube, onde subsiste a nostalgia pelo rigor e profissionalismo sueco.
FILÃO BRASILEIRO
Desde Jorge Gomes e César até Artur e Lima, passando por Valdo, Mozer, Ricardo, Elzo, Aldair, Isaías, William, Luisão, David Luiz ou Ramires, são quase 100 os jogadores brasileiros que já passaram pelo Benfica. Um filão de qualidade, com muitos internacionais, que nunca se esgotará, embora tenha perdido peso nos últimos anos devido à maior dificuldade de acesso ao primeiro mercado.
ANOS DO TANGO
Durante os últimos cinco anos, a Argentina foi a inspiração do Benfica, depois de ter conseguido cativar uma personalidade tão influente como Pablo Aimar, cujo trajecto agora termina. Jogadores como Di Maria, Saviola, Gaitan, Sálvio, Garay ou Enzo Perez entram na história marcando os anos em que o Benfica foi mais tango do que fado ou samba.
REVOLUÇÃO MATIC
Melhor jogador e grande surpresa da temporada, Matic abriu as portas a uma nova perspectiva do futebol do Benfica e pode ter encetado uma autêntica revolução, interrompendo a lógica sul-americana que imperava no clube há cerca de vinte anos. Trata-se de uma viragem arriscada, sobrando a dúvida sobre a capacidade de integração de um plantel tão diversificado culturalmente.
MITROVIC
O defesa central é o parente pobre do grupo e talvez nem chegue à equipa principal. É uma das contratações mais surpreendentes dos últimos tempos e também a maior incógnita.
DJURICIC
O jovem médio de ataque era um dos jogadores mais interessantes do mercado holandês e surge com a ambição de substituir Aimar, o que se afigura extremamente ambicioso.
UROS MATIC
O irmão do médio encarnado também vem destinado à equipa B, mas terá um papel importante a desenvolver, enquanto elo de ligação do grupo e garantia da continuidade de Nemanja.
SULEJMANI
Pode ser o reforço sérvio de maior impacto, mas o facto de estar parado há um ano constitui forte handicap à integração no onze titular, à semelhança do que aconteceu com Ola John.
MARKOVIC
Um avançado de categoria superior, pretendido por meia Europa, em busca do reconhecimento imediato, apesar da concorrência fortíssima que vai encontrar no ataque encarnado.
SÉRVIA SOBE NO RANKING ENCARNADO
A Sérvia passa a ser a terceira nacionalidade na história do Benfica, depois do Brasil e da Argentina, e torna-se o primeiro abastecedor do nosso continente, ultrapassando Suécia e Espanha, num universo de 60 estrangeiros de origem europeia que já vestiram a camisola encarnada.
OUTRAS FEBRES PASSAGEIRAS
OS RUSSOS
A segunda passagem de Erikson (1991) trouxe uma aposta inédita em russos, Yuran, Kulkov e Mostovoj, que tiveram algum sucesso, mas nunca se adaptaram à cultura do clube e acabaram no rival.
OS INGLESES
No auge dos tempos frenéticos de Vale e Azevedo (1999), chegaram os britânicos, figuras de segundo plano, com realce para Deane, Minto, Saunders, Pembridge e Thomas, enormes erros de casting.
OS ESPANHÓIS
Jorge Jesus tem sabido escolher das sobras dos grandes clubes espanhóis (Javi Garcia, Nolito, Rodrigo), mas a valorização de alguns ficou ensombrada com os fiascos de Roberto e Capdevila.
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