Ainda hoje, 14 anos depois de se iniciar numa aventura inovadora e de todo invulgar, Joaquim Pedroso, pai da Vídeodesporto, fala com paixão sobre um trabalho que, ano após ano, vem recolhendo rasgados elogios. “O maior prazer é, terminado um trabalho, ver e sentir a alegria que proporcionamos aos clientes”, diz, com regozijo e orgulhoso pelo percurso até agora trilhado.
Este homem, coadjuvado pelos seus ajudantes, habituou-se a ‘olhar’ com especial atenção a beleza do jogo, os gestos requintados, os momentos que suscitam espanto e admiração. E nem o facto do trabalho não visar fins comerciais – a sua clientela é específica (jogadores, empresários e clubes) – o perturbou ou fez desistir. Pelo contrário: Joaquim Pedroso conhece como poucos um outro lado do futebol, coleccionando “amizades, de dirigentes a treinadores, passando logicamente pelos jogadores”.
E é por isso que os ‘craques’ da SuperLiga – e não só; já recebeu encomendas de paragens tão longínquas como a Suécia ou a Grécia – lhe delegam a responsabilidade da criação de compactos (primeiro em vídeo, agora em DVD) com os seus melhores momentos. São documentos pessoais, autênticos ‘best of’ que deliciam os atletas – e é especificamente para eles que o trabalho é realizado –, mas também quem contempla aquelas imagens cuidadas ao segundo, de forma artística, e sonorizadas a preceito. A duração dos registos é variável, condicionada pelas prestações dos ‘craques’, o profissionalismo não, é sempre elevado. “A aposta é – como gosta de lembrar – feita num trabalho de qualidade”, diz Joaquim Pedroso, enquanto um novo compacto de Ricardo, guarda-redes do Sporting, recentemente terminado, ajuda a demonstrar as últimas inovações.
Desde há sensivelmente quatro meses, que os DVD vêm acompanhados de menus e sub-menus, permitindo opção de escolha ao utilizador. “Há a necessidade de estarmos actualizados, de acompanhar a tecnologia, apesar de rapidamente este tipo de material desvalorizar. Mas este é um trabalho criativo, cuidado... “, sustenta.
Nas instalações da empresa as imagens de jogos passam em permanência. Numa das salas procede--se à análise. Mas, além dos ‘melhores momentos’, trabalho dirigido aos jogadores, a Vídeodesporto também trabalha em parceria com clubes. Por isso o trabalho é vasto. “É aqui que observamos, por exemplo, como se movimenta determinada equipa. É importante, no trabalho que desenvolvemos com os clubes, mostrar de forma clara ou movimentos defensivos e ofensivos, analisar os adversários”, salienta. Segue-se um outro espaço: a sala da edição. Aí, depois de marcados os tempos, ao segundo, que importa reter, há todo um processo de criação até se chegar ao produto final. Tudo é cuidado ao pormenor, das imagens eleitas à música que acompanha e potencia a destreza dos gestos. “Mesmo a música é pensada em função do cliente. Imagine que o trabalho é sobre o Cristiano Ronaldo, mas para ser também observado pelo senhor Ferguson. É óbvio que a música não pode ser agressiva”, explica o responsável, alertando para as dificuldades de criar “um trabalho capaz de agradar a todos”.
DE WENGER À 'ESPIONAGEM'
Com uma posição consolidada neste segmento de mercado, Joaquim Pedroso não esquece os primeiros passos trilhados. “Tudo começou com Rui Caçador. Acompanhava os torneios inter-associações, gravava os jogos para depois o seleccionador escolher a primeira selecção nacional, os sub-15. Foi assim que comecei a captar imagens”, lembra, de olhar nostálgico. “Depois alargámos o trabalho a outras selecções. Estive presente em campeonatos da Europa, e várias vezes em Toulon, com os nossos jovens. A missão era não só gravar os jogos, como também observar os adversários de Portugal. Felizmente que alguns treinadores, já naquela altura, consideravam importante o recurso ao audiovisual”, reconhece.
Das selecções aos clubes, foi um pequeno passo. Carlos Queiroz, então no Sporting, decidiu-se pela criação de uma estrutura audiovisual e a Vídeodesporto associou-se aos ‘leões’. “Os célebres vídeos do professor eram feitos por nós. No Sporting estivemos cerca de sete anos. O trabalho incidia na observação dos adversários, nacionais e internacionais, mas também acompanhámos o satélite Lourinhanense”, recorda. E um episódio lhe surge na mente: “Quando o Boa Morte foi para o Arsenal, Wenger, que já o tinha visto jogar em Toulon, teve acesso ao nosso material sobre o jogador. Boa Morte jogava na 2.ª B mas nós tínhamos material sobre ele. Wenger agradeceu”.
O mérito foi reconhecido e José Couceiro, hoje no V. Setúbal, promoveu a ‘transferência’ para o Alverca. Foram quatro anos de trabalho intenso, até Jesualdo Ferreira e Luís Filipe Vieira acertarem o ingresso da empresa de Joaquim Pedroso no Benfica. “Todas as semanas, entregamos um compacto editado sobre o adversário do Benfica. Tentamos mostrar, em 20 ou 25 minutos, a forma como o adversário se comporta em diferentes situações de jogo: como defende, como ataca, etc. Claro que há técnicos que valorizam mais que outros este tipo de trabalho”, diz, salientando a “relação estabelecida com Camacho (ver caixa). Só no FC Porto, onde entrou por acção de José Mourinho, a relação foi curta. “O calendário não ajudou”, justifica Pedroso.
COM CAMACHO NO REAL MADRID
Uma das pessoas que se rendeu à qualidade do trabalho da Vídeodesporto foi José António Camacho. O treinador espanhol, durante o tempo que passou no Benfica, não abdicava de, na preparação dos jogos, observar os tais compactos de análise sobre a equipa adversária. “Sabíamos bem da importância que Camacho dava ao nosso trabalho”, lembra Pedroso.
De tal forma que, quando o técnico chegou a Madrid, entrou em contacto com o Benfica para falar do trabalho de... Pedroso. “Para nós foi inesperado... Mas estava de tal forma habituado aos nossos vídeos de análise que solicitou ao Benfica o envio de dois ou três compactos. Queria introduzir este tipo de trabalho no Real Madrid”, garante, visivelmente orgulhoso.
Mas ao longo dos anos de trabalho não lhe têm faltado os elogios: “Felizmente, as pessoas com quem trabalhamos apreciam e reconhecem o nosso trabalho”, diz.
ESPIONAGEM AUDIOVISUAL
Hoje, vários clubes e selecções nacionais recorrem ao audiovisual na preparação dos jogos. As exigências do futebol moderno obrigam a um conhecimento profundo sobre os adversários e foi também essa necessidade que catapultou a Vídeodesporto para um trabalho de... espionagem. “Rui Caçador, Carlos Queiroz e Jesualdo Ferreira foram importantes no nosso crescimento, porque compreenderam a importância do audiovisual na preparação dos jogos”, diz Pedroso. “E fomos nós que começámos a análise em vídeo”, congratula-se o responsável.
FPF RESGATOU FILHO SAMUEL
Um dos filhos de Joaquim Pedroso que herdou o gosto pelas reportagens e produções vídeo foi Samuel. De tal forma que é hoje o responsável audiovisual da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), trabalhando lado a lado com Luiz Felipe Scolari. É Samuel Pedroso quem prepara os trabalhos sobre os adversários de Portugal.
Ali, tal como o pai faz actualmente para o Benfica, tenta-se facilitar o trabalho do seleccionador, ajudando-o a perceber os movimentos defensivos e ofensivos das equipas adversárias. É caso para dizer que “filho de peixe sabe nadar”.
"O PEDRO MERECE UMA PRENDA"
Joaquim Pedroso, relativamente ao trabalho realizado com jogadores, ainda recorda o primeiro a atravessar as fronteiras de Portugal e correr o Mundo. “Penso que foi um do Figo, naquela altura em que acabou por ir para o Barcelona, quando se pensava que Itália seria o país de destino”, recorda. Desde então, já perdeu a conta ao número de trabalhos realizados. Neste momento, contudo, mais de uma centena e meia de ‘craques’ integram a sua lista de clientes. “Há inclusivamente jogadores estrangeiros, principalmente brasileiros, que nos facultam imagens recolhidas nos seus países e pedem para que as tratemos”, lembra Pedroso.
Mas, apesar de tratar com profissionalismo todos os que recorrem aos seus serviços, reconhece “amizades mais fortes, que resultam de anos de ligação”. E até dá um exemplo: “O Pedro Barbosa é talvez o cliente mais antigo. Há já 10 anos que acompanhamos a sua carreira. Este ano, já está decidido que o compacto com os melhores momentos será oferta. Ele bem o merece”, diz, elogiando “as qualidades humanas de um grande jogador de futebol”.
OS 'CRAQUES'
A clientela é variada. De Figo a Cristiano Ronaldo, passando por uma infindável quantidade de jogadores que, ao longo dos anos, lhe solicitaram trabalhos. Nomes como Deco, Ricardo Carvalho, Quaresma e tantos outros estão entre a carteira de clientes.
OS EMPRESÁRIOS
São muitas vezes os empresários quem o solicita. “E nem sempre o que um empresário quer é o mesmo que o seu jogador”, diz. “O jogador quer ver golos, dribles, já o empresário pode pretender, por exemplo, situações defensivas”, explica.
DECO NO 'BARÇA'
Deco, mesmo no Barcelona, é alvo da atenção de Joaquim Pedroso. Sobre o ex-jogador do FC Porto já fez vários compactos, mas o trabalho continua. E não custa imaginar que Deco, pelas arte do seu futebol, proporcione trabalhos fantásticos.
OBJECTIVO: VALORIZAR
“Valorizar o atleta com um trabalho criativo e cuidado é o nosso objectivo. São documentos pessoais e com uma finalidade específica, mas feitos com qualidade”, assume. “A maior satisfação é elogiarem o nosso trabalho”, diz.
DA GRÉCIA À SUÉCIA
A fama de Joaquim Pedroso há muito ultrapassou as fronteiras da SuperLiga. “Já recebemos encomendas da Grécia e até da Suécia, normalmente de jogadores brasileiros que nos conheceram através de compatriotas”, diz, sem esconder alguma vaidade.
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