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Correio da Manhã

Desporto
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Comissão da Carteira de Jornalistas repudia declarações de Francisco J. Marques

J. Marques é arguido no processo dos e-mails do Benfica.
17 de Abril de 2019 às 16:03
Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto
Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto
Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto
Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto
Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto
Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto
A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ) repudiou esta quarta-feira as declarações em tribunal de Francisco J. Marques, arguido no processo dos e-mails do Benfica, considerando que o diretor do FC Porto não pode invocar a condição de jornalista.

"Francisco J. Marques é diretor de comunicação do FC Porto, funções que, como bem sabe, são incompatíveis com a profissão de jornalista", refere o comunicado da CCPJ, remetendo para o artigo do Estatuto dos Jornalistas referente às incompatibilidades.

De acordo com o organismo, as declarações feitas em juízo pelo diretor portista "no sentido de justificar a divulgação de correspondência eletrónica com o interesse jornalístico, autointitulando-se jornalista e com recurso a métodos jornalísticos, não são aceitáveis em nenhuma das suas dimensões".

"Francisco J. Marques está bem consciente desta incompatibilidade, tanto que não revalida o seu título profissional desde fevereiro de 2012, quando deixou o jornalismo para ir trabalhar para a comunicação daquele clube desportivo", acrescenta.

A CCPJ vai avaliar se as declarações de Francisco J. Marques, proferidas em tribunal, em 10 de abril, "podem configurar crime" e recomenda ao próprio diretor do FC Porto "maior rigor no pronunciamento sobre a sua condição profissional".

Em causa estão declarações de Francisco J. Marques no Tribunal Central Cível do Porto, onde desde o início de março está a decorrer uma ação em que o Benfica reclama uma indemnização a empresas e figuras do universo do FC Porto pela divulgação de e-mails internos do clube 'encarnado'.

A CCPJ quer, desta forma, também "afirmar publicamente a sua intolerância face a situações de incompatibilidade", como as descritas no Estatuto dos Jornalistas, que constituem contraordenação punida com coima de 200 a 5.000 euros para os jornalistas que acumulem funções ali descritas.

No processo em que é autora, a SAD do Benfica corresponsabiliza por "danos de imagem", causados pela divulgação dos e-mails, a homóloga do FC Porto, o presidente da sociedade e do clube, Pinto da Costa, os administradores Fernando Gomes e Adelino Caldeira e Francisco J. Marques, além da FC Porto Média, empresa detentora da estação televisiva Porto Canal.

O Benfica alega que a divulgação dos e-mails afetou a credibilidade do clube, prejudicando os seus interesses comerciais e chegando a provocar a queda de cotação das ações da SAD na bolsa.

O FC Porto alega que se limitou a divulgar informação de interesse público e que as mensagens de correio eletrónico em causa revelam práticas deturpadores da verdade desportiva.

Numa audiência prévia realizada em 20 de novembro de 2018, em que se fixou o valor da causa, foi também admitida a reconvenção (uma espécie de contra-ação), deduzida pela ré, pedindo uma indemnização cujo valor não foi divulgado.
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