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Teerão acusa Austrália de tomar futebolistas da seleção feminina "reféns" após concessão de asilo

Pedido de asilo surgiu depois de, na estreia iraniana na competição frente à Coreia do Sul, as futebolistas iranianas decidiram não cantar o hino nacional.

10 de março de 2026 às 15:18

O Irão criticou esta terça-feira a decisão de a Austrália conceder asilo a cinco jogadoras da seleção feminina de futebol, acusando Camberra de as tomar como "reféns" após a sua participação na Taça da Ásia.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão, Ismail Bagaei, considerou, na rede social X, a medida como um ato de audácia e hipocrisia através, questionando a intenção humanitária das autoridades australianas.

"Mataram mais de 165 estudantes iranianas inocentes num duplo ataque com Tomahawks [mísseis de cruzeiro] na cidade de Minab, e agora querem tomar as nossas jogadoras como reféns, garantindo que as estão a 'salvar'? A audácia e a hipocrisia são impressionantes", lê-se na publicação.

O pedido de asilo surgiu na sequência do incidente que ocorreu na estreia iraniana na competição frente à Coreia do Sul, no dia 02 de março, quando as futebolistas iranianas decidiram não cantar o hino nacional, num gesto interpretado como apoio aos protestos contra o regime de Teerão.

Na sequência da preocupação da Federação Internacional de Associações de Futebolistas Profissionais (FIFPro) que exigiu, na segunda-feira, garantias de segurança para a seleção feminina do Irão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao governo australiano que concedesse asilo à seleção feminina iraniana, acrescentando que Washington as receberia, se Camberra não o fizesse.

Esta terça-feira, as autoridades australianas informaram ter autorizado a emissão de vistos humanitários para cinco das 25 convocadas, enquanto o resto da comitiva permanece em Sydney a aguardar viagem para a Malásia.

Segundo na ABC, pelo menos mais duas jogadoras terão solicitado asilo ao Governo australiano.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão garantiu que o país espera as futebolistas de braços abertos e pediu o seu regresso a casa, apesar de a televisão estatal as ter rotulado de traidoras por não terem entoado o hino nacional.

A Amnistia Internacional já manifestou satisfação pela concessão dos vistos, embora tenha expressado preocupação com a segurança das restantes jogadoras, que ainda não obtiveram proteção internacional.

Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, que respondeu com ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrain, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Incidentes com projéteis iranianos também atingiram Chipre, Azerbaijão e Turquia.

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