Duo dinâmico resolveu

Só não se pode dizer que o meio-campo do Sporting não mata mas mói, porque a verdade é que mata mesmo. Ontem, além de assegurarem, durante pouco mais de uma hora, um sentido único na partida – o da baliza de Marco Tábuas –, foram ainda dois médios (Carlos Martins e João Moutinho) a fazer os golos de uma vitória que pareceu óbvia até aos momentos finais, quando, já com os ‘leões’ a gerir esforços, o V. Setúbal reduziu para 1-2.
13.02.06
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Duo dinâmico resolveu
João Moutinho comemora o segundo golo ‘leonino’ depois de aproveitar uma defesa incompleta de Marco Tábuas a um livre de Martins Foto Inácio Rosa, Lusa
O Sporting levou dez minutos a entrar no jogo, dando nessa altura a ideia de uma partida dividida. Mas nunca o foi, até pelo posicionamento retraído do V. Setúbal em campo. Graças a isso e às exibições de Martins e Moutinho, a equipa de Paulo Bento passou a mandar em campo. O Vitória jogava num 4x3x3 onde os dois alas recuavam bastante e Varela ficava entregue a si próprio, pelo que o jogo decorria no seu meio-campo defensivo. E se Sá Pinto (14’) e Tonel (31’) não marcaram, fê-lo Carlos Martins, aos 36’, num livre directo frontal, que chutou com uma potência e uma colocação irrepreensíveis.
Na segunda parte, voltou a ser o Sporting a mostrar-se mais. Tonel, após jogada de Caneira, falhou um golo certo, aos 56’, e teve de ser novo livre frontal, aos 64’, a resolver o problema: desta vez, Marco Tábuas deteve o remate de Martins, mas fê-lo para a frente, onde Moutinho não lhe deu hipóteses na recarga. Nessa altura, já Hélio Sousa mexera na equipa, trocando Franja (perigoso apenas nas bolas paradas) por um Carlitos mais activo e, sobretudo, chamando Sandro para auxiliar Ricardo Chaves e Binho a meio-campo.
Como o Sporting julgou que o jogo estava resolvido e tirou o pé do acelerador, o Vitória passou a chegar mais vezes à baliza de Ricardo. Carlitos obrigou o guardião ‘leonino’ a uma boa defesa (83’) e depois (aos 87’) reduziu mesmo a desvantagem, na conversão de um penálti cometido por Sá Pinto.
Os ‘leões’ ainda sofreram, pelo menos emocionalmente, embora a melhor ocasião daí para a frente tenha sido um remate de Nani à barra no período de descontos. No fim, salvaram merecidamente os três pontos e abriram novas perspectivas a uma candidatura ao título que, há um mês, parecia arrumada.
MAIS: MEIO-CAMPO DO SPORTING
O virtuosismo e o poder de remate de Carlos Martins e a dinâmica de João Moutinho ganharam mais um jogo. Aos dois melhores de ontem, somou-se o jogo posicional de Custódio e um Sá Pinto sempre pressionante sem bola e a abrir linhas de passe quando ela está na posse de um colega. Foi assim – e com uma defesa certa – que o Sporting se impôs no jogo interior, ‘afogando’ os adversários em superioridade numérica constante.
MENOS: TIMIDEZ DO VITÓRIA
Hélio terá tentado abrir o jogo a meio-campo, dando ordens a Franja e, sobretudo, a Sougou para jogarem muito atrás, no auxílio aos médios. O resultado não foi a superioridade sadina a meio-campo mas sim dois jogadores a menos: Franja, que só se viu em bolas paradas, e Varela, o ponta-de-lança sacrificado à defesa ‘leonina’. Como Sougou também se viu mais em acções defensivas, só aos 2-0 é que o V. Setúbal começou a jogar.
PAULO BENTO: "VITÓRIA JUSTA E COM MÉRITO"
Paulo Bento considerou justo o triunfo arrancado no Bonfim e lembrou que os lances de bola parada fazem “parte do futebol”. “Penso que na primeira parte tivemos dificuldades. O Vitória defendeu com muita gente, mas ainda assim fomos melhor equipa. Na segunda entrámos melhor e tivemos várias oportunidades para acabar com o jogo. Os golos na sequência de livres? As jogadas de estratégia fazem parte do jogo. Foi mérito nosso e estamos satisfeitos com uma vitória justa”, disse o treinador do Sporting.
Já Hélio Sousa, técnico sadino, lamentou “a maré de azar”, realçando “a atitude dos jogadores, que foi excelente. Ainda conseguimos reduzir”, adiantou.
Carlos Martins, autor do primeiro golo e com intervenção no segundo do Sporting, era um homem feliz no final da partida: “Pensava que não ia jogar, mas recuperei a tempo. As lesões fazem parte do passado. Quero fazer o que gosto: jogar e ajudar o Sporting a conquistar os seus objectivos. Estivemos muito bem”, sustentou.
FICHA DO JOGO
Local: estádio do Bonfim, em Setúbal (8.000 espectadores)
Árbitro: João Vilas Boas (Braga)
VITÓRIA DE SETÚBAL: Marco Tábuas, Janício, Auri, Veríssimo, Nandinho (Sandro, 56m), Binho, Ricardo Chaves, Bruno Ribeiro, Franja (Carlitos, 56m), Sougou e Varela (Fonseca, 73m). Treinador: Hélio Sousa.
SPORTING: Ricardo, Abel, Tonel, Polga, Caneira, Custódio, Carlos Martins (Nani, 75m), Sá Pinto (Hugo, 90m), João Moutinho, Liedson e Douala (Deivid, 64m). Treinador: Paulo Bento.
Marcador: 0-1, Carlos Martins (36m); 0-2, João Moutinho (64m); 1-2, Carlitos (87m, g.p.)
Acção disciplinar: Amarelos - Sougou (60m), Tonel (76m) e Sá Pinto (85m)
Melhor jogador: Carlos Martins.

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